BiodieselBR
Publicidade

Esmagadoras enfrentam dilema com biodiesel

A situação ilustra o estado paradoxal da indústria de biodiesel dos EUA e as decisões que as esmagadoras precisam tomar: refinar óleo para alimentos ou combustível.
. 3 min de leitura
A situação ilustra o estado paradoxal da indústria de biodiesel dos EUA e as decisões que as esmagadoras precisam tomar: refinar óleo para alimentos ou combustível.

BISMARCK, Dakota do Norte (EUA) — Uma unidade esmagadora no leste de Dakota do Norte está mudando da soja para a canola. Algumas milhas mais adiante, os agricultores estão investindo num futuro brilhante com feijão, com planos para sua própria esmagadora.

A situação em Red River Valley ilustra o estado paradoxal da indústria de biodiesel dos EUA e as decisões que as esmagadoras precisam tomar: refinar óleo para alimentos ou combustível.

Por um lado, só um quarto da capacidade de produção atual está sendo usado e o número de novas plantas iniciando a produção diminuiu dramaticamente de velocidade. Por outro lado, o volume de vendas de biodiesel continua subindo, e decretos do governo pedem até mais uso de biodiesel nos próximos anos.

A Northwood Mills LLC, em Northwood, não está desistindo de refinar óleo vegetal, mas está mudando seu enfoque drasticamente. Em vez de esmagar soja para o mercado de biodiesel, está esmagando canola para a indústria alimentícia.

Parte da razão é um declínio na indústria suína canadense, que tem sido um mercado primário para a ração de soja vinda das usinas, um subproduto usado para alimentação animal. O gerente-geral Clarence Leschied disse que a empresa também se desiludiu com a soja.

"A demanda (para óleo vegetal) do setor de biodiesel está quase desaparecendo, enquanto a canola para a indústria de alimentos ainda tem boa demanda," ele disse. "Nós acabamos de ver as margens em soja deteriorando."

Leschied disse que outras plantas também poderiam trocar o setor de energia pelo setor de alimentos. "A capacidade de biodiesel dos Estados Unidos está funcionando em aproximadamente 25 por cento," ele disse.

Amber Thurlo Pearson, uma porta-voz do National Biodiesel Board, confirma a porcentagem. Ela disse que os produtores de biodiesel estão tendo dificuldades por causa dos altos preços do óleo vegetal. Mas ela acredita que muitas das 171 plantas dos EUA foram construídas com grande capacidade — respondendo por muita da nova capacidade de produção— em antecipação ao crescimento futuro.

Mais carros estão sendo feitos com motores que podem utilizar biodiesel, uma alternativa para os combustíveis derivados de petróleo, Pearson disse. Uma nova lei federal também fixa um padrão de biocombustíveis de 36 bilhões de galões ao ano até 2022, um aumento de sete vezes.

Os agricultores do sudeste de Dakota do Norte estão contando com um crescimento continuado, pois estão desenvolvendo uma planta para esmagar soja e refinar o óleo. A planta Ag Plus Cooperative seria grande o suficiente para esmagar até 40 por cento da soja cultivada no estado.

O diretor de cooperativa Dale Beck disse que os diretores da planta decidirão mais tarde se será mais lucrativo vender óleo de soja para a indústria de energia ou de alimentos. "Nós estamos pensando principalmente no biodiesel," ele disse.

"A soja está com fornecimento escasso. A demanda é muito alta para óleo," Beck disse.

Os preços futuros de março para óleo de soja estão quase o dobro do que era um ano atrás, Pearson disse. As previsões de um aumento da demanda de biodiesel também ajudaram a puxar o preço do óleo para cima, ela disse.

Blake Nicholson - Associated Press

Compartilhar:

Artigos relacionados