A Royal Society, academia de ciências do Reino Unido, divulgou há duas
semanas uma série de recomendações sobre políticas públicas e pesquisas
necessárias para garantir a sustentabilidade dos biocombustíveis.
A Royal Society, academia de ciências do Reino Unido, divulgou há duas
semanas uma série de recomendações sobre políticas públicas e pesquisas
necessárias para garantir a sustentabilidade dos biocombustíveis.
A Royal Society, academia de ciências do Reino Unido, divulgou há duas semanas uma série de recomendações sobre políticas públicas e pesquisas necessárias para garantir a sustentabilidade dos biocombustíveis.
Elaboradas por um grupo de trabalho multidisciplinar formado em 2006, as recomendações constam no relatório “Sustainable biofuels: prospects and challenges (Biocombustíveis sustentáveis: perspectivas e desafios)” e contemplam ações nas áreas de matérias-primas, processos de produção, distribuição, meio ambiente e políticas públicas.
Segundo o relatório – que não faz advertências apocalípticas – todos os esforços de governos e da comunidade científica internacional devem se concentrar no objetivo de garantir que os biocombustíveis não se tornem um problema maior do que aquele que pretendem resolver.
“É vital que as políticas de promoção dos biocombustíveis também contemplem os impactos econômicos, ambientais e sociais, de modo que eles sejam feitos para cumprir sua tarefa efetivamente”, alerta o documento.
No capítulo dedicado às matérias-primas, os cientistas chamam a atenção para a necessidade de encontrar novas fontes que não disputem com a produção de alimentos, e cita como exemplo o uso de organismos de ecossistemas marinhos e a produção de hidrocarbonos diretamente de plantas ou microorganismos.
O texto lembra ainda os cuidados com o consumo de água e de fertilizantes – que emitem óxido de nitrogênio – e com o uso da terra onde essas matérias-primas serão cultivadas. “Mudanças no uso da terra, como desmatar florestas tropicais (...), trazem o risco de liberar gases estufa suficientes para negar qualquer futuro benefício ao clima, e ainda causa grandes impactos na conservação da biodiversidade.”
Para os cientistas da Royal Society, é necessário desenvolver critérios internacionais de sustentabilidade, não só por se tratar de um problema global como também pelo fato de que a União Européia terá de importar biocombustíveis produzidos fora do bloco. “É preciso garantir que essas avaliações e efeitos colaterais sejam aplicados também aos produtos importados”, recomendam.
O documento de 90 páginas também menciona oportunidades que os biocombustíveis trazem para o desenvolvimento da tecnologia de motores, que devem ser desenhadas para melhor a eficiência energética e diminuir as emissões.
“Políticas nacionais, regionais e globais devem sinalizar que esse não é um fenômeno de curta duração para dar confiança aos fabricantes de veículos para investir em motores pró-biocombustíveis e adaptar os existentes às necessidades dos biocombustíveis”, recomendam os cientistas. “O aumento sustentável do uso de biocombustíveis requer urgentemente o desenvolvimento paralelo e compatível de motores, matérias-primas e tecnologias de produção”, frisa o texto.
A divulgação do documento coincidiu com as discussões em curso na União Européia sobre os critérios de sustentabilidade ambiental para permitir a importação de etanol e biodiesel – e com notícias de que fabricantes de alimentos ao redor do mundo estariam apoiando um plano para certificar o óleo de palma. A certificação viria para evitar que a maior demanda pelo óleo cause a destruição de florestas na Malásia e na Indonésia, principais produtores mundiais.
Sustainable biofuels: prospects and challenges .PDF (em inglês)
Raquel Marçal
BiodieselBR.com
A Royal Society, academia de ciências do Reino Unido, divulgou há duas semanas uma série de recomendações sobre políticas públicas e pesquisas necessárias para garantir a sustentabilidade dos biocombustíveis.
Elaboradas por um grupo de trabalho multidisciplinar formado em 2006, as recomendações constam no relatório “Sustainable biofuels: prospects and challenges (Biocombustíveis sustentáveis: perspectivas e desafios)” e contemplam ações nas áreas de matérias-primas, processos de produção, distribuição, meio ambiente e políticas públicas.
Segundo o relatório – que não faz advertências apocalípticas – todos os esforços de governos e da comunidade científica internacional devem se concentrar no objetivo de garantir que os biocombustíveis não se tornem um problema maior do que aquele que pretendem resolver.
“É vital que as políticas de promoção dos biocombustíveis também contemplem os impactos econômicos, ambientais e sociais, de modo que eles sejam feitos para cumprir sua tarefa efetivamente”, alerta o documento.
No capítulo dedicado às matérias-primas, os cientistas chamam a atenção para a necessidade de encontrar novas fontes que não disputem com a produção de alimentos, e cita como exemplo o uso de organismos de ecossistemas marinhos e a produção de hidrocarbonos diretamente de plantas ou microorganismos.
O texto lembra ainda os cuidados com o consumo de água e de fertilizantes – que emitem óxido de nitrogênio – e com o uso da terra onde essas matérias-primas serão cultivadas. “Mudanças no uso da terra, como desmatar florestas tropicais (...), trazem o risco de liberar gases estufa suficientes para negar qualquer futuro benefício ao clima, e ainda causa grandes impactos na conservação da biodiversidade.”
Para os cientistas da Royal Society, é necessário desenvolver critérios internacionais de sustentabilidade, não só por se tratar de um problema global como também pelo fato de que a União Européia terá de importar biocombustíveis produzidos fora do bloco. “É preciso garantir que essas avaliações e efeitos colaterais sejam aplicados também aos produtos importados”, recomendam.
O documento de 90 páginas também menciona oportunidades que os biocombustíveis trazem para o desenvolvimento da tecnologia de motores, que devem ser desenhadas para melhor a eficiência energética e diminuir as emissões.
“Políticas nacionais, regionais e globais devem sinalizar que esse não é um fenômeno de curta duração para dar confiança aos fabricantes de veículos para investir em motores pró-biocombustíveis e adaptar os existentes às necessidades dos biocombustíveis”, recomendam os cientistas. “O aumento sustentável do uso de biocombustíveis requer urgentemente o desenvolvimento paralelo e compatível de motores, matérias-primas e tecnologias de produção”, frisa o texto.
A divulgação do documento coincidiu com as discussões em curso na União Européia sobre os critérios de sustentabilidade ambiental para permitir a importação de etanol e biodiesel – e com notícias de que fabricantes de alimentos ao redor do mundo estariam apoiando um plano para certificar o óleo de palma. A certificação viria para evitar que a maior demanda pelo óleo cause a destruição de florestas na Malásia e na Indonésia, principais produtores mundiais.
Algumas das recomendações do relatório
- Aumentar a produção por hectare das matérias-primas e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais negativos
- Desenvolver novas matérias-primas que possam, por exemplo, ser cultivadas em ambientes hostis, processadas rapidamente e que sejam capazes de gerar uma variedade de produtos
- Criar novos sistemas fisicoquímicos para a síntese de biocombustíveis
- Integrar a cadeia produtiva para ganhar máxima eficiência
- Integrar o desenvolvimento de biocombustíveis e o desenvolvimento de motores
- Criar métodos internacionais de avaliar a sustentabilidade
Sustainable biofuels: prospects and challenges .PDF (em inglês)
Raquel Marçal
BiodieselBR.com