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Na contramão do setor, mega usina de Irati (PR) prevê exportar toda produção

A empresa, que terá toda sua produção voltada ao mercado externo, caminha na contramão do setor de biodiesel no Brasil, que diante dos altos custos de produção e da pesada carga tributária ainda não está conseguindo exportar
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A empresa, que terá toda sua produção voltada ao mercado externo, caminha na contramão do setor de biodiesel no Brasil, que diante dos altos custos de produção e da pesada carga tributária ainda não está conseguindo exportar

Irati, na região centro-sul do Paraná, foi a cidade escolhida para abrigar a usina de biodiesel da Companhia Brasileira de Energias Alternativas e Renováveis (CBEAR), que está sendo anunciada como a maior de modelo integrado do mundo. A informação foi divulgada em entrevista coletiva realizada hoje (13), na Secretaria da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, em Curitiba.

A empresa, que terá toda sua produção voltada ao mercado externo, caminha na contramão do setor de biodiesel no Brasil, que ainda não está conseguindo exportar, diante dos altos custos de produção e da pesada carga tributária. A diretora-executiva da CBEAR, Christianne Fullin diz que já possui contrato de compra de biodiesel, firmado no dia 23 de setembro, mas não revelou o nome do comprador, nem o país de destino do combustível. Ela explica como a empresa vai tentar fechar a conta na hora de exportar biodiesel: “Nosso contrato está atrelado ao valor das commodities. Temos um valor inicial fixado, com revisão mensal. Temos uma cláusula para reajustar os preços para cima, não para baixo”, explica.

Serão investidos 300 milhões de euros, cerca de R$ 876 milhões, na construção da indústria, que terá capacidade de produção de 600 milhões de litros anuais de biodiesel, a partir de culturas de inverno, como girassol e canola. Fullin, disse que a maior parte desse investimento virá da própria empresa, que já conta com três parceiros nacionais e um fundo europeu, mas não quis revelar detalhes, alegando cláusula contratual de sigilo.

A previsão é que a unidade comece a ser construída logo no início de 2009, numa área de 120 alqueires. Serão gerados 500 empregos diretos, sendo 100 a 150 só em Irati, além de milhares de indiretos com a inclusão de famílias que vivem no meio rural.
A diretora disse que a primeira remessa de exportação pode ser embarcada no porto de Paranaguá 30 dias após a inauguração da usina, prevista para fevereiro de 2010, o que daria menos de um ano para construção de todas as instalações.

“Vamos iniciar a produção já com a capacidade máxima”, diz. Para isso, a empresa terá que produzir biodiesel a partir de óleo de soja degomado, até que outras culturas sejam desenvolvidas na região. O desafio será grande. Para atender a produção anunciada de 50 milhões de litros por mês de biodiesel, serão necessárias 270 mil toneladas de soja esmagadas por mês. “Primeiramente vamos comprar soja do mercado, não de pequenos produtores rurais. A canola e o girassol serão incluídos só a partir de 2011. Queremos incentivar essas culturas porque a região tem uma extensa área ociosa para culturas de inverno”, diz Chistianne. Segundo Christianne, a empresa tem planos futuros de iniciar estudos com o crambe e o tungue.

No planejamento da fábrica está prevista uma produção verticalizada, com a instalação de uma unidade esmagadora de grãos, o que aumentaria a lucratividade no negócio. A previsão é que sejam construídos 15 entrepostos próprios da empresa na região, para recebimento, armazenamento e secagem de grãos.

A empresa quer envolver 68 municípios, que somam uma área de plantio de 1 milhão de hectares. Já foi feita uma parceria com a prefeitura de Irati e a idéia é firmar contrato direto com agricultores e cooperativas. “Irati foi escolhida por ser um entroncamento ferroviário, facilitando a logística até o Porto de Paranaguá, e por ser uma região com uma agricultura familiar forte. A região centro-sul do Estado tem característica de cultivo de pinus, feijão, fumo e batata. A canola e o girassol, por serem culturas de inverno, vão incrementar a renda desses produtores”, diz o secretário de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgilio Moreira Filho.

“Preparamos a cidade ao longo do tempo para poder receber uma indústria desse porte. Esse investimento trará inúmeros benefícios para área urbana e rural da região, agregando renda ao agricultor familiar. Esta pode ser uma das maiores arrecadações do Paraná”, diz o prefeito de Irati, Sergio Luiz Stoklos.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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