Argentina lidera expansão da soja na AL
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quarta, 05 setembro 2007
. Gazeta Mercantil
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Puxada pela Argentina, a América do Sul deve expandir em 4% a área de soja na safra 2007/08. Serão 41,65 milhões de hectares, 1,5 milhão a mais que no ciclo anterior, segundo levantamento da Safras & Mercados. O câmbio mais favorável fará com que os percentuais de crescimento de área na Argentina (5%), Paraguai (8%) e Bolívia (5%) sejam superiores ao estimado para o Brasil (2%). Além disso, a forte industrialização do grão argentino, o que inclui o biodiesel, cria mais mercado para os países vizinhos, segundo avalia Flávio Roberto de França Júnior, diretor da Safras.
A capacidade de esmagamento de soja na Argentina é de 46 milhões de toneladas - no Brasil é de 42 milhões e processamento deste ano será de 30 milhões. Com uma produção de soja de 47,5 milhões de toneladas, os argentinos precisam importar cerca de 2 milhões de toneladas para atender sua demanda. "Desse total, 1,5 milhão vem do Paraguai e, o restante, se distribui entre Bolívia e outros países vizinhos", informa o especialista da Safras.
Demanda maior
Essa demanda pelo grão deve aumentar com a produção de biodiesel no País, cuja indústria está em desenvolvimento. "Somente a cidade argentina de Rosário (província de Santa Fé) tem sete a oito fábricas que têm capacidade de fabricação de 900 mil toneladas de biodiesel por ano", diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, que atribui parte desse cenário ao incentivo fiscal concedido pelo governo argentino às indústrias do país. Assim, a área plantada com soja na Argentina deve crescer dos 16,15 milhões de hectares da safra 2006/07 para 17 milhões no ciclo atual, segundo levantamento da Safras. A produção estimada - em condições de clima regulares - é de 48,5 milhões de toneladas, ante as 54 milhões de toneladas do Brasil.
Câmbio
Além desse fator, há um outro que contribui para o avanço da soja nesses países, menos para o Brasil. Trata-se da taxa de câmbio. Um dólar equivale a R$ 1,95, valor que é de 3,1 para o peso argentino e 7,7 para a moeda boliviana. "Os preços internacionais da soja estão bons para o Brasil, mas estão muito melhores para os produtores argentinos, paraguaios e bolivianos", diz Júnior.
No caso do Brasil, há também outros limitantes como o concorrência com outras culturas importantes, tais como cana-de-açúcar e milho. "Neste ano, o plantio de cana deve crescer 10% no País para 7,26 milhões de hectares se estendendo a áreas potencialmente de soja", avalia Júnior.
Além disso, o mercado de milho reagiu bem dentro do mercado brasileiro, devido a maior demanda européia. "A projeção era de que os preços caíssem com a entrada da safrinha, o que não se confirmou por causa desse aquecimento dos compradores estrangeiros. Assim, o milho tem condições de brigar mais com soja".
Já na Bolívia, por exemplo, a oleaginosa não tem outros concorrentes. outras opções para disputar com a oleaginosa.
Fabiana Batista
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