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Biodiesel de dendê é rejeitado por distribuidoras

Independentemente da qualidade do biodiesel, o produto derivado do dendê sofre resistência das distribuidoras no Norte e Nordeste.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Independentemente da qualidade do biodiesel, o produto derivado do dendê sofre resistência das distribuidoras nas regiões quentes do Norte e Nordeste do Brasil.

Poucas pessoas ligadas ao setor no Brasil já viram de perto um biodiesel feito 100% do óleo de dendê. A coloração do combustível, bem avermelhada devido à tonalidade do óleo bruto, se diferencia da grande maioria do biodiesel comercializado no país, produzido 95% a partir de óleo de soja e sebo bovino. Justamente por ser algo raro, o “biodiesel vermelho” está sendo alvo de preconceito pelas distribuidoras que atendem os Estados do Norte e Nordeste, segundo informou a usina Nubras (antiga DVH Chemical), primeira a fabricar B-100 com óleo de palma bruto no país. 

“Essa cor de biodiesel jamais havia sido vista até o momento, o que resultou em resistência por parte das distribuidoras, independentemente da qualidade do B100 atender às normas da ANP”, diz Rafael Braz, gerente de marketing e operações da Nubras. A usina está localizada no município de Tailândia (PA), distante 211 quilômetros da capital Belém, no coração do plantio de palma brasileiro. Por essa razão, a empresa consegue obter o óleo a preços competitivos. “Principalmente agora, no último trimestre do ano, quando a safra é iniciada e promete ter uma grande produção”, diz Braz.
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A usina tem autorização para produzir 12,6 milhões de litros por ano e para comercializar o biocombustível nos leilões da ANP. A usina iniciou sua produção em janeiro deste ano e teve o produto retirado por distribuidoras que atendem o Pará, Maranhão e Ceará. Mas tem tido dificuldade na entrega do volume comercializado no 14º Leilão por causa do preconceito com a cor do biodiesel. “As distribuidoras indicadas para retirar o produto se recusam a fazê-lo. Chegam até a nos informar que só retiram o B-100 se o mesmo estiver com a coloração amarela”, relata. A empresa alega que a produção estava dentro das especificações e que o biodiesel foi analisado pelo laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para dar continuidade à produção e tentar resolver esse impasse, a empresa entrou em contato com a Petrobras e a ANP no 15º Leilão de Biodiesel, realizado na última quinta-feira (27). Segundo Braz, eles se comprometeram a levar o assunto à Superintendência de Qualidade da agência reguladora para buscar uma solução.

Enquanto o impasse continuar, a Nubras terá que buscar o óleo de soja longe da usina, o que vai resultar em altos custos de frete. “O biodiesel feito de palma não pode ser deixado de fora do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), até porque uma das principais diretrizes do governo é produzir o biodiesel a partir de diferentes fontes oleaginosas e em regiões diversas, promovendo a inclusão social e o desenvolvimento regional”, ressalta.

B100 produzido a partir do óleo de palma bruto:
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Alice Duarte - BiodieselBR.com
Fotos: Divulgação Nubras Biodiesel
Tags Dende
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