BiodieselBR

Flutuação Populacional De Fitopatógenos Na Mamona E Girassol Na Região Norte Fluminense

Foram adotados os espaçamentos e densidades de semeadura recomendados, e a adubação foi baseada em análise de solo. A flutuação populacional dos fitopatógenos foi estabelecida por monitoramento ou amostragens periódicas, durante o estabelecimento das culturas.
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RESUMO

Este trabalho foi conduzido em Campos dos Goytacazes, região Norte Fluminense, em condição de campo, para acompanhamento da flutuação populacional de insetos mastigadores e minadores, além da ocorrência de fungos, durante o ciclo das culturas da mamona (IAC 80 e Al Guarany) e do girassol (Embrapa 122 – V2000 e Catissol). Foram adotados os espaçamentos e densidades de semeadura recomendados, e a adubação foi baseada em análise de solo. A flutuação populacional dos fitopatógenos foi estabelecida por monitoramento ou amostragens periódicas, durante o estabelecimento das culturas. Observou-se que os insetos mastigadores se constituem em provável problema, elevando sua freqüência populacional em função do crescimento foliar, mas caracterizados pela descontinuidade.

Palavras-chave: Insetos mastigadores, insetos minadores, fungos, Estado do Rio de Janeiro.

Luiz de Morais Rego Filho1

Luiz Antônio Antunes de Oliveira2
Wander Eustáquio de Bastos Andrade3.

1 Engenheiro Agrônomo, DSc, Pesquisador da Pesagro-Rio, Estação Experimental de Campos. Avenida Francisco Lamego, 134, Bairro Guarús. 28100-000, Campos dos Goytacazes, RJ;
2 Engenheiro Agrônomo, MSc, Pesquisador da Pesagro-Rio, Coordenadoria de Pesquisa, sede da Pesagro-Rio. Alameda São Boaventura, 770. Bairro Fonseca. 24120-191, Niterói, RJ;
3 Engenheiro Agrônomo, Pós Doutor., Pesquisador da Pesagro-Rio, Estação Experimental de Campos.

INTRODUÇÃO

Biodiesel é definido como sendo ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de qualquer óleo vegetal ou gordura animal. A Agência Nacional do Petróleo – ANP lançou, no começo do ano de 2003, uma proposta de especificação do Biodiesel puro para ser utilizado misturado a até 20%. Tal proposta foi baseada nas normas européias (DIN 14214) e americanas (ASTM D-6751).

Misturar óleo diesel mineral com biodiesel tem se mostrada eficiente ferramenta na melhoria da qualidade das emissões de gases resultantes quanto à redução dos níveis de enxofre, contribuindo para a qualidade de vida dos grandes centros urbanos. No caso do Estado do Rio de Janeiro essa vantagem vem se aliar à melhoria da qualidade de vida no campo, através da melhor distribuição de renda e do aumento da oferta de empregos.

A complementação e/ou substituição parcial de combustíveis fósseis pelo processamento de produtos agrícolas inicia-se no campo com a semeadura, tratos culturais e colheita de espécies vegetais, entre elas as oleaginosas, que possibilitam a produção tecnológica do biodiesel.

A agricultura do Estado do Rio de Janeiro é considerada pouco importante por representar 1% de seu PIB – o que é um grande equívoco, levando-se em conta os fatores compreendidos durante toda a cadeia produtiva. Inclui-se aí a escolha e limpeza do produto, o preparo para comercialização, a embalagem, o transporte, a industrialização e a comercialização propriamente dita, que compõem, junto com a fase agrícola, o chamado agronegócio, que representa cerca de 16% do PIB do Estado.

Deve-se ressaltar, ainda, que o setor é o que gera mais empregos por unidade monetária aplicada, reduzindo o problema habitacional das grandes cidades e possibilitando o seu abastecimento, além de proporcionar o desenvolvimento dos municípios do interior. Assim, deduz-se que qualquer esforço bem coordenado para incentivar o agronegócio no Estado será compensador. A produção de biodiesel é uma atividade positiva, que poderá proporcionar outras possibilidades de geração de emprego e renda associados aos conceitos de desenvolvimento local e territorial.

Considerando-se que o girassol (Domingos et al., 2004) e a mamona (Alves, Sobrinho e Carvalho, 2004) são considerados como matéria-prima para a produção do biodiesel, procurou-se avaliar estas culturas nas condições edafoclimáticas da região Norte Fluminense, procurando subsidiar futuros programas, partindo-se já do interesse do governo do Estado do Rio de Janeiro.

MATERIAL E MÉTODOS

Este ensaio foi instalado em Campos dos Goytacazes (região Norte Fluminense), em 22 de novembro de 2003, em solo classificado como neossolo flúvico Tb, baixa saturação de base, típico por possuir textura indiscriminada. São de bem a perfeitamente drenados (Embrapa, 1999).

Para o girassol foram utilizados as cultivares Catissol 1 e Embrapa 122-V2000 e, para a mamona, as cultivares Al Guarany e IAC 80.

A cultivar de girassol ‘Catissol 1’ foi semeada em 5.300 m2, sendo adotado o espaçamento de 90 cm entre fileiras, com densidade inicial de 10 sementes por metro linear de sulco. Quinze dias após a germinação foi realizado o desbaste para oito a nove plantas por metro linear de sulco. A profundidade de semeadura foi de 4-5 cm, e a adubação utilizada foi a de 200 kg da fórmula 04-14-08 por hectare em fundação, e 200 kg de N ha-1 em cobertura. A cultivar de girassol ‘Embrapa 122-V2000’ foi semeada em 6.420 m2, sendo adotado o mesmo espaçamento, densidade, desbaste, adubação e profundidade de semeadura anteriormente citadas.

Para a mamoneira ‘Al Guarany 2002’ utilizou-se uma área de 9.000 m2, adotando-se o espaçamento de 1,50 metro entre linhas e um metro entre plantas, com densidade inicial de três plantas por cova. Vinte dias após a germinação foi realizado o desbaste para uma planta por cova. A profundidade de semeadura foi de 5 cm, e a adubação utilizada a mesma citada para o girassol. Para a cultivar IAC 80 utilizou-se uma área de 6.970 m2 e adotou-se o espaçamento de três metros entre linhas e um metro entre plantas, com densidade inicial de três plantas por cova. O desbaste, a profundidade de semeadura e a adubação foram a mesma citada anteriormente.

Procurando-se observar o comportamento das cultivares em análise nas condições da região Norte Fluminense, determinou-se por ocasião de seu desenvolvimento a ocorrência de pragas (mastigadores e minadores) e de fungos.

A verificação da ocorrência de pragas e doenças nas culturas do girassol e da mamona decorreu da aplicação de uma proposta de monitoramento, a qual insere-se num contexto maior, conforme pode ser verificado na literatura concernente ao assunto, destacando-se, porém, os trabalhos de Cassino et al (1983). Estes autores aprofundaram aos conceitos originais do monitoramento e do manejo integrado para uma proposta de caráter mais holístico, consubstanciada no que se denomina manejo agronômico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nas Figuras de 1 e 2 encontram-se as flutuações populacionais dos principais fitoparasitos nas culturas pesquisadas.
Pelos dados das Figuras 1 (Girassol), verifica-se que as populações dos principais fitoparasitos foram semelhantes com maior ocorrência de insetos mastigadores seguidos dos insetos minadores e dos fungos. Em termos percentuais, o ataque dos insetos mastigadores foi bem intenso no período inicial de cultivo (40 dias) na cultivar Embrapa 122 - V2000 do que na Catissol, ocorrendo o inverso em relação aos insetos minadores.

Independentemente da cultivar, ainda pelas Figuras 1, picos de presença dos insetos mastigadores ocorreram em torno de 58 a 60 dias, o que pode estar relacionado a uma maior presença de folhas. Os insetos minadores também apresentaram comportamento semelhante, mas com menor flutuação populacional. Maiores flutuações populacionais para fungos ocorreram no período de 68 a 75 dias, decrescendo a partir daí.
Catissol Embrapa
Figura 1 – Flutuação populacional dos principais fitoparasitos na cultura do Girassol cultivar “Catissol 1” e “Embrapa 122-V2000”, representada pelo percentual de folhas com sintomas de ataque. Campos dos Goytacazes – RJ. 2004.

Quanto à mamona (Figuras 2), o comportamento populacional dos principais fitoparasitos também foi semelhante nas cultivares IAC 80 e Al Guarany. O maior problema na fase inicial de desenvolvimento (40 dias) parece ser os insetos minadores com maiores percentuais de ocorrência.
A exemplo do comentário do Girassol, os insetos mastigadores se constituem em provável problema, elevando sua freqüência populacional em função do crescimento foliar, mas caracterizados pela descontinuidade. Os insetos minadores, excetuando-se sua maior presença inicial, tiveram baixos percentuais de freqüência e, quanto aos fungos, a partir dos 79 aos 86 dias há tendência de elevação de freqüência populacional.

É importante frisar que mesmo um índice de 40% de folha afetada por um inseto mastigador não implica dizer que a mesma esteja totalmente comprometida na sua área fotossintéticamente ativa.
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Figura 2 – Flutuação populacional dos principais fitoparasitos na cultura da mamona cultivar “IAC 80” e “Al guarany”, representada pelo percentual de folhas com sintomas de ataque. Campos dos Goytacazes – RJ. 2004.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, M.O.; SOBRINHO, J.N.; CARVALHO, J.M.M. de. Possibilidades da mamona como fonte de matéria-prima para a produção de biodiesel no Nordeste Brasileiro. Fortaleza : Banco do Nordeste do Brasil S.A., 2004. 41p. (Série Documentos do ETENE. Nº 01).

CASSINO, P.C.R., GUAJARÁ, M. da S., ALVES, R.C.P. 1983. Monitoramento, estratégia básica utilizada no manejo integrado de fitoparasitos de Citrus spp. In: REUNIÃO ANUAL DA S.B.P.C., 35., São Paulo. Anais ... São Paulo SBPC, 1983, v. 35, p. 7.

DOMINGOS, A.K.; KUCEK, K.T.; WILHELM, H.M.; RAMOS, L.P. Óleo bruto de girassol como matéria-prima à produção de biodiesel. In: 1º CONGRESSO BRASILEIRO, 1º ENCONTRO TÉCNICO, 1ª EXPOSIÇÃO DINÂMICA. PLANTAS OLEAGINOSAS - ÓLEOS VEGETAIS – Biodiesel. Varginha : Minas Gerais, 2004. CD-ROM.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produção de informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos. 1999.

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