Inglesa D1 Oils investe no pinhão manso
Não pode haver futuro para os combustíveis que competem com o abastecimento de alimentos do mundo, por áreas de plantio, e fazem subir os preços de produtos de grande consumo como o milho, diz Ron Oxburgh, principal executivo da companhia britânica de biocombustíveis D1 Oils. Oxburgh, ex-dirigente da Royal Dutch Shell, disse que o setor deve dar mais atenção para os biocombustíveis da "próxima geração" a partir de produtos ou safras desperdiçadas que crescem em áreas improdutivas, como a safra da semente oleaginosa jatropha (pinhão manso) que a D1 Oils planeja converter em biocombustível.
Os biocombustíveis são vistos, cada vez mais, como uma forma de tirar as economias da dependência do petróleo e reduzir as emissões de dióxido de carbono que contribuem para a mudança climática. Tanto a Europa quanto os Estados Unidos implementaram metas ambiciosas para o uso de biocombustíveis nos meios de transporte, sustentadas por subsídios generosos.
O etanol, que substitui a gasolina e é produzido a partir do milho ou da cana-de-açúcar, e o biodiesel, produzido do óleo de semente de colza ou óleo de palma, são as variedades mais comuns. Contudo, Oxburgh diz que os biocombustíveis produzidos a partir de safras de produtos alimentícios como esses não são a resposta.
A produção de etanol baseado no milho nos EUA elevou os preços de alimentos de grande consumo como as tortillas, provocando protestos de rua no México. Na Europa, a produção de biocombustível tem sido ligada à escassez de trigo, levando os italianos a declarar uma "greve de massas" na semana passada para protestar contra o alto preço de seu prato mais popular.
Oxburgh lembra que para cultivar biocombustíveis suficientes para substituir completamente o petróleo usado nos transportes seria necessário ocupar dois terços da área agrícola do mundo, o que claramente não é uma opção em um planeta cuja população crescerá 50%, segundo as previsões, para 9 bilhões de pessoas antes de 2050.
Mas, há muitas alternativas, segundo ele. "Há três tipos de biocombustíveis de segunda geração. O primeiro tipo é constituído de safras sustentadas que crescem em áreas marginais, que não interferem com a agricultura convencional. Temos a jatropha, o milheto ou capim-elefante, de onde podemos extrair biodiesel e etanol. Esses podem dar uma contribuição importante dentro de cinco anos", diz.
Uso do trigo para biocombustíveis levou os italianos a uma "greve de massas" em protesto contra o alto preço da pizza
A D1 Oils é uma grande defensora da jatropha - planta que resiste à seca e cresce nas áreas marginais que não são adequadas para a agricultura nas regiões tropicais e subtropicais. Suas sementes produzem um óleo não comestível que pode ser refinado para fabricar biodiesel. A jatropha pode ser produzida em grande escala a baixo custo sem privar as pessoas de alimentos vitais ou ocupar áreas de plantio necessárias, afirma Oxburgh. A D1 Oils tem plantações da planta na Índia, sul da África e no sudeste da Ásia. Ela fará sua primeira remessa de óleo de jatropha no início do próximo ano para as refinarias de biodiesel no Reino Unido.
"A segunda grande fonte são os resíduos agrícolas - palha de trigo, palha de cevada, podas florestais. Essas podem ser trabalhadas com enzimas, da celulose se pode extrair açúcar e fermentado para produzir etanol", diz. A Iogen, com sede em Ottawa, está testando técnicas para transformar desperdícios agrícolas, como palha de trigo, em etanol usando enzimas especialmente desenvolvidas para digerir a celulose. A Shell, o Goldman Sachs Group e a PetroCanada estão investindo no projeto.
A usina de demonstração da Iogen foi projetada para processar perto de 30 toneladas por dia de matérias-primas, e perto de 2,5 milhões de litros de etanol de celulose por ano. Oxburgh informa que o processo ainda é muito caro comparado com outros biocombustíveis, mas os custos devem cair quando a técnica for aperfeiçoada e implementada em grande escala.
O máximo em eficiência na produção de combustível seria usar o lixo doméstico como matéria-prima, diz o executivo. Um estudo científico recente mostrou que o conteúdo total de energia do lixo doméstico orgânico americano seria suficiente para colocar em movimento a frota inteira de veículos terrestres. Se mesmo um quarto dessa energia pudesse ser recuperada, seria um grande passo para frente, afirma Oxburgh.
"Nossos netos ficarão surpresos ao ouvir que tivemos um problema energético quando estávamos jogando tudo fora. O que deveríamos fazer é separar o lixo orgânico, gaseificá-lo e usar esse gás tanto para produzir combustíveis líquidos quanto para gerar energia", diz acrescentando que uma combinação de todas essas tecnologias será necessária em breve.
O consumo de energia que sobe rápido na Índia e na China junto com a diminuição dos recursos petrolíferos significa que a demanda pelo óleo bruto pode exceder a oferta dentro dos próximos cinco a 20 anos, talvez elevando os preços acima de US$ 100 o barril, prevê.
Os biocombustíveis serão essenciais para manter a marcha da economia mundial, e para cortar as emissões de gases que causam o efeito estufa.
James Herron / Dow Jones Newswires
de Cork (Irlanda)


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