Apesar da crise financeira mundial, a Organização Internacional do Trabalho acredita que as políticas
governamentais para criar fontes de energias sustentáveis vão impactar,
a longo prazo, a geração de postos de trabalhos: os empregos verdes.
A emissão de gás carbônico na atmosfera atormenta pesquisadores em todo o mundo, e os danos ao meio ambiente já são visíveis. A mudança climática, com sucessivas tragédias ambientais, pôs em alerta a população mundial. Neste mês, diante desse cenário, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou o relatório Green jobs: Towards decent work in as Sustainable, low-carbon wordk (Empregos verdes: Trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono), que traz uma notícia alvissareira. Apesar da crise financeira mundial, a OIT acredita que as políticas governamentais para criar fontes de energias sustentáveis vão impactar, a longo prazo, a geração de postos de trabalhos: os empregos verdes.
Até 2030, estima-se a abertura de cerca de 20 milhões de vagas apenas no setor de energia renovável. Os números podem aumentar quando falamos em empregos verdes relacionados à reciclagem, eficiência energética e outros serviços ambientais. Além dos empregos ligados à produção de combustíveis menos poluentes, serão gerados postos ligados ao reaproveitamento de matérias-primas e ao melhor uso da água.
Na semana seguinte à divulgação do relatório com as projeções sobre o emprego verde, a OIT divulgou outro documento informando que a crise financeira mundial vai acabar com 20 milhões de empregos. No entanto, quem atua no segmento de energia sustentável acredita que a demanda por novas fontes de energia superará a crise financeira. “O relatório sobre o emprego verde traça uma tendência de longo prazo. O horizonte é de 20 anos, enquanto a crise financeira que assola o mundo é passageira, poderá durar seis meses, um ano ou dois no máximo”, afirma o analista de mercado Univaldo Vedana, do portal Biodiesel Br. Segundo ele, é consenso mundial a necessidade de fontes renováveis de energia. “É imprescindível e necessário para mantermos o planeta vivo e habitável”, completa.
Univaldo é ainda mais otimista por acreditar que o Brasil pode gerar parte representativa das vagas. “Particularmente, considero o número de 20 milhões de novos empregos até 2030 modesto. Só no Brasil, se fizermos a coisa certa, o número de empregos na produção de matérias-primas para biodiesel poderá alcançar 10% desse total.”
Peter Poschen, especialista sênior do Departamento de Política de Integração da OIT e um dos responsáveis pelo relatório, defende que programas dos governos para estimular o crescimento frente a uma recessão econômica podem ser uma oportunidade de impulsionar a transformação. “Eficiência energética, energia limpa, transporte público são opções muito eficientes para fomentar o crescimento na boa direção e gerar emprego e renda.”
Segundo Peter, um estudo nos Estados Unidos mostra que um pacote de estímulo verde gera 15% mais emprego que uma simples distribuição de renda entre todas as famílias e quatro vezes mais que um investimento no setor petroleiro. “A crise atual pode ser uma oportunidade de mudar de padrão. Sabemos que muitas atividades e formas de produção atuais não são sustentáveis”, diz.
O setor de energia renovável gera oportunidades. O professor da Universidade de Itaúna Diego Luiz Nunes encontrou um nicho em função de uma atuação sustentável. Ele e o parceiro Alex Brasil desenvolveram tecnologia para a primeira usina móvel de produção de biodiesel e também prestam consultoria.
A usina tem capacidade de produção de 150 litros/hora, e o principal foco do projeto é o uso do óleo residual de fritura na produção de biodiesel. Além dessa matéria-prima, a usina tem capacidade de produzir biocombustível, a partir de outro óleo vegetal in natura ou residual. “O nosso objetivo é tornar disponível uma tecnologia madura, segura e acessível para que seja aplicada em pequena escala, capaz de atender as pequenas demandas de comunidades, cooperativas e produtores”, afirma Alex.
O potencial de geração de empregos é alto, uma vez que as comunidades poderão montar unidades produtoras de biodiesel em pequena escala, atendendo as necessidades energéticas locais. Muitas dessas unidades foram fomentadas a partir de 2005, quando o governo federal lançou o Programa Nacional de Produção de Biodiesel, com base na agricultura familiar.
O analista de mercado Univaldo Vedana acredita que, no Brasil, há ainda muito o que ser explorado para que mais empregos sejam gerados. Segundo ele, apenas 7 milhões de hectares – do total de 35 milhões de área cultivável no país –, na entressafra, são usados para o plantio de grãos usados na produção de biodiesel. “Falta matéria-prima, mas sobram 28 milhões de hectares que poderiam ser usados no plantio de oleaginosas. O governo precisa sinalizar e apoiar com políticas agrícolas específicas.” Em 2005, a produção era praticamente inexistente e saltou para 4 bilhões de litros de capacidade instalada este ano.
Um dos sócios-proprietários da Vira Design, Rafael Morgan acredita em um aumento na produção de móveis sustentáveis, o que deverá gerar uma demanda por profissionais preocupados com a preservação do meio ambiente. “Nossos móveis são feitos de MDF. Temos um aproveitamento altíssimo de matéria-prima, desde a escolha até os retoques finais. Quase não geramos lixo”, diz. A empresa produz uma linha de móveis que se encaixam como um quebra-cabeça. “O processo é totalmente sustentável. O corte é muito bem planejado para não ocorrer sobra de material.” Atualmente, a produção é limitada, mas ele acredita que será ampliada, sendo necessário contratar outros profissionais.
O Brasil terá um papel de destaque na geração de empregos ambientalmente sustentáveis, conforme demonstra o relatório Empregos verdes: trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono, divulgado neste mês pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O país já figura entre os campeões no ranking de geração de empregos no setor de energia renovável em 2006: 500 mil postos, ficando atrás apenas da China, com 600 mil, e ultrapassando os Estados Unidos, onde são gerados 312,2 mil empregos.
“A energia eólica cresce na base de dois dígitos por ano, criando empregos. Nas cidades, começa o recolhimento do óleo de cozinha, que também gera postos. Todas as formas de energia hoje estão em falta. Substituir a energia do petróleo exigirá que se plante mais e mais árvores. Era fácil furar um poço e usar o petróleo. Daqui para a frente boa parte dessa energia deverá ser plantada”, defende o analista de mercado Univaldo Vedana. De acordo com o relatório, os empregos verdes também são cruciais na redução da destruição ambiental proveniente da atividade econômica.
A produção de biocombustível em Governador Valadares, na Região Leste do estado, deverá representar mais 20 mil empregos no plantio de peão-manso (oleaginosa usada na produção de biodiesel). Isso porque são necessárias duas pessoas a cada hectare plantado. Além desses empregos, a usina de produção do biodiesel gera 50 empregos. O projeto está sendo implementado pelos Produtores de Biocombustível da Região Leste do Estado Minas Gerais, a cooperativa Bioleste. “A perspectiva é muito boa em relação à geração de empregos. Há uma demanda muito grande pelo biodiesel. Atualmente, somos 50 cooperados, mas vamos abrir mais cotas”, informa o presidente da cooperativa, Breno Barroso.
Segundo ele, a produção de oleaginosas pode ser muito mais rentável do que outras atividades, além de gerar empregos. “Em uma fazenda de 50 alqueires, onde são criados 150 bois, é necessário apenas um vaqueiro. Se a mesma área recebesse uma plantação de peão-manso, seriam gerados 500 empregos”, garante. De acordo com Breno, toda a produção será comercializada para a Vale.
Márcia Maria Cruz - O Estado de Minas
A emissão de gás carbônico na atmosfera atormenta pesquisadores em todo o mundo, e os danos ao meio ambiente já são visíveis. A mudança climática, com sucessivas tragédias ambientais, pôs em alerta a população mundial. Neste mês, diante desse cenário, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou o relatório Green jobs: Towards decent work in as Sustainable, low-carbon wordk (Empregos verdes: Trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono), que traz uma notícia alvissareira. Apesar da crise financeira mundial, a OIT acredita que as políticas governamentais para criar fontes de energias sustentáveis vão impactar, a longo prazo, a geração de postos de trabalhos: os empregos verdes.
Até 2030, estima-se a abertura de cerca de 20 milhões de vagas apenas no setor de energia renovável. Os números podem aumentar quando falamos em empregos verdes relacionados à reciclagem, eficiência energética e outros serviços ambientais. Além dos empregos ligados à produção de combustíveis menos poluentes, serão gerados postos ligados ao reaproveitamento de matérias-primas e ao melhor uso da água.
Na semana seguinte à divulgação do relatório com as projeções sobre o emprego verde, a OIT divulgou outro documento informando que a crise financeira mundial vai acabar com 20 milhões de empregos. No entanto, quem atua no segmento de energia sustentável acredita que a demanda por novas fontes de energia superará a crise financeira. “O relatório sobre o emprego verde traça uma tendência de longo prazo. O horizonte é de 20 anos, enquanto a crise financeira que assola o mundo é passageira, poderá durar seis meses, um ano ou dois no máximo”, afirma o analista de mercado Univaldo Vedana, do portal Biodiesel Br. Segundo ele, é consenso mundial a necessidade de fontes renováveis de energia. “É imprescindível e necessário para mantermos o planeta vivo e habitável”, completa.
Univaldo é ainda mais otimista por acreditar que o Brasil pode gerar parte representativa das vagas. “Particularmente, considero o número de 20 milhões de novos empregos até 2030 modesto. Só no Brasil, se fizermos a coisa certa, o número de empregos na produção de matérias-primas para biodiesel poderá alcançar 10% desse total.”
Peter Poschen, especialista sênior do Departamento de Política de Integração da OIT e um dos responsáveis pelo relatório, defende que programas dos governos para estimular o crescimento frente a uma recessão econômica podem ser uma oportunidade de impulsionar a transformação. “Eficiência energética, energia limpa, transporte público são opções muito eficientes para fomentar o crescimento na boa direção e gerar emprego e renda.”
Segundo Peter, um estudo nos Estados Unidos mostra que um pacote de estímulo verde gera 15% mais emprego que uma simples distribuição de renda entre todas as famílias e quatro vezes mais que um investimento no setor petroleiro. “A crise atual pode ser uma oportunidade de mudar de padrão. Sabemos que muitas atividades e formas de produção atuais não são sustentáveis”, diz.
O setor de energia renovável gera oportunidades. O professor da Universidade de Itaúna Diego Luiz Nunes encontrou um nicho em função de uma atuação sustentável. Ele e o parceiro Alex Brasil desenvolveram tecnologia para a primeira usina móvel de produção de biodiesel e também prestam consultoria.
Muito a ser explorado
Os empregos verdes estão muito associados ao empreendedorismo e também à agricultura familiar. O profissional deve ficar atento para identificar esses novos nichos de mercado, como tem feito a dupla de professores da Universidade de Itaúna Alex Nogueira Brasil e Diego Luiz Nunes, que criou um projeto de uma usina móvel de biodiesel. Eles também prestam consultoria nessa área. A usina é um projeto da Biominas Engenharia de Energias em parceria com a Universidade de Itaúna e as universidades federais de Minas Gerais e Lavras.A usina tem capacidade de produção de 150 litros/hora, e o principal foco do projeto é o uso do óleo residual de fritura na produção de biodiesel. Além dessa matéria-prima, a usina tem capacidade de produzir biocombustível, a partir de outro óleo vegetal in natura ou residual. “O nosso objetivo é tornar disponível uma tecnologia madura, segura e acessível para que seja aplicada em pequena escala, capaz de atender as pequenas demandas de comunidades, cooperativas e produtores”, afirma Alex.
O potencial de geração de empregos é alto, uma vez que as comunidades poderão montar unidades produtoras de biodiesel em pequena escala, atendendo as necessidades energéticas locais. Muitas dessas unidades foram fomentadas a partir de 2005, quando o governo federal lançou o Programa Nacional de Produção de Biodiesel, com base na agricultura familiar.
O analista de mercado Univaldo Vedana acredita que, no Brasil, há ainda muito o que ser explorado para que mais empregos sejam gerados. Segundo ele, apenas 7 milhões de hectares – do total de 35 milhões de área cultivável no país –, na entressafra, são usados para o plantio de grãos usados na produção de biodiesel. “Falta matéria-prima, mas sobram 28 milhões de hectares que poderiam ser usados no plantio de oleaginosas. O governo precisa sinalizar e apoiar com políticas agrícolas específicas.” Em 2005, a produção era praticamente inexistente e saltou para 4 bilhões de litros de capacidade instalada este ano.
Um dos sócios-proprietários da Vira Design, Rafael Morgan acredita em um aumento na produção de móveis sustentáveis, o que deverá gerar uma demanda por profissionais preocupados com a preservação do meio ambiente. “Nossos móveis são feitos de MDF. Temos um aproveitamento altíssimo de matéria-prima, desde a escolha até os retoques finais. Quase não geramos lixo”, diz. A empresa produz uma linha de móveis que se encaixam como um quebra-cabeça. “O processo é totalmente sustentável. O corte é muito bem planejado para não ocorrer sobra de material.” Atualmente, a produção é limitada, mas ele acredita que será ampliada, sendo necessário contratar outros profissionais.
No ritmo da ecologia
Potencial de geração de empregos é alto com as unidades produtoras de biodiesel, em pequena escala, para atender necessidades energéticas das comunidadesO Brasil terá um papel de destaque na geração de empregos ambientalmente sustentáveis, conforme demonstra o relatório Empregos verdes: trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono, divulgado neste mês pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O país já figura entre os campeões no ranking de geração de empregos no setor de energia renovável em 2006: 500 mil postos, ficando atrás apenas da China, com 600 mil, e ultrapassando os Estados Unidos, onde são gerados 312,2 mil empregos.
“A energia eólica cresce na base de dois dígitos por ano, criando empregos. Nas cidades, começa o recolhimento do óleo de cozinha, que também gera postos. Todas as formas de energia hoje estão em falta. Substituir a energia do petróleo exigirá que se plante mais e mais árvores. Era fácil furar um poço e usar o petróleo. Daqui para a frente boa parte dessa energia deverá ser plantada”, defende o analista de mercado Univaldo Vedana. De acordo com o relatório, os empregos verdes também são cruciais na redução da destruição ambiental proveniente da atividade econômica.
A produção de biocombustível em Governador Valadares, na Região Leste do estado, deverá representar mais 20 mil empregos no plantio de peão-manso (oleaginosa usada na produção de biodiesel). Isso porque são necessárias duas pessoas a cada hectare plantado. Além desses empregos, a usina de produção do biodiesel gera 50 empregos. O projeto está sendo implementado pelos Produtores de Biocombustível da Região Leste do Estado Minas Gerais, a cooperativa Bioleste. “A perspectiva é muito boa em relação à geração de empregos. Há uma demanda muito grande pelo biodiesel. Atualmente, somos 50 cooperados, mas vamos abrir mais cotas”, informa o presidente da cooperativa, Breno Barroso.
Segundo ele, a produção de oleaginosas pode ser muito mais rentável do que outras atividades, além de gerar empregos. “Em uma fazenda de 50 alqueires, onde são criados 150 bois, é necessário apenas um vaqueiro. Se a mesma área recebesse uma plantação de peão-manso, seriam gerados 500 empregos”, garante. De acordo com Breno, toda a produção será comercializada para a Vale.
Márcia Maria Cruz - O Estado de Minas
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