Padrão do biodiesel em fase final de discussão
- Quinta - 16 Fev 2012
- . Valor Econômico
"Concordamos com a proposta de avançar em novas especificações, mas achamos o padrão exigido muito rígido", afirmou ao Valor o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, que apresentou as reivindicações do setor ao presidente da ANP, Helder Queiroz, em reunião realizada em janeiro.
Fundamentalmente, a Aprobio discorda dos níveis de umidade e temperatura propostos pela agência reguladora, afirmou Battistella. No caso do primeiro, a ANP pretende reduzir a concentração de água no biodiesel dos atuais 500 ppm (partes por bilhão) para 200 ppm. "Nós conseguimos produzir nesse patamar, mas é impossível manter esse teor de água ao longo da cadeia", argumentou ele.
O biodiesel, explicou o presidente de Aprobio, é um combustível higroscópico, que absorve a umidade do ar. "No momento que você faz o transporte do produto, ele pode absorver um pouco de água", justificou o dirigente. Diante disso, a associação sugeriu um nível intermediário de 350 ppm, o que "já colocaria o Brasil como o biodiesel com menor teor de água do mundo", disse Battistella.
BiodieselBR transmite ao vivo a audiência pública direto da sede da ANP no RJ:
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A Aprobio também considerou o novo padrão de temperatura do combustível "demasiadamente baixo". "As temperaturas colocadas pela ANP inviabilizaram o uso de gordura animal na mistura do biodiesel", afirmou o representante. Segundo ele, a atual resolução trabalha com um ponto de entupimento (congelamento) de 19º Celsius. No novo padrão, que contém uma tabela de temperatura que varia de acordo com a região e o período do ano, pode chegar a 0º Celsius.
"Se a regra for levada ao pé da letra, a região Sul não utilizaria mais gordura animal durante todo o período do inverno e parte de outono, aumentando os custos do produtores", disse Battistella, explicando que a gordura animal (sebo bovino) - matéria-prima usada em 15% da produção total do biodiesel -, tem preços entre 10% e 12% mais baixos do que o óleo de soja, insumo responsável pela maior parte da produção do combustível. "A Europa trabalha com temperaturas superiores até no verão", disse.
Apesar da críticas, Battistella se disse favorável à proposta de uma tabela de temperatura variável. "Mas sugerimos que ela fique em torno de 20% acima do proposto pela ANP", revelou.
Além das discussões sobre o padrão de qualidade, a Aprobio trabalha junto à Frente Parlamentar em Defesa do Biodiesel na criação de um novo marco regulatório para o segmento, que elevaria a participação do biodiesel no diesel comum dos atuais 5% para 10% em 2014 e para 20% até 2020.
Ontem, o presidente da frente parlamentar, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), foi informado por técnicos da Casa Civil que o novo marco regulatório será enviado ao Congresso Nacional no início de março.
Luiz Henrique Mendes
Colaborou Tarso Veloso
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