Mesmo com o preço do óleo diesel derivado do petróleo chegando
próximo a R$ 2,00 por litro (US$ 4.60 o galão) em Nova York, a
atratividade do biodiesel permanece ilusória.
Para os motoristas que não desejam colaborar para o aumento das importações de diesel, o biodiesel é uma proposta atraente. Em tese, esse combustível alternativo faz uso pleno do enorme potencial de um motor a diesel.
Mas mesmo com o preço do óleo diesel derivado do petróleo chegando próximo a R$ 2,00 por litro (US$ 4.60 o galão) em Nova York, a atratividade do biodiesel permanece ilusória. O preço do biodiesel varia de acordo com a oferta e o preço dos óleos vegetais usados na sua constituição.
Da mesma forma que o etanol disponível comercialmente é misturado à gasolina, a maior parte do que é vendido como biodiesel é uma mistura de óleo vegetal e óleo diesel mineral. Nos EUA, o biodiesel comercial é geralmente vendido em misturas com óleo diesel derivado do petróleo em concentrações de 5 ou 20%, chamadas B5 ou B20.
Quando os motores a diesel começaram a ser fabricados no final do século XIX, a idéia inicial era abastecê-los com óleos vegetais derivados de sementes e amendoim. Em pouco tempo, no entanto, descobriu-se que o motor funcionaria ainda melhor com um subproduto do processo de refino do petróleo para obter gasolina – e por mais de cem anos o diesel derivado de petróleo tem sido o combustível padrão para motores diesel.
Não é que os óleos vegetais fossem uma má idéia, mas eles possuíam a tendência a se tornar muito espessos a baixas temperaturas, perdendo fluidez e obstruindo a alimentação de combustível. Além disso, a baixa atomização e a combustão incompleta levavam à carbonização (depósito de carbono) dos cilindros e à conseqüente danificação do motor.
Dessa forma, para fazer uso dos óleos vegetais em motores a diesel, era essencial encontrar uma forma de superar essa tendência natural de engrossamento dos óleos. Depois de muitas pesquisas, cientistas na Bélgica descobriram nos anos 30 um processo químico chamado transesterificação, capaz de modificar a estrutura molecular dos óleos vegetais de forma a manter sua fluidez.
Atualmente o biodiesel vem sendo vendido quase pelo mesmo preço do óleo diesel derivado de petróleo, ou mesmo um pouco mais caro em muitos lugares. Na Schildwachter & Sons (distribuidora de combustível localizada no Bronx, em Nova York), por exemplo, o diesel tradicional no atacado sai a R$ 1,70 o litro, sem impostos, enquanto que a mistura de 20% de biodiesel custa R$ 1,72 o litro.
No entanto, Michael Woloz, porta-voz da Metro Fuel Oil Corporation, sediada no Brooklin, diz que o biodiesel revelou-se mais barato que o óleo diesel mineral depois de contabilizados impostos e créditos de imposto. Woloz diz que após o desconto dos créditos de imposto, o preço na bomba para o biodiesel B20 era de R$ 2,00, enquanto o diesel mineral puro saía por R$ 2,02.
Mas ainda que o motorista comum decida pelo biodiesel como forma de protestar contra a indústria petrolífera, é quase impossível encontrar o produto nos postos de gasolina. Nenhum dos dois distribuidores que trabalham com biodiesel em Nova York (Metro, no Brooklin, e Schildwachter, no Bronx) atende o público no varejo. Em New Hyde Park, Estado de Nova York, a Hart Petroleum oferece misturas variando do B2 ao B20 ao consumidor individual. Não há nenhum distribuidor em Nova Jersey e apenas cinco no Estado de Connecticut, de acordo com o site do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB). Até mesmo a BioWillie, empresa do cantor country americano Willie Nelson, continua tendo problemas para conseguir abrir filiais fora dos Estados de Oklahoma e Texas.
Há ainda outros desafios. O biodiesel é notoriamente agressivo às mangueiras e vedações de borracha usadas nos sistemas de combustível de muitos carros mais velhos e caminhões. Portanto, a não ser que seu carro a diesel tenha sido fabricado com mangueiras e vedações sintéticas especiais, você vai ter que substituí-las antes de mandar sua mensagem à indústria do petróleo.
Apesar desses problemas, no entanto, o biodiesel possui apelo suficiente para merecer atenção. De acordo com o Centro de Informações sobre Veículos Ecológicos e Combustíveis Alternativos do Departamento de Energia dos EUA, o biodiesel apresenta uma queima mais limpa que seu equivalente de petróleo.
Como o biodiesel provém de plantas que absorvem gás carbônico durante seu crescimento, há uma redução global de 78% nas emissões desse gás em relação ao diesel tradicional. De acordo com a Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA, o uso de biodiesel puro, o chamado B100, resulta em redução de contaminantes regulados e não-regulados, com exceção de óxidos de nitrogênio, que apresentam aumento.
Pesquisas recentes resultaram em um padrão mais uniforme de biodiesel, mas não eliminaram a possibilidade de que agentes corrosivos apareçam no produto final. Ainda assim, mesmo na Europa, onde o biodiesel pode ser encontrado facilmente em postos de gasolina, a maioria dos revendedores não o comercializam em concentrações maiores de 50%, misturado ao diesel comum.
Há pessoas produzindo seu próprio biodiesel nos Estados Unidos, seguindo fórmulas encontradas em sites da internet, adicionando ingredientes que requerem extremo cuidado na manipulação, como metanol e lixívia, a óleo de cozinha usado adquirido de restaurantes.
JIM NORMAN
The New York Times
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Para os motoristas que não desejam colaborar para o aumento das importações de diesel, o biodiesel é uma proposta atraente. Em tese, esse combustível alternativo faz uso pleno do enorme potencial de um motor a diesel.
Mas mesmo com o preço do óleo diesel derivado do petróleo chegando próximo a R$ 2,00 por litro (US$ 4.60 o galão) em Nova York, a atratividade do biodiesel permanece ilusória. O preço do biodiesel varia de acordo com a oferta e o preço dos óleos vegetais usados na sua constituição.
Da mesma forma que o etanol disponível comercialmente é misturado à gasolina, a maior parte do que é vendido como biodiesel é uma mistura de óleo vegetal e óleo diesel mineral. Nos EUA, o biodiesel comercial é geralmente vendido em misturas com óleo diesel derivado do petróleo em concentrações de 5 ou 20%, chamadas B5 ou B20.
Quando os motores a diesel começaram a ser fabricados no final do século XIX, a idéia inicial era abastecê-los com óleos vegetais derivados de sementes e amendoim. Em pouco tempo, no entanto, descobriu-se que o motor funcionaria ainda melhor com um subproduto do processo de refino do petróleo para obter gasolina – e por mais de cem anos o diesel derivado de petróleo tem sido o combustível padrão para motores diesel.
Não é que os óleos vegetais fossem uma má idéia, mas eles possuíam a tendência a se tornar muito espessos a baixas temperaturas, perdendo fluidez e obstruindo a alimentação de combustível. Além disso, a baixa atomização e a combustão incompleta levavam à carbonização (depósito de carbono) dos cilindros e à conseqüente danificação do motor.
Dessa forma, para fazer uso dos óleos vegetais em motores a diesel, era essencial encontrar uma forma de superar essa tendência natural de engrossamento dos óleos. Depois de muitas pesquisas, cientistas na Bélgica descobriram nos anos 30 um processo químico chamado transesterificação, capaz de modificar a estrutura molecular dos óleos vegetais de forma a manter sua fluidez.
Atualmente o biodiesel vem sendo vendido quase pelo mesmo preço do óleo diesel derivado de petróleo, ou mesmo um pouco mais caro em muitos lugares. Na Schildwachter & Sons (distribuidora de combustível localizada no Bronx, em Nova York), por exemplo, o diesel tradicional no atacado sai a R$ 1,70 o litro, sem impostos, enquanto que a mistura de 20% de biodiesel custa R$ 1,72 o litro.
No entanto, Michael Woloz, porta-voz da Metro Fuel Oil Corporation, sediada no Brooklin, diz que o biodiesel revelou-se mais barato que o óleo diesel mineral depois de contabilizados impostos e créditos de imposto. Woloz diz que após o desconto dos créditos de imposto, o preço na bomba para o biodiesel B20 era de R$ 2,00, enquanto o diesel mineral puro saía por R$ 2,02.
Mas ainda que o motorista comum decida pelo biodiesel como forma de protestar contra a indústria petrolífera, é quase impossível encontrar o produto nos postos de gasolina. Nenhum dos dois distribuidores que trabalham com biodiesel em Nova York (Metro, no Brooklin, e Schildwachter, no Bronx) atende o público no varejo. Em New Hyde Park, Estado de Nova York, a Hart Petroleum oferece misturas variando do B2 ao B20 ao consumidor individual. Não há nenhum distribuidor em Nova Jersey e apenas cinco no Estado de Connecticut, de acordo com o site do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB). Até mesmo a BioWillie, empresa do cantor country americano Willie Nelson, continua tendo problemas para conseguir abrir filiais fora dos Estados de Oklahoma e Texas.
Há ainda outros desafios. O biodiesel é notoriamente agressivo às mangueiras e vedações de borracha usadas nos sistemas de combustível de muitos carros mais velhos e caminhões. Portanto, a não ser que seu carro a diesel tenha sido fabricado com mangueiras e vedações sintéticas especiais, você vai ter que substituí-las antes de mandar sua mensagem à indústria do petróleo.
Apesar desses problemas, no entanto, o biodiesel possui apelo suficiente para merecer atenção. De acordo com o Centro de Informações sobre Veículos Ecológicos e Combustíveis Alternativos do Departamento de Energia dos EUA, o biodiesel apresenta uma queima mais limpa que seu equivalente de petróleo.
Como o biodiesel provém de plantas que absorvem gás carbônico durante seu crescimento, há uma redução global de 78% nas emissões desse gás em relação ao diesel tradicional. De acordo com a Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA, o uso de biodiesel puro, o chamado B100, resulta em redução de contaminantes regulados e não-regulados, com exceção de óxidos de nitrogênio, que apresentam aumento.
Pesquisas recentes resultaram em um padrão mais uniforme de biodiesel, mas não eliminaram a possibilidade de que agentes corrosivos apareçam no produto final. Ainda assim, mesmo na Europa, onde o biodiesel pode ser encontrado facilmente em postos de gasolina, a maioria dos revendedores não o comercializam em concentrações maiores de 50%, misturado ao diesel comum.
Há pessoas produzindo seu próprio biodiesel nos Estados Unidos, seguindo fórmulas encontradas em sites da internet, adicionando ingredientes que requerem extremo cuidado na manipulação, como metanol e lixívia, a óleo de cozinha usado adquirido de restaurantes.
JIM NORMAN
The New York Times
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com