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Energia geotérmica ganha popularidade nos Estados Unidos

Russ Root fez uma mudança eficiente no ano retrasado - mudou-se para uma nova casa que construiu em Goshen, em Connecticut. Embora a nova moradia seja consideravelmente maior do que a sua casa antiga, em Chenango Forks, Estado de Nova York, o custo para refrigerá-la e aquecê-la será bem menor. Isto porque ele colocou em prática um plano no qual vinha pensando desde que construiu a sua última casa, 15 anos atrás: Root instalou na nova casa um sistema geotérmico, em vez de uma caldeira a óleo combustível.

Agora todo o calor para aquecer a sua casa vem do subsolo. O calor é bombeado para cima, por meio de água quente, através de tubulações de plástico que circulam no seu quintal, a dois metros de profundidade - onde a temperatura é de aproximadamente 7,2ºC -, e distribuído por um circulador, através dos ductos da casa, à medida que o ar é aquecido até uma temperatura de cerca de 35ºC.

O preço pago por Root pela bomba geotérmica, pelo encanamento subterrâneo e pelos ductos da casa foi de pouco mais de US$ 21,5 mil. Embora um sistema geotérmico, incluindo a mão-de-obra, geralmente custe mais do que um sistema de aquecimento e ar-condicionado, o preço para Root foi praticamente o mesmo, já que a despesa extra com a escavação do terreno e a instalação do encanamento - US$ 1.500 neste caso - foi mais do que compensada por um desconto de US$ 2.000 dado pela empresa de energia Connecticut Light and Power.

"Já me mudei para a casa nova com um saldo positivo", vangloria-se Root, que é funcionário da empresa de energia, mas que foi tratado por esta como qualquer outro cliente.

A água circula pela bomba geotérmica, passando por serpentinas cheias da substância refrigerante, que absorve o calor. A seguir a temperatura do refrigerante é elevada, sob pressão, por um compressor. No verão, o método é revertido. A sua casa é resfriada por meio da canalização do ar quente para fora da residência - em um processo similar à operação de uma geladeira, um eletrodoméstico semelhante à bomba do sistema, instalada no porão da casa.

O sistema é silencioso, limpo e inodoro, e usa pouca eletricidade. A manutenção consiste na limpeza de um filtro em intervalos de alguns meses. Os encanamentos contam com uma garantia de 50 anos. Praticamente não há partes móveis no sistema, com exceção da bomba. Após ter morado durante mais de um ano em uma casa de 270 metros quadrados, uma área que corresponde a um terço daquela da sua nova residência, Root está gastando cerca de 20% menos com energia. Na casa anterior esse gasto era de US$ 2.700 anuais.

E é provável que ele conte com benefícios extras quando vender a casa. Um estudo de 1998, encomendado pela Agência de Proteção Ambiental, revelou que o valor de uma casa aumenta em média US$ 20 para cada decréscimo de um dólar na conta anual de energia.

Embora a idéia do aproveitamento do calor da terra seja muito antiga, e apesar de a tecnologia básica já existir há décadas, as várias vantagens da geotermia só recentemente atraíram uma atenção mais generalizada. Os principais motivos são a preocupação com o meio-ambiente e, acima de tudo, o dinheiro economizado. Os sistemas geotérmicos estão ficando cada vez mais competitivos, até mesmo em se tratando de casas nas quais os velhos sistemas de aquecimento e ar refrigerado precisam primeiro ser removidos.

Após uma década durante a qual as instalações aumentaram 20% ao ano, um milhão de residências norte-americanas - tanto velhas quanto novas - contam atualmente com bombas de aquecimento geotérmico, afirma Jessica Commins, porta-voz do Consórcio de Bombeamento de Calor Geotérmico. E o número crescente de celebridades que utilizam os sistemas geotérmicos em suas casas - como o astro da música country Toby Keith; o co-fundador da Home Depot, Arthur Blank; o ator Ed Begley Jr. e o presidente Bush - ajuda a fazer propaganda da tecnologia.

No verão passado uma legislação do setor de energia aumentou o apoio financeiro a esses sistemas. A legislação prevê a concessão de US$ 300 em incentivos fiscais federais aos usuários da energia geotérmica, e inclui uma medida que permite um incentivo federal de US$ 2.000 para melhorias domésticas que reduzam os custos energéticos em mais de 50%. Os sistemas geotérmicos podem reduzir de 30% a 75% os custos para aquecimento e refrigeração, de forma que muitas instalações estão qualificadas para os programas governamentais de benefícios.

Mas o principal motivador é o preço do combustível fóssil.

Com o Departamento de Energia prevendo grandes aumentos nos custos do óleo combustível e do gás natural para aquecimento doméstico neste inverno - 27% para o óleo e 41% para o gás -, o número de instalações de bombas geotérmicas dobrou nos últimos três meses, conta Commins.

"Agora, os custos iniciais estão ao alcance do consumidor", afirma Roy Mink, diretor do programa de geotermia do Departamento de Energia. "Ao mesmo tempo, existe mais concorrência no setor, e isso está fazendo com que o preço da instalação diminua em 10%."

O período para que a economia com o sistema cubra o preço da instalação depende de uma série de fatores, incluindo o tipo de sistema, o instalador, além da localização e o tamanho da casa. Geralmente, demora de três a dez anos até que a economia com o combustível pague o preço da instalação das tubulações no subsolo. No que se refere ao interior das residências, o preço dos sistemas tradicionais e geotérmicos é praticamente o mesmo. É claro que quanto maior for a necessidade de aquecimento e refrigeração, e o preço do combustível fóssil, mais rápido o sistema se pagará. Uma casa de 230 metros quadrados na cidade de Nova York, dotada de um sistema tradicional de aquecimento e ar-condicionado central, custa US$ 3,200 por ano, em média, para fornecer aquecimento, refrigeração e água quente, contra os US$ 1.800 de um sistema geotérmico. Já em Los Angeles, esses valores são, respectivamente, US$ 1.600 e US$ 800.

Os instaladores geralmente adotam uma marca de bomba geotérmica para conseguir melhores preços do fabricante, de maneira que a instalação e a bomba tendem a ser fornecidos na forma de um pacote. O padrão exigido dos instaladores é um certificado da Associação Internacional de Bombeamento de Fontes de Calor Subterrâneas. As melhores bombas trazem um selo de qualidade Energy Star. Entre as marcas que conseguiram esta classificação estão a WaterFurnace, a Climate Master, a Trane, a HydroDelta, a McQuay e a Econar.

"A WaterFurnace é o Cadillac do setor", explica Steve Brown, um dos proprietários da Carl Franklin Homes, em Dallas, uma construtora de casas com sistemas geotérmicos. "Mas existem muitas bombas boas, e a qualidade da bomba é mais importante do que quem instala o sistema. É necessário sondar o mercado para que se descubra o melhor negócio."

Os instaladores geralmente recomendam três tipos de sistemas: os horizontais, os verticais abertos e os verticais curvos fechados. Um sistema curvo horizontal, geralmente uma instalação em forma de "E", que requer uma área de cerca de 2.000 metros quadrados, é recomendada para os proprietários que contam com espaço, como no caso de Root. Este é, geralmente, o sistema mais barato, e o custo cai ainda mais se ele fizer parte da nova construção, já que a instalação pode ser combinada à fundação da casa.

O custo dos sistemas curvos varia bastante, de cerca de US$ 1.000 para um sistema curvo horizontal que atenda a uma casa modesta no Oeste do país, onde os sistemas geotérmicos são mais comuns, e os donos de residências contam com mais opções, até mais de US$ 50 mil para um sistema curvo vertical fechado instalado em uma mansão construída em uma base rochosa na Nova Inglaterra.

O sistema curvo vertical, geralmente composto de dois ou mais subsistemas conectados, que chegam a mais de 65 metros de profundidade, é a escolha urbana. Ele exige menos área horizontal, mas costuma custar mais devido aos gastos com perfuração.

Há também os sistemas verticais abertos, que são perfurados de forma semelhante aos poços artesianos, que podem ser usados quando existe acesso a um aqüífero. Este sistema pode ter dupla finalidade em áreas rurais, fornecendo água potável às residências.

Steve Toma conta com um sistema aberto na sua nova casa de 650 metros quadrados em Mendham, Nova Jersey, que aproveita uma fonte de água potável a 420 metros de profundidade. Devido à profundidade incomum, a perfuração foi cara. Ele também possui equipamentos extras, como um módulo de filtragem e uma grade irradiadora de calor, que aumentaram os custos significativamente. O seu sistema custou mais de US$ 130 mil, ou cerca de 30% a mais do que uma instalação tradicional equivalente movida a óleo combustível ou gás natural. Ele espera que a economia proporcionada pelo sistema pague o custo da instalação em cerca de oito anos.

"Trata-se de um grande investimento, mas existe o aspecto ambiental", disse ele. "Não dá para quantificar em dólares este aspecto ecológico."

Para um número relativamente pequeno de donos de casas, os mais sortudos, existe uma opção que traz vantagens financeiras e ambientais. É o sistema de lago, para casas próximas a uma massa d'água que, durante o ano todo, esteja acessível em uma profundidade máxima de 2,5 metros. Não há custos com escavações ou perfurações, somente o da instalação das tubulações em forma de serpentina e do trabalho de colocá-la no fundo o lago.

"Este caso é geralmente o mais barato", diz Kirk Bellanca, co-proprietário da Enviro-Tech, empresa de instalação de sistemas geotérmicos de Staatsburg, no Estado de Nova York. "É necessária uma permissão da prefeitura, mas eles quase sempre apóiam o projeto. Os peixes também gostam. O sistema se torna parte do seu habitat".

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