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Programa de biodiesel ignora uso do babaçu

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domingo, 02 setembro 2007 . Estadao.com.br   
Revista BiodieselBR
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Sem opção, quebradeiras do coco lutam também contra carvoarias

O babaçu tem usos tão variados, como já escreviam os livros de geografia, que foram inventar dois novos só para acabar com o sono das quebradeiras do coco. Um deles ainda é um projeto, o biodiesel, cujo programa optou por outras matérias-primas nessa primeira fase. O outro é a queima do produto para virar carvão vegetal, aquele que arde nos gigantes fornos das usinas siderúrgicas da Amazônia Oriental para transformar minério em ferro-gusa. Ambos com potencial para tirar o ganha-pão de mais de 300 mil mulheres que vivem de uma atividade que parou no tempo.

As mulheres extrativistas são a favor do biodiesel. Passaram a acreditar nele quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou um de seus defensores em discursos no Brasil e mundo afora. Até o tradutor oficial da República já se viu em apuros para explicar aos estrangeiros o que são "quebradeiras de coco babaçu". Ficaram frustradas quando mamona, dendê e soja foram as escolhas iniciais. Querem saber se a amêndoa que tanto se esforçam para separar, na base da cunha e do machete, será aproveitada também. Segundo a Embrapa Agroenergia, vai. Mas só daqui a 5 ou 10 anos.

"As palmáceas vão ajudar a consolidar o programa biodiesel, mas antes precisam sair da fase do extrativismo para a de sistemas produtivos sustentáveis", explica Frederico Durães, chefe da Embrapa Agronergia, um dos órgãos responsáveis pelas pesquisas sobre o futuro do combustível alternativo. O babaçu enquadra-se hoje na categoria de cultura potencial, pois sabe-se que de suas amêndoas sai um óleo de grande valor energético. O problema é que sua extração mantém-se artesanal.

De outubro a março, mulheres do Maranhão, Piauí, de Tocantins e Goiás saem à cata do fruto. Percorrem quilômetros. Agora, na entressafra, são mais quilômetros. Longe de serem bem-vindas, entram em fazendas particulares para coletar e extrair as amêndoas. Quebram o coco ali mesmo, na sombra das palmeiras. As menos experientes extraem cinco quilos, menos da metade do que quem leva mais jeito para o trabalho.

ALTOS FORNOS

Nos últimos tempos, as mulheres passaram a ter companhia masculina. Mas, para elas, são predadores. Mesmo que alguns sejam vizinhos, amigos, maridos. Eles recolhem sacas do coco e não quebram nada. Só vendem o produto para pequenos comércios da comunidade, que revendem a mercadoria para atravessadores e destes para as carvoarias.

O babaçu (Orbignya phalerata) tem 64 usos catalogados. Uma dezena deles poderia ser economicamente viável, mas não é. Faltam escala e estrutura produtiva. De um coquinho, retiram-se quatro pequenas amêndoas, 7% da massa. Podem se transformar em óleos, sabão, glicerina, torta e farelo. Do mesocarpo, outros 23%, dá para fabricar amido, fibras, fertilizante e etanol. Dos 11% do epicarpo se faz carvão ativado. E é nos 59% restantes, o endocarpo que recobre as amêndoas, que reside a ameaça às quebradeiras: o uso como carvão.

Não faltam defensores do potencial do coque do babaçu. Seu carvão vegetal apresenta 80% de carbono. O eucalipto carbonizado tem 70%. Uma floresta nativa, 64%. Transportar madeira sem autorização hoje é ilegal; o babaçu, não. "O coco babaçu virou ouro", adverte Cynthia Carvalho Martins, da Universidade Estadual do Maranhão.

Há menos de um mês, a antropóloga retornou de uma incursão ao Bico do Papagaio, visitando carvoarias do Maranhão e do Pará. Descobriu fornos móveis que produzem carvão com o fruto inteiro, com amêndoas e tudo. "O carvão é mais predatório. A quantidade de minério de ferro em Carajás, dizem, dá para 350 anos. Não há coque suficiente para tudo isso." O Instituto Cidadão Carvão não quis se pronunciar sobre essa ação. Criado para moralizar as carvoarias, envolvidas com trabalho escravo e desmatamento, a organização tenta convencer as guseiras a só comprar o carvão vegetal de origem legal.

Uma luta do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu é evitar que babaçuais sejam derrubados, como alerta a coordenadora-geral Maria Adelina de Souza Chagas. "Toda vez que vem os grandes projetos com nome de desenvolvimento sustentável só se fala em reflorestar, sempre com o plantio do eucalipto. Nunca em preservar", afirma, preocupada com a futura criação do Distrito Florestal de Carajás.

Estimativas do movimento avaliam que 2,4 milhões de hectares de babaçuais já foram devastados. No Brasil, a palmeira já ocupou 18 milhões de hectares.

Eduardo Nunomura, LIMA CAMPOS (MA)

Revista BiodieselBR
Comentarios (10)add comment

Ananias Baracuhy disse:

  Manchete da matéria errada,não é certo dizer que o babaçú está sendo ignorado para uso da bioenergia.O Dr.Frederico Durães da Embrapa disse que está estudando o seu aproveitamento só que demora de cinco a dez anos para se vencer os obstáculos técnicos de manipulação dos frutos.Considera inclusive seu potencial muito bom e que esta palmácea vai colaborar no programa da bioenergia.No momento,se trabalha com o côco em bases artesanais e isso limita muito o seu uso em escala industrial.
Usar o fruto inteiro para queimar em fornos da siderúrgicas é um desperdício mas é menos ruim do que fazer carvão de madeira nobre produto de desmatamento.
O crime de se desmatar essas palmáceas nativa para se implantar o eucalípito é que é hediondo.
1

3.09.2007 - 18:37

Carlos Eduardo disse:

  Santa paciência Batman! A manchete está certa, quem está errado é o leitor de cima! Quem está ignorando o babaçu é o Programa Nacional de Biodiesel, exatamente como diz a manchete. Se o programa prevesse mais incentivos para as usinas que utilizarem o babaçu a situação seria outra.

Vou iniciar aqui a minha cruzada contra os comentários que considero errados ou descolados da realidade nesse espaço para os leitores.
cdporama@gmail.com
2

3.09.2007 - 19:02

Ciro Rolli disse:

  Depois do Robin,vai aparecer o comissário Gordon.
MULHERES TRABALHADEIRAS ACREDITARAM NO LULA.
Quem liga pra elas??
Onde estão aqueles q deveriam proteger os babaçuais?>>>GOVERNO
Aqueles q destroem a mata,continuarão a faze-lo.NÃO EXISTE PUNIÇÃO
Continua a falta de respeito com as famílias do campo e seu trabalho.
Ciro Rolli
motorista e cidadão voluntário
3

4.09.2007 - 00:04

Ananias Baracuhy disse:

  Meu caro Carlos Eduardo,ignorar é não ter conhecimento de,não saber...essa é a manchete mas a matéria diz que a Embrapa está pesquisando e já tem até previsão de quando se poderá ter tecnologia para industrializar o côco babaçú...Além do mais eu li na semana passada que a UFMA está estudando o côco babaçú para fins energéticos...Uma Universidade e uma empresa de pesquisa do porte da EMBRAPA trabalhando com essa palmácea é não ter conhecimento,é ignorar a importância dessa palmacea para uso além do que já se aproveita dela???Agora,admitir que o esforço pode ser bem maior para a rápida inclusão dessa oleoginosa no contexto bioenergático ah,isso eu concordo então para meu entendimento como devia ser a manchete dessa matéria:Embrapa e UFMA estudam o babaçú para fins energéticos mas precísa-se de mais pressa para inclusão desta palmácea na bioenegia....
4

4.09.2007 - 10:22

Carlos Eduardo disse:

  A embrapa não fez o programa nacional de biodiesel, a UFMA também não. Essa instituições estão pesquisando e procurando fomentar, mas é o governo que faz o PNPB, é ele que está ignorando o babaçu.

É preciso ter claro quem faz o programa de biodiesel e quem pesquisa. O governo faz o programa, as instituições pesquisam. Simples né?
5

4.09.2007 - 10:34

ramao disse:

  na real ananias voce para que serve o óleo de babaçu. pelo que eu estou sabendo já foi descoberto a sua utilização para outra finalidade sem ser para biodiesel, descoberto por um brasileiro. outro combustivel mais rentavel- se voce quer saber não sei o porque quardar tanto segredo para esse combustivel ,ou será para monopolizar, os americanos já saber a sua utilização mas não tem a palmacéa para produzir sem agredir o meio ambiente ok.
6

6.09.2007 - 18:51

Telmo Heinen disse:

  Tenho reiterado que o futuro dos biocombustíveis está nas plantas perenes.
Apesar da bombástica noticia veiculada no fim de semana passado, da parceria entre a GM e a Coskata para "gaseificar" quase tudo, de lenha a pneus velhos... (Muito sonho, não?), quero crer que a produção de óleo a partir de plantas perenes, dominará por muito tempo a produção de biocombustíveis.

Naturalmente que o Pinhão Manso estará entre elas, a Macaúba, o Tungue lá no sul e uma série de outras "árvores" existentes no nosso Norte/Nordeste e Centro-Oeste.

Então, o www.ethanolrfa.org terá também a sua história, porém eu faço um alerta: Qundo se usa colher toda planta, quem vai retornar os nutrientes para o solo ?

É mais sábio permanecer nas árvores. Pode ser até um Pequizeiro..., o Babaçú, Buriti, Carnaúba etc...
7

15.01.2008 - 15:47

Carlos Alves de Souza disse:

  Telmo
Muito sonho, não? Não é sonho.
A GM está é com Caskata.
8

15.01.2008 - 21:59

LOUIS J. M. SIMMELINK disse:

  Comentários favoráveis e contrários em relação à matéria em pauta pouco tem contribuído para o desenvolvimento proativo do emprego do babaçu como matriz energética de biodiesel ou e outras energias limpas. Estamos trabalhando em um projeto que já irá utilizar a tecnificação de corte de coco babaçu e extração de castanhas para produção de azeite extra virgem e dele viabilizar a transformação em biodiesel. É bem verdade que setores de governo responsáveis pelo desenvolvimento de novas alternativas energéticas poucco tem feito para com o babaçu. Em januária MG estaremos processando industrialmente na fase inicial 100 ton de carvão de babaçu - mes e 100.000 litros de azeite da mesma matriz e temos disponibilidade de uma mancha de 6688 ha de coco babaçu que dá um montante de materia prima mais que suficiente para manutenção do nosso projeto que hoje faz parte dos projetos estruturadores do governo de estado de mg.
Abraços e parabéns pela causa.
9

17.02.2008 - 14:02

Guaracy Pinto Calaza disse:

  Meu Caro Louis,

Pesquisando sobre o babaçu eis que o encontro aqui. Na verdade, não chega a ser surpresa e é muito bom ler sobre suas experiências práticas porque enriquece muito a discussão e auxilia na divulgação de alternativas agrícolas, em especial , para trabalhadores rurais que pouco tem apoio neste segmento ( extrativismo ).
10

14.07.2008 - 18:37

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