Plantio da mamona ganha impulso e produção tem a venda garantida
O Estado da Paraíba está a um passo de retomar as atividades de plantio e comercialização da mamona. A garantia foi dada por pesquisadores, representantes de trabalhadores rurais e pela diretoria da Bioteo, empresa que, no próximo ano, implantará em Campina Grande uma refinaria de biodiesel e que já garantiu para este ano a compra de toda a produção, que será de, aproximadamente, 2,5 mil toneladas de sementes. Cada quilo de semente será adquirido ao preço de 70 centavos. Para o ano que vem, a empresa assegurou a compra de, no mínimo, 50 mil toneladas da semente para dar início à operacionalização. Para 2007, a meta é comprar o plantio de 130 mil hectares de mamona.
Segundo o pesquisador da Embrapa de Campina Grande, Napoleão Beltrão, a garantia de comercialização da mamona rompe um dos principais entraves no setor de produção. “É que, para plantar a mamona, o agricultor precisa ter certeza da comercialização. Agora haverá tudo para dar certo”, declarou. A segurança nas declarações de Beltrão está associada às excelentes condições do Estado, onde, conforme estimativas da Embrapa, existe uma área com aproximadamente 300 mil hectares em condições de efetuar, com rentabilidade, o plantio da mamona de sequeiro. São pelo menos 52 municípios zoneados, ou seja, em condições adequadas para plantio da mamona, cooperativas sendo organizadas e agricultores que fizeram a opção pela troca de suas culturas.
“Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostram que a Paraíba ocupa o segundo lugar entre as 20 localidades brasileiras mais propícias à instalação das usinas de biodiesel. Isso se deve à proximidade do porto, existência de uma unidade da Embrapa e de um centro de excelência em pesquisas, além dos municípios zoneados. Estudos indicam que uma área entre 5 e 8 hectares pode garantir ao produtor renda de até 3,5 mil dólares por ano”, falou Beltrão. Em número de municípios zoneados, o Estado perde apenas para Bahia e Ceará.
O interesse na mamona tem explicação: é por conta da autorização do governo federal para comercialização do biodiesel, combustível feito à base de oleaginosas, como a mamona. A partir do próximo ano, o bio-diesel será adicionado no per-centual de 2% ao diesel de petróleo para uso em veículos automotores. A mistura se chamará B2. As duas variações da ma-mona cultivadas no Estado da Paraíba são: nordestina e paraguaçu.
Geração de até 65 mil empregos diretos
Entre os 52 municípios zoneados no Estado, está Pocinhos, onde fica a sede da Copaíba – Cooperativa Agroin-dustrial do Compartimento da Borborema Ltda. De acordo com o presidente, Ricardo Albuquer-que, o Estado já dispõe de compradores com interesse em adquirir o que for plantado em até 130 mil hectares. “Isso poderá gerar até 65 mil empregos diretos no campo. Só para os 50 mil hectares de mamona que deverão ser comercializados e plantados no próximo ano, a previsão é de que sejam criados cerca de 25 mil empregos no campo”, ressaltou.
De acordo com Ricardo Albuquerque, o interesse cresceu ao ponto de agricultores optarem pela troca de culturas anteriores pela mamona, que deverá ser plantada em sistema de consórcio com o feijão. Hoje existem no máximo 3 mil hectares plantados com a mamona na Paraíba. Há plantios no Cariri, Curimataú e Vale do Piancó, este último com 486 hectares plantados. Em Cajazeiras estão mais 120 hectares, Monteiro e São João do Tigre com 160 hectares cada um e Teixeira com 140 hectares. A média é de 3 até 4 hectares plantados por produtor. No entanto, alguns possuem até 110 hectares destinados ao plantio.
No Sertão da Paraíba, o plantio será iniciado entre o final do próximo mês e início de dezembro. No Compartimento da Borborema, o plantio acontecerá do final de fevereiro do ano que vem até o início do mês de abril. No Agreste, no trecho que compreende desde Campina Grande até João Pessoa, o plantio será nos meses de abril e maio.
Em todas as regiões do Estado, os primeiros cachos da mamona poderão ser colhidos no prazo de 120 dias após o plantio. Partindo da primeira safra, as próximas colheitas ocorrem a cada 15 ou 20 dias. “Há garantia de colheita da mamona durante o ano inteiro”, frisou Albuquerque. Ele adiantou que o Programa da Mamona é o que permite a maior inclusão social para toda região do Semi-Árido nordestino. (ACP)
Refinaria de biodiesel será em Campina
Instalada há pouco mais de um mês em Campina Grande, a Bioteo deverá, em janeiro de 2006, dar início à construção de uma refinaria de biodiesel, num investimento estimado em R$ 22 milhões. A conclusão da obra es-tá prevista para setembro do mesmo ano. Com a refinaria de-verão ser gerados 454 empregos diretos, além de outros 18 mil empregos no campo, conforme informou o secretário Executivo de Agricultura, Tarcísio Marcelo.
“A usina terá capacidade de produzir até 40 milhões de litros de biodiesel por ano, sendo que, já no seu primeiro ano de funcionamento, serão produzidos 15 milhões de litros do produto”, declarou. Segundo Marcelo, a pro-dução paraibana poderá suprir 10% das necessidades para o Nordeste, que é de 400 milhões de litros do biodiesel, e 4% do País, que é de 1 bilhão de litros.
O diretor de campo da Bioteo, Roberto Leite Kropiwiec, assegurou que, neste ano, a empresa irá comprar toda pro-dução da mamona do Estado. O mesmo será feito no ano que vem, quando a Bioteo terá de adquirir no mínimo 50 mil tone-ladas da semente de mamona para dar início à sua produção. “Essa é nossa previsão, mas o ideal seria adquirir em 2006 até 80 mil toneladas”, declarou. Além da compra, a Bioteo está incentivando o plantio e colheita do produto, indo até o campo fortalecer parcerias com agricultores e cooperativas.


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