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Excedente de óleo de soja pode levar Argentina ao B7

“É tentador propor que o superávit [de óleo de soja] seja utilizado para aumentar automaticamente o percentual obrigatório ao B7 e B10, porque também temos capacidade abundante”
BiodieselBR.com 3 min de leitura
“É tentador propor que o superávit [de óleo de soja] seja utilizado para aumentar automaticamente o percentual obrigatório ao B7 e B10, porque também temos capacidade abundante”

 Com o fechamento temporário das exportações para o mercado chinês, o excedente de óleo de soja na Argentina, combinado com a eficiência da indústria nacional de biodiesel, poderá levar o país a aumentar o percentual de mistura do biodiesel no diesel, hoje em 5% (B5).

Assim como no Brasil, o óleo de soja é a principal matéria-prima do biocombustível. Os produtores defendem o uso do B7 a partir de meados de 2011 e a adoção do B10 a partir de 2012. “Esta ampliação do mercado interno pode ser feita com notável rapidez, devido à grande capacidade de produção adicional que hoje têm as grandes usinas independentes e as processadoras de grãos”, declarou a Câmara Argentina de Energias Renováveis (Cader) no seu último estudo sobre o mercado de biocombustíveis.

“É tentador propor que o superávit [de óleo de soja] seja utilizado para aumentar automaticamente o percentual obrigatório ao B7 e B10, porque também temos capacidade abundante”, diz a entidade, que representa os interesses dos produtores. A mudança de B5 para o B7, por exemplo, traria uma demanda adicional de óleo de soja de 340 mil toneladas, que entrariam anualmente no mercado de energia.

No fim de 2009 e início deste ano, o governo argentino entrou em negociação com 19 indústrias para saber que volume de biodiesel elas estariam dispostas a fornecer para o mercado obrigatório, além do que normalmente exportam. Houve um excedente de quase 600 milhões de litros (61% mais que o necessário para gerar os 977 milhões de litros do B5), levando a Secretaria Nacional de Energia a estabelecer uma quota de venda para cada empresa.

O apetite das usinas poderia consumir parte do óleo de soja que ficou sem mercado desde que a China suspendeu as importações, em abril, alegando falta de qualidade do produto. A suspensão teria sido uma forma de represália às tarifas antidumping impostas pelo governo argentino aos produtos chineses. No ano passado a China importou 1,84 milhão de toneladas de óleo de soja.

A Argentina tem pressa para resolver o impasse. A colheita de soja está praticamente encerrada no país. De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, em seu último relatório semanal, a produção da safra 2009/10 deve alcançar 55 milhões de toneladas, bem acima da estimativa inicial que era em torno de 48 milhões de toneladas.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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