O salto no preço, que reflete uma mudança local e mundial no mercado de
óleo de girassol para alimentação, levou a
empresa a destinar as sementes compradas para o mercado de
alimentos em vez de transformá-las em biodiesel.
Quando Jeff Berman começou a planejar a San Juan Bioenergy, em 2004, a empresa de biodiesel norte-americana, então apenas uma cooperativa, estava oferecendo perto de 40 centavos de real por quilo aos produtores de girassol. Este ano, os mesmos poderão vender suas colheitas à empresa por até R$ 0,86 o quilo.
O salto no preço, que reflete uma mudança local e mundial no mercado de óleo de girassol para alimentação, levou a empresa de Berman a destinar as sementes compradas para o mercado de alimentos em vez de transformá-las em biodiesel.
“O preço do óleo para alimentação fez os preços do girassol dispararem, mas as cotações do diesel não acompanharam”, declara Berman. Agora a empresa está considerando outras opções para produzir biodiesel.
“Há alguns anos íamos produzir apenas biodiesel”, diz Berman, tratando dos planos iniciais que traçou para a usina. “Mas neste momento a melhor opção é vender todo o óleo de girassol para uso em alimentação e utilizar óleo de fritura para fazer biocombustível.”
De acordo com a Associação Nacional de Girassol dos EUA, que possui um site sobre produção de biodiesel de girassol, “o atual preço do óleo de girassol é superior ao dos óleos de soja e de canola devido à demanda da indústria de alimentos. Esse adicional pode tornar o uso de óleo de girassol para produzir biodiesel proibitivo.”
A mudança de cenário é relativamente recente.
“Há quatro anos, os preços não estavam nem perto dos atuais”, diz Berman. “E o preço dos combustíveis não se manteve parelho, especialmente em relação ao dos óleos de girassol e açafroa (açafrão-bastardo). Podemos faturar praticamente o dobro vendendo esses óleos para alimentação.”
Especialistas da área dizem que a decisão é economicamente correta.
“Em geral, nos últimos dois ou três anos, os óleos vegetais saltaram de R$ 0,45 o quilo para mais de R$ 1,32*”, declara Jerry Kram, colaborador da BBI International, editora especializada em energias renovavéis.
“Os preços dos óleos alimentícios subiram devido a vários fatores”, diz Alan Weber, consultor do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB) dos Estados Unidos. “Mais milho foi plantado em 2007, a maior parte dele para produção de etanol, o que realocou o óleo de soja usado para alimentação.” Isso aumenta os preços da soja e outras culturas destinadas à produção de óleo alimentício.
Os estoques mundiais de óleo alimentício estão baixos, o que também contribui para o aumento, segundo Weber. E a queda do dólar está fazendo com que muitos países comprem mais commodities americanas, pressionando também os preços para cima.
A produção de biodiesel, geralmente a partir de óleos naturais como o da soja, é sensível ao preço dos óleos alimentícios de uma maneira diferente que o etanol, outro biocombustível que vem de matérias-primas como o milho e a cana-de-açúcar.
À medida que os preços dos óleos vegetais sobem e consegue-se mais dinheiro vendendo-os para alimentação, os produtores têm que buscar outras fontes de matéria-prima para seu produto.
“Estamos vendo os produtores de biodiesel partirem para outras matérias-primas (já que o preço do óleo de soja, entre outros, tem aumentado)”, declara Weber.
Berman concorda. Ele diz que a San Juan Bioenergy está se voltando para o uso de óleo de fritura usado e algas como matérias-primas potenciais para o setor de biodiesel da empresa.
Ele acrescenta que a usina de bioenergia vai começar suas operações com a venda de óleo de girassol para alimentação, com o setor de produção de biodiesel operando como uma usina piloto.
A empresa planeja produzir 4,75 milhões de litros de óleo vegetal anualmente e 950 mil litros de biodiesel neste primeiro ano.
Berman acredita que a produção de óleo de girassol vai iniciar até o fim do próximo verão (setembro, nos Estados Unidos), e espera começar a produção de biodiesel logo em seguida. Sua idéia é ampliar a escala de produção assim que a tecnologia para produção de biodiesel de outras fontes começar a ser utilizada.
“Estamos olhando para o biodiesel como um projeto piloto. E temos planos importantes para assegurar matérias-primas adicionais com potencial para produzir quantidades muito maiores de biodiesel no futuro", acrescenta.
Entretanto, a San Juan Bioenergy ainda não assegurou a compra do óleo de fritura usado e do óleo de canola que irá precisar para produzir biodiesel, e Berman não sabe quando isso ocorrerá.
“Eu não poso lhe dar uma data precisa (sobre quando saberemos)”, diz Berman. “Os mercados de matérias-primas e combustível estão oscilando demais.”
A usina precisaria obter equipamento adicional para produzir biodiesel a partir de óleo de fritura, já que esse tipo de óleo, assim como ocorre com as gorduras animais, precisa passar por uma etapa adicional de processamento antes de ser convertido em biodiesel.
* Valores convertidos considerando cotação do dólar a R$ 1,70
Stephanie Paige Ogburn
The Cortez Journal
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Quando Jeff Berman começou a planejar a San Juan Bioenergy, em 2004, a empresa de biodiesel norte-americana, então apenas uma cooperativa, estava oferecendo perto de 40 centavos de real por quilo aos produtores de girassol. Este ano, os mesmos poderão vender suas colheitas à empresa por até R$ 0,86 o quilo.
O salto no preço, que reflete uma mudança local e mundial no mercado de óleo de girassol para alimentação, levou a empresa de Berman a destinar as sementes compradas para o mercado de alimentos em vez de transformá-las em biodiesel.
“O preço do óleo para alimentação fez os preços do girassol dispararem, mas as cotações do diesel não acompanharam”, declara Berman. Agora a empresa está considerando outras opções para produzir biodiesel.
“Há alguns anos íamos produzir apenas biodiesel”, diz Berman, tratando dos planos iniciais que traçou para a usina. “Mas neste momento a melhor opção é vender todo o óleo de girassol para uso em alimentação e utilizar óleo de fritura para fazer biocombustível.”
De acordo com a Associação Nacional de Girassol dos EUA, que possui um site sobre produção de biodiesel de girassol, “o atual preço do óleo de girassol é superior ao dos óleos de soja e de canola devido à demanda da indústria de alimentos. Esse adicional pode tornar o uso de óleo de girassol para produzir biodiesel proibitivo.”
A mudança de cenário é relativamente recente.
“Há quatro anos, os preços não estavam nem perto dos atuais”, diz Berman. “E o preço dos combustíveis não se manteve parelho, especialmente em relação ao dos óleos de girassol e açafroa (açafrão-bastardo). Podemos faturar praticamente o dobro vendendo esses óleos para alimentação.”
Especialistas da área dizem que a decisão é economicamente correta.
“Em geral, nos últimos dois ou três anos, os óleos vegetais saltaram de R$ 0,45 o quilo para mais de R$ 1,32*”, declara Jerry Kram, colaborador da BBI International, editora especializada em energias renovavéis.
“Os preços dos óleos alimentícios subiram devido a vários fatores”, diz Alan Weber, consultor do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB) dos Estados Unidos. “Mais milho foi plantado em 2007, a maior parte dele para produção de etanol, o que realocou o óleo de soja usado para alimentação.” Isso aumenta os preços da soja e outras culturas destinadas à produção de óleo alimentício.
Os estoques mundiais de óleo alimentício estão baixos, o que também contribui para o aumento, segundo Weber. E a queda do dólar está fazendo com que muitos países comprem mais commodities americanas, pressionando também os preços para cima.
A produção de biodiesel, geralmente a partir de óleos naturais como o da soja, é sensível ao preço dos óleos alimentícios de uma maneira diferente que o etanol, outro biocombustível que vem de matérias-primas como o milho e a cana-de-açúcar.
À medida que os preços dos óleos vegetais sobem e consegue-se mais dinheiro vendendo-os para alimentação, os produtores têm que buscar outras fontes de matéria-prima para seu produto.
“Estamos vendo os produtores de biodiesel partirem para outras matérias-primas (já que o preço do óleo de soja, entre outros, tem aumentado)”, declara Weber.
Berman concorda. Ele diz que a San Juan Bioenergy está se voltando para o uso de óleo de fritura usado e algas como matérias-primas potenciais para o setor de biodiesel da empresa.
Ele acrescenta que a usina de bioenergia vai começar suas operações com a venda de óleo de girassol para alimentação, com o setor de produção de biodiesel operando como uma usina piloto.
A empresa planeja produzir 4,75 milhões de litros de óleo vegetal anualmente e 950 mil litros de biodiesel neste primeiro ano.
Berman acredita que a produção de óleo de girassol vai iniciar até o fim do próximo verão (setembro, nos Estados Unidos), e espera começar a produção de biodiesel logo em seguida. Sua idéia é ampliar a escala de produção assim que a tecnologia para produção de biodiesel de outras fontes começar a ser utilizada.
“Estamos olhando para o biodiesel como um projeto piloto. E temos planos importantes para assegurar matérias-primas adicionais com potencial para produzir quantidades muito maiores de biodiesel no futuro", acrescenta.
Entretanto, a San Juan Bioenergy ainda não assegurou a compra do óleo de fritura usado e do óleo de canola que irá precisar para produzir biodiesel, e Berman não sabe quando isso ocorrerá.
“Eu não poso lhe dar uma data precisa (sobre quando saberemos)”, diz Berman. “Os mercados de matérias-primas e combustível estão oscilando demais.”
A usina precisaria obter equipamento adicional para produzir biodiesel a partir de óleo de fritura, já que esse tipo de óleo, assim como ocorre com as gorduras animais, precisa passar por uma etapa adicional de processamento antes de ser convertido em biodiesel.
* Valores convertidos considerando cotação do dólar a R$ 1,70
Stephanie Paige Ogburn
The Cortez Journal
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com