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Transbordo de biocombustível dobra em Roterdã

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terça, 25 novembro 2008 . GUIA MARITIMO   
Revista BiodieselBR
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O transbordo de biocombustíveis no porto de Roterdã mais de dobrou no primeiro semestre, saindo de 1 milhão de toneladas para 2,5 milhões de toneladas. A proporção de etanol e biodiesel foi de 50 % a 50 %.

Os produtos foram produzidos no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente. Uma parte das importações foi utilizada no próprio porto, outra, transbordada para embarcações menores e enviadas à Inglaterra e países da Escandinávia.

A movimentação de biodiesel, particularmente, registrou um alto crescimento: quase triplicou de 430 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas, tendência que deve se repetir no segundo semestre.

Revista BiodieselBR
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Nelson C.C.P. Furtado :

A água o biodiesel e o álcool
Amigos do Biodiesel,

Como o Brasil está exportando tanto para a Europa se lá há restrições quanto ao índice de iodo da soja? Alteraram o índice?

Mas o caso não é esse, vamos atentar para o seguinte:

Não estamos atendendo o mercado interno de consumo de Biodiesel, e necessitamos, com os 3%, de aproximadamente, 1 bilhão e 200 milhões de litros/ano e estamos aquém deste valor. Sabemos também que é mais lucrativo exportar biodiesel para Europa cujo preço é mais de um Euro.

Entretanto, em passado recente, com o álcool foi semelhante, quando o açúcar estava melhor cotado no exterior parava a produção de álcool no Brasil e o Programa do álcool fez água durante muito tempo.

Vários foram os fatores que salvaram o Pró-alcool, tais como:

- nossa tradição secular em produção de álcool;
- as leis preservacionistas mais rigorosas;
- desenvolvimento de novos cultivares onde pulamos de 50 ton/ha ano, para 100 ton/ha/ano em média de cana. E hoje temos produções de mais de 150 ton/ha/ano;
- a área de plantio de cana aumentou (6 milhões de ha) e podemos suprir demanda exterior de açúcar;
- em futuro próximo a produção álcool a partir da celulose (do bagaço da cana), o álcool celulósico, é uma realidade, o que aumenta a produção sem aumentar a área plantada.
Poder-se-á, no mínimo, dobrar a produção porque só 10% de álcool são produzidos por área plantada (sobra 90% de biomassa) e, teoricamente com a catálise enzimática, todo o bagaço pode ser transformado em álcool e existem outros métodos.

Mas com relação ao biodiesel, conhecemos bem o processo químico de fabricação mas não temos ainda conhecimento suficiente de vários cultivares que julgávamos importantes para o Projeto Nacional e estamos aproveitando a soja.
Até o momento a soja é a que está dando mais resultado para a fabricação de Biodiesel mas, paradoxalmente, é a que tem o mais baixo balanço energético de todas as oleaginosas e a menor produtividade de óleo. Todavia, ela compensa por seus cultivares bem adaptados, uma agricultura extensiva, uma excelente cadeia produtiva, total infra estrutura e bom retorno do investimento.

Mas, esbarramos em algumas barreiras importantes por ser alimento, não trazer nenhum benefício para a agricultura familiar e não temos o monopólio da soja ficando à merce do mercado internacional.

O empresário não deveria encarar a agricultura familiar como uma questão romântica e sim estratégica. É bom lembrar que a recuperação do Pró-alcool deu-se ainda com milhares de trabalhadores no campo.

É importante sabermos que estamos iniciando um sistema de produção e fica perigoso deixarmos de consumir o biodiesel para exportarmos, deveríamos primeiro atender a legislação, para haver um planejamento mínimo por parte do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.

As oleaginosas, com exceção da soja, carecem de pesquisas e é um sistema de produção longo, apesar que as universidades brasileiras estarem trabalhando também no melhoramento genético e ajudando a Embrapa para a liberação de alguns Registros de Cultivares o que é um entrosamento importante.

Finalmente, o álcool fez água, porém até mais hidratado, o carro funcionou mas se o Biodiesel fizer água o motor vai parar porque água comprimida só dá para apagar incêndio e esse circo nos não queremos ver pegar fogo.

Nelson Furtado
Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro - SECT/RJ Coordenador do Programa Rio Biodiesel
Ministerio da Ciencia e Tecnologia
Centro Brasileiro de Pesquisas Física - CBPF/MCT
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Escola de Química
 
27.11.2008 - 13:31
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