Com a aposta do governo federal de incentivo à produção de biodiesel,
multiplicam-se no Estado as iniciativas gerando oportunidade de
negócios para empresas e produtores rurais.
Com a aposta do governo federal de incentivo à produção de biodiesel, multiplicam-se no Estado as iniciativas em gerar o biocombustível através das mais diversas fontes, inclusive gerando oportunidade de negócios para empresas e produtores rurais.
Em Capinzal, a indústria Fast iniciou suas atividades em agosto de 1995, com a produção de máquinas para frigoríficos, mas se dedicou também à fabricação de equipamentos para o tratamento de efluentes industriais, tratamento de água e separação de fases. Por isso, está desenvolvendo uma usina, ainda em fase de testes, para produção de biodiesel a partir de gordura animal ou vegetal, ou ainda a mistura das duas. Segundo o consultor da empresa, Pedro Benur Bohrer, a proposta da Fast é desenvolver em escala comercial uma usina capaz de aproveitar esta matéria-prima em abundância no Estado.
- O potencial de produção de biodiesel em Santa Catarina é grande, principalmente levando-se em consideração a produção de gordura animal proveniente dos abates de aves e suínos. Embora estas matérias-primas sejam atualmente utilizadas para a produção de rações, na medida em que mudarem os preços praticados para o diesel, certamente estas gorduras passarão a ser importantes fontes de matérias-primas para a produção desta nova alternativa de produção de energia, a partir de fontes renováveis, criando oportunidade de redução na emissão de gases que comprometem o meio ambiente - explica.
Segundo Bohrer, tendo em vista as características construtivas e o conceito tecnológico pelo qual a usina foi concebida, há grande oportunidade para a Fast captar clientes, pois a usina em desenvolvimento foi projetada para atuar em circuito fechado e contínuo de produção, não utilizará vapor para aquecer a mistura e nem água para a limpeza final do biodiesel, o que garante uma usina com concepção inovadora e preços competitivos.
- O volume de gordura que poderá ser aproveitado para produção de biodiesel poderá chegar a 100%, dependendo é claro do custo final do biodiesel quando comparado com o diesel, apesar de o biodiesel ser consideravelmente menos poluidor que o diesel - explica.
Bohrer ressalta, contudo, que não existem estatísticas disponíveis sobre qual o volume de gordura animal produzida no Estado. É preciso também levar em conta, segundo ele, que podem ser utilizados para produzir biodiesel os óleos vegetais, que assim como a gordura animal teriam sua utilização dependente do custo benefício entre suas atuais aplicações e sua transformação em biodiesel.
A idéia de investir na usina ocorreu em decorrência da indústria Fast se dedicar desde 1998 à produção de equipamentos e sistemas voltados à proteção ambiental, atenta às oportunidades de mercado.
- No início de 2007, em parceria com terceiros, decidiu participar desta nova atividade, desenvolvendo sua usina-piloto, que se encontra em fase final de testes, esperando em breve poder iniciar a produção em escala comercial - diz.
No Planalto Norte, em Monte Castelo, o terreno já está pronto e começa a instalação da usina para produção de biodiesel. Além do uso de girassol, a unidade vai trabalhar também com sebo animal. O óleo jogado fora por lanchonetes e restaurantes também poderá ser utilizado no processo. Pelo menos R$ 13 milhões devem ser investidos na usina, que terá capacidade de produzir 30 milhões de litros do combustível ao ano. Toda a produção será escoada de trem até as refinarias da Petrobras, em Araucária (PR).
De acordo com o governo do Estado, o grupo americano Contour Global pretende investir US$ 128 milhões no município de São Ludgero para aproveitamento de dejetos de frangos e, mais tarde, de suínos na geração de biodiesel.
Além do aspecto econômico, o projeto representa um avanço ambiental, pois dá uma destinação ecologicamente correta aos dejetos que são poluidores do meio ambiente, segundo o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), Luís Carlos Lunardi.
Na Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, a pesquisadora Martha Higarashi e o coordenador do projeto Paulo Abreu vêm desenvolvendo ainda em nível de laboratório a viabilidade da transformação da gordura animal em biocombustível. O potencial é grande já que no país são produzidos 2,5 milhões de toneladas por ano de gordura animal.
- A síntese do biodiesel depende da qualidade da gordura animal para atingir a qualidade exigida pela Agência Nacional de Petróleo para comercialização - explica.
A conversão é possível, já existem usinas em São Paulo com a utilização de sebo bovino. O uso de gorduras residuais de frangos, aves e suínos, no entanto, é no que a Embrapa está concentrando seus esforços.
- Precisamos detalhar volume e potencial, porque a gordura já tem destino, vira ração, sabão, produtos de limpeza e cosméticos. O nosso estudo pretende determinar se é economicamente viável transformar em energia, porque o valor do investimento para produção em escala industrial é muito alto e pode não compensar - diz Abreu.
Os pesquisadores esperam que no decorrer de 2008 os estudos já terão avançado para definição dos melhores métodos de conversão, grau de pureza e qualidade do biodiesel.
- Acho que o mais adequado será a utilização do biodiesel dentro da própria cadeia de produção, dando sustentabilidade ao setor - afirmam, lembrando que o projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de SC (Fapesc).
Segundo a Fundação, os recursos são provenientes do Ministério da Ciência e Tecnologia e da própria Fapesc, R$ 350 mil e R$ 100 mil. O projeto vai interligar todos os setores envolvidos na pesquisa e produção de biodiesel no Estado, através de visitas, contatos e um seminário estadual, com a criação de uma rede de pesquisadores, profissionais ligados ao setor agroindustrial e à indústria do biodiesel para estruturar laboratórios e apoiar as pesquisas.
Os focos são geração de biodiesel a partir de espécies vegetais, como girassol, nabo forrageiro, gorduras animais e o projeto que pretende estudar a transformação de óleos de frituras (caseiros, comerciais e industriais) em biodiesel.
Diário Catarinense - SC
Com a aposta do governo federal de incentivo à produção de biodiesel, multiplicam-se no Estado as iniciativas em gerar o biocombustível através das mais diversas fontes, inclusive gerando oportunidade de negócios para empresas e produtores rurais.
Em Capinzal, a indústria Fast iniciou suas atividades em agosto de 1995, com a produção de máquinas para frigoríficos, mas se dedicou também à fabricação de equipamentos para o tratamento de efluentes industriais, tratamento de água e separação de fases. Por isso, está desenvolvendo uma usina, ainda em fase de testes, para produção de biodiesel a partir de gordura animal ou vegetal, ou ainda a mistura das duas. Segundo o consultor da empresa, Pedro Benur Bohrer, a proposta da Fast é desenvolver em escala comercial uma usina capaz de aproveitar esta matéria-prima em abundância no Estado.
- O potencial de produção de biodiesel em Santa Catarina é grande, principalmente levando-se em consideração a produção de gordura animal proveniente dos abates de aves e suínos. Embora estas matérias-primas sejam atualmente utilizadas para a produção de rações, na medida em que mudarem os preços praticados para o diesel, certamente estas gorduras passarão a ser importantes fontes de matérias-primas para a produção desta nova alternativa de produção de energia, a partir de fontes renováveis, criando oportunidade de redução na emissão de gases que comprometem o meio ambiente - explica.
Segundo Bohrer, tendo em vista as características construtivas e o conceito tecnológico pelo qual a usina foi concebida, há grande oportunidade para a Fast captar clientes, pois a usina em desenvolvimento foi projetada para atuar em circuito fechado e contínuo de produção, não utilizará vapor para aquecer a mistura e nem água para a limpeza final do biodiesel, o que garante uma usina com concepção inovadora e preços competitivos.
- O volume de gordura que poderá ser aproveitado para produção de biodiesel poderá chegar a 100%, dependendo é claro do custo final do biodiesel quando comparado com o diesel, apesar de o biodiesel ser consideravelmente menos poluidor que o diesel - explica.
Bohrer ressalta, contudo, que não existem estatísticas disponíveis sobre qual o volume de gordura animal produzida no Estado. É preciso também levar em conta, segundo ele, que podem ser utilizados para produzir biodiesel os óleos vegetais, que assim como a gordura animal teriam sua utilização dependente do custo benefício entre suas atuais aplicações e sua transformação em biodiesel.
A idéia de investir na usina ocorreu em decorrência da indústria Fast se dedicar desde 1998 à produção de equipamentos e sistemas voltados à proteção ambiental, atenta às oportunidades de mercado.
- No início de 2007, em parceria com terceiros, decidiu participar desta nova atividade, desenvolvendo sua usina-piloto, que se encontra em fase final de testes, esperando em breve poder iniciar a produção em escala comercial - diz.
Iniciativas no Interior garantem investimento
Várias localidades do Estado de Santa Catarina apostam na produção de biodiesel. Em Dionísio Cerqueira está tudo pronto para instalação de usina, assim como em Monte Castelo e Campo Erê. Em São Ludgero, o projeto é um dos maiores investimentos privados do Sul do Estado.No Planalto Norte, em Monte Castelo, o terreno já está pronto e começa a instalação da usina para produção de biodiesel. Além do uso de girassol, a unidade vai trabalhar também com sebo animal. O óleo jogado fora por lanchonetes e restaurantes também poderá ser utilizado no processo. Pelo menos R$ 13 milhões devem ser investidos na usina, que terá capacidade de produzir 30 milhões de litros do combustível ao ano. Toda a produção será escoada de trem até as refinarias da Petrobras, em Araucária (PR).
De acordo com o governo do Estado, o grupo americano Contour Global pretende investir US$ 128 milhões no município de São Ludgero para aproveitamento de dejetos de frangos e, mais tarde, de suínos na geração de biodiesel.
Além do aspecto econômico, o projeto representa um avanço ambiental, pois dá uma destinação ecologicamente correta aos dejetos que são poluidores do meio ambiente, segundo o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), Luís Carlos Lunardi.
Utilização de oleoginosa ainda gera muita dúvida
Apesar de já existirem iniciativas em solo catarinense, mesmo que incipientes e experimentais, ainda existem dúvidas sobre a viabilidade econômica da produção de biocombustível a partir de oleaginosas. O projeto mais promissor é de usinas que aproveitem gorduras animais.Na Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, a pesquisadora Martha Higarashi e o coordenador do projeto Paulo Abreu vêm desenvolvendo ainda em nível de laboratório a viabilidade da transformação da gordura animal em biocombustível. O potencial é grande já que no país são produzidos 2,5 milhões de toneladas por ano de gordura animal.
- A síntese do biodiesel depende da qualidade da gordura animal para atingir a qualidade exigida pela Agência Nacional de Petróleo para comercialização - explica.
A conversão é possível, já existem usinas em São Paulo com a utilização de sebo bovino. O uso de gorduras residuais de frangos, aves e suínos, no entanto, é no que a Embrapa está concentrando seus esforços.
- Precisamos detalhar volume e potencial, porque a gordura já tem destino, vira ração, sabão, produtos de limpeza e cosméticos. O nosso estudo pretende determinar se é economicamente viável transformar em energia, porque o valor do investimento para produção em escala industrial é muito alto e pode não compensar - diz Abreu.
Os pesquisadores esperam que no decorrer de 2008 os estudos já terão avançado para definição dos melhores métodos de conversão, grau de pureza e qualidade do biodiesel.
- Acho que o mais adequado será a utilização do biodiesel dentro da própria cadeia de produção, dando sustentabilidade ao setor - afirmam, lembrando que o projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de SC (Fapesc).
Segundo a Fundação, os recursos são provenientes do Ministério da Ciência e Tecnologia e da própria Fapesc, R$ 350 mil e R$ 100 mil. O projeto vai interligar todos os setores envolvidos na pesquisa e produção de biodiesel no Estado, através de visitas, contatos e um seminário estadual, com a criação de uma rede de pesquisadores, profissionais ligados ao setor agroindustrial e à indústria do biodiesel para estruturar laboratórios e apoiar as pesquisas.
Os focos são geração de biodiesel a partir de espécies vegetais, como girassol, nabo forrageiro, gorduras animais e o projeto que pretende estudar a transformação de óleos de frituras (caseiros, comerciais e industriais) em biodiesel.
Diário Catarinense - SC
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