A lógica da determinação dos preços máximos dos leilões de biodiesel da
Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
continua a surpreender.
A lógica da determinação dos preços máximos dos leilões de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continua a surpreender. Depois de aumentar o preço no 18º leilão, quando a cotação da soja registrou recuo de 14,15%, a agência agora manteve o valor de R$ 2,32. A questão é que desde o último leilão a saca de soja registrou aumento de 18,93% no valor negociado segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).
O relatório de análise de mercado do Cepea referente a Julho aponta que a tendência para os próximos meses continua a ser de alta. Isso porque, “de modo geral, produtores no Brasil continuam limitando as ofertas do produto restante da safra para comercializar nos próximos meses, situação que valorizou o grão nos portos brasileiros em julho”.
Além disso o Brasil está em período de entressafra de soja, durante o qual a oferta do produto é naturalmente mais restrita. Os produtores também tem visto uma valorização do produto no mercado internacional, o que torna a exportação do grão mais atraente que o comércio interno. “ainda nos primeiros dez dias de julho, na CME/CBOT (Bolsa de Chicago), os preços voltaram a superar dez dólares por bushel, marca que não era vista desde a primeira quinzena de janeiro deste ano. Os prêmios de exportação também superaram 1 dólar por bushel, o que também não era observado para um primeiro embarque desde outubro de 2009”, destaca o Cepea.
Segundo a pesquisa, no mercado interno a demanda por derivados da soja, como o farelo e o óleo, é liderada pelo setor de alimentação animal e de biodiesel. O Cepea observou que o preço do óleo também foi pressionado pelo aumento da demanda na Argentina, que anunciou o uso de B10 até o fim do ano, “Em julho, o óleo de soja no mercado doméstico (posto em SP capital) teve alta de 6,5%, passando a registrar variação positiva de 2,2% no acumulado de 2010 – o derivado foi cotado a R$ 1.818,43/t no dia 30 de julho. Da mesma forma que o farelo, este foi o terceiro mês de médias mensais em alta, com o valor de julho ficando inclusive maior que o de jul/09”, avalia o Centro.
A manutenção do preço máximo em R$ 2,32 para o biodiesel vai contra inclusive informações fornecidas pela própria agência. Questionada pela reportagem da BiodieselBR sobre a fórmula para cálculo do preço máximo dos leilões de biodiesel, o órgão informou que “leva em consideração, resumidamente, as cotações de mercado das matérias-primas, acrescidas dos custos médios de produção internos do biocombustível e dos respectivos tributos incidentes”. A ANP informou ainda que “as estimativas de preços de matérias-primas para o período referente ao leilão são feitas com base nas cotações definidas nos mercados de derivativos, mais especificamente, nos contratos futuros negociados nas principais bolsas de mercadorias e futuros”.
A BiodieselBR apurou que o preço do óleo de soja pode representar mais de 80% do valor global do biodiesel. Isso significa que qualquer variação na cotação dessa matéria-prima teria impacto significativo no preço. No entanto, apesar disso, nos últimos leilões o que se vê é um preço estipulado descolado da cotação da soja e inconsistente com preços definidos anteriormente pela própria agência.
Em virtude do crescimento da capacidade produtiva e a demanda fixa no B5, o preço máximo perdeu importância no 19º leilão, uma vez que a tendência é de uma disputa maior pelos itens. Mas com a perspectiva de novos incrementos no percentual de mistura, o preço definido pela ANP voltará a desempenhar papel central nos pregões futuros.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
A lógica da determinação dos preços máximos dos leilões de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continua a surpreender. Depois de aumentar o preço no 18º leilão, quando a cotação da soja registrou recuo de 14,15%, a agência agora manteve o valor de R$ 2,32. A questão é que desde o último leilão a saca de soja registrou aumento de 18,93% no valor negociado segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).
O relatório de análise de mercado do Cepea referente a Julho aponta que a tendência para os próximos meses continua a ser de alta. Isso porque, “de modo geral, produtores no Brasil continuam limitando as ofertas do produto restante da safra para comercializar nos próximos meses, situação que valorizou o grão nos portos brasileiros em julho”.
Além disso o Brasil está em período de entressafra de soja, durante o qual a oferta do produto é naturalmente mais restrita. Os produtores também tem visto uma valorização do produto no mercado internacional, o que torna a exportação do grão mais atraente que o comércio interno. “ainda nos primeiros dez dias de julho, na CME/CBOT (Bolsa de Chicago), os preços voltaram a superar dez dólares por bushel, marca que não era vista desde a primeira quinzena de janeiro deste ano. Os prêmios de exportação também superaram 1 dólar por bushel, o que também não era observado para um primeiro embarque desde outubro de 2009”, destaca o Cepea.
Segundo a pesquisa, no mercado interno a demanda por derivados da soja, como o farelo e o óleo, é liderada pelo setor de alimentação animal e de biodiesel. O Cepea observou que o preço do óleo também foi pressionado pelo aumento da demanda na Argentina, que anunciou o uso de B10 até o fim do ano, “Em julho, o óleo de soja no mercado doméstico (posto em SP capital) teve alta de 6,5%, passando a registrar variação positiva de 2,2% no acumulado de 2010 – o derivado foi cotado a R$ 1.818,43/t no dia 30 de julho. Da mesma forma que o farelo, este foi o terceiro mês de médias mensais em alta, com o valor de julho ficando inclusive maior que o de jul/09”, avalia o Centro.
A manutenção do preço máximo em R$ 2,32 para o biodiesel vai contra inclusive informações fornecidas pela própria agência. Questionada pela reportagem da BiodieselBR sobre a fórmula para cálculo do preço máximo dos leilões de biodiesel, o órgão informou que “leva em consideração, resumidamente, as cotações de mercado das matérias-primas, acrescidas dos custos médios de produção internos do biocombustível e dos respectivos tributos incidentes”. A ANP informou ainda que “as estimativas de preços de matérias-primas para o período referente ao leilão são feitas com base nas cotações definidas nos mercados de derivativos, mais especificamente, nos contratos futuros negociados nas principais bolsas de mercadorias e futuros”.
A BiodieselBR apurou que o preço do óleo de soja pode representar mais de 80% do valor global do biodiesel. Isso significa que qualquer variação na cotação dessa matéria-prima teria impacto significativo no preço. No entanto, apesar disso, nos últimos leilões o que se vê é um preço estipulado descolado da cotação da soja e inconsistente com preços definidos anteriormente pela própria agência.
Em virtude do crescimento da capacidade produtiva e a demanda fixa no B5, o preço máximo perdeu importância no 19º leilão, uma vez que a tendência é de uma disputa maior pelos itens. Mas com a perspectiva de novos incrementos no percentual de mistura, o preço definido pela ANP voltará a desempenhar papel central nos pregões futuros.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com