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Biorreatores de alga introduzem nova fonte de combustível para carros

Uma empresa australiana pode ser a primeira no mundo a comercializar um biorreator de algas que pode retirar dióxido de carbono do ar e convertem em biodiesel de alta qualidade para automóveis
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Uma empresa australiana pode ser a primeira no mundo a comercializar um biorreator de algas que pode retirar dióxido de carbono do ar e convertem em biodiesel de alta qualidade para automóveis. Peter Edwards, neto de Victor Smorgon, um dos mais bem-sucedidos industriais da Austrália e diretor-gerente do Victor Smorgon Group, uma companhia de capital privado com 75 anos de história na área fabril e de reciclagem, diz que está próximo de passar da fase de testes em escala de laboratório para um projeto piloto.

Uma empresa australiana pode ser a primeira no mundo a comercializar um biorreator de algas que pode retirar dióxido de carbono das emissões de usinas de carvão e convertê-lo em diesel de alta qualidade para automóveis. Peter Edwards, neto de Victor Smorgon, um dos mais bem-sucedidos industriais da Austrália e diretor-gerente do Victor Smorgon Group, uma companhia de capital privado com 75 anos de história na área fabril e de reciclagem, diz que está próximo de passar da fase de testes em escala de laboratório para um projeto piloto.

Os testes estão sendo feitos na usina de energia de Hazelwood, em Victoria, comparando crescimento e taxa de sobrevivência de diferentes tipos de microalgas em diferentes tipos de água – de esgoto, potável e de lençóis aquáticos. "Acabamos de terminar uma usina e colocá-la em operação em janeiro, e se ela render de acordo com as expectativas,podemos entrar em operação comercial dentro de 18 meses".

Há cerca de mil hectares de terra ao redor de Hazelwood que podem ser usados para cultivar algas, e Edwards espera produzir cem milhões de litros de biodiesel por ano. Rendendo de US$ 800 a US$ 1.000 (R$ 1.280 a R$ 1.600) por tonelada para a fabricação de biodiesel, o dióxido de carbono pode se tornar um insumo valioso, em vez de um dejeto perigoso. “Tivemos várias consultas por parte de empresas que desejam tornar suas emissões limpas”, diz Edward, “mas queremos colocar os biorreatores em operação em Hazelwood antes de qualquer coisa”.

Edward diz que os biorreatores de alga devem poder ser instalados em qualquer usina que produza emissões de carbono, como cervejarias ou usinas de etanol. As implicações para a redução de gases estufa e a independência energética são enormes. Biorreatores de alga possuem a capacidade de converter em oxigênio até 85% das emissões de dióxido de carbono, usando o processo simples e natural da fotossíntese. E apesar de eles só poderem fazer isso na presença de luz solar, as emissões podem, em tese, ser armazenadas durante a noite e usadas de dia.

Todas as plantas vivas convertem dióxido de carbono em oxigênio através do processo de fotossíntese, mas a diferença em relação às algas é que elas crescem muito mais rápido que outras plantas e podem se desenvolver a base de um fluxo de dióxido de carbono. As algas geram grandes benefícios quando comparadas a outras fontes de biocombustível como milho, cana-de-açúcar, canola e óleo de palma. Para começar, produzem quantidades muito maiores de óleo – até 50% de óleo em alguns tipos de alga. Elas podem ser colhidas diariamente para produzir cerca de cem mil litros de óleo por hectare por ano. Um hectare de canola ou óleo de palma produz apenas uma fração disso – de um a cinco mil litros por ano.

Uma segunda vantagem das algas é que elas não necessitam de terra cultivável nem água potável, como acontece com outros biocombustíveis, que competem com culturas destinadas à alimentação por esses insumos escassos. As algas podem crescer em água salgada ou mesmo contaminada, algumas vezes purificando essa água.

Longe de ocupar terras de grande valor agrícola, as algas podem ser cultivadas em sacolas plásticas, penduradas como roupa lavada ao redor de qualquer fonte emissora de dióxido de carbono, como usinas, cervejarias ou fábricas de cimento. Elas necessitam basicamente de luz solar, gás carbônico e alguns nutrientes. Quando se trata de processamento, as algas podem ser convertidas em óleo muito mais facilmente, pois não possuem uma estrutura de celulose rica em amido como outras plantas. Como benefício adicional, os biorreatores também reduzem o óxido nitroso em 86%.

A VSG já está autorizada a produzir biodiesel de gorduras animais, óleo de canola e óleo de cozinha reciclado coletado de lanchonetes fast-food, restaurantes e cozinhas industriais, mas as algas podem acabar superando as atuais fontes de biodiesel. A empresa licenciou a tecnologia experimental da GreeFuel Technology, uma empresa sediada nos Estados Unidos que possui mais de uma dúzia de patentes pendentes relativas a sistemas de biorreação para algas.

A GreenFuel foi idealizada por Isaac Berzin, que era cientista de foguetes no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi durante um experimento de cultivo de algas na Estação Espacial Internacional que ele pensou em usá-las para limpar emissões de usinas de energia. A GreenFuels está envolvida em vários projetos pilotos de “conversão de emissões em biocombustível“ – nos Estados Unidos, com a Arizona Public Service, na usina de Redhawk, com capacidade para 1040 MW; na Europa, com a IGV, um instituto de pesquisas industriais privado sediado em Potsdam, Alemanha; e na África do Sul.

“Estamos trabalhando em cooperação com nossos parceiros, com os quais entramos em contato mais ou menos uma vez por semana para comparar resultados. O piloto que vamos construir na Austrália é um biorreator de algas de quarta geração. Nós nos beneficiamos de todas as pesquisas que nossos parceiros fizeram.”

O governo australiano e a indústria carvoeira investiram no seqüestro e armazenamento de carbono, onde o carbono é capturado e estocado em formações geológicas, mas um biorreator para algas teria um custo de instalação muito menor. Usinas de energia e instalações industriais não precisariam de modificações para hospedar um biorreator de algas. Embora as algas tivessem que ser estocadas para seqüestrar as emissões de carbono, usar biodiesel feito de alga ainda reduziria radicalmente as emissões de gases estufa e a necessidade de queimar combustíveis fósseis para transporte.

Tom Beer, líder de um grupo de estudos sobre biocombustíveis para transporte da CSIRO, uma organização para pesquisas científicas e industriais australiana, está realizando um estudo de grande escopo sobre o biodiesel de algas. “Estou começando a acreditar que isso vai ser muito importante para a Austrália”, diz ele.

“Outras matérias-primas alimentares possuem implicações sociais quando usadas como combustível. Como se pode justificar o uso de alimentos como combustível quando há pessoas passando fome ou mal nutridas? Mas as algas não competem por terra nem água apropriadas ao cultivo”. Edwards aponta outro benefício. A proteína residual que resta depois que o óleo foi extraído pode ser convertida em ração para peixes ou outros rebanhos.

“A ração para peixe vale US$ 1.200 (R$ 1.920) a tonelada”, diz Edwards. “É ainda mais que o preço do biodiesel. As algas não competem com fontes de comida, elas criam novas fontes”.

Review - The Weekend Australian
Tradução e adaptação: BiodieselBR.com
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