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Gordura velha e sebo de boi viram artigo de luxo com biodiesel

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sexta, 31 agosto 2007 . Gazeta Mercantil   
Revista BiodieselBR
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A demanda de óleo para fabricação de biodiesel está transformando os patamares de preços do mercado de óleos "periféricos". Até a gordura de cozinha, resíduo de churrascarias e lanchonetes, virou artigo de "luxo". Negociada a R$ 700 no início de 2006, a tonelada está valendo atualmente R$ 1,33 mil (preço posto na fábrica), segundo levantamento da Aboissa Óleos Vegetais. "Às vezes, conseguimos colocar o produto por um valor ainda maior, R$ 1,4 mil", acrescenta a operadora de mercado da Aboissa, Adriane Gaia.

Ela explica que a maior procura começou no segundo semestre do ano passado, quando o valor da tonelada iniciou a escalada, atingindo em dezembro valores próximos de R$ 980. "Essa gordura, que era tradicionalmente usada pela indústria de alimentação animal, passou a ser disputada pelas indústrias de biodiesel", diz Adriane. Com isso, o volume de 1.150 toneladas negociados em todo o ano passado pela Aboissa já foi superado até agosto, conforme garante a operadora. "Alguns de nossos fornecedores, como grandes redes de supermercados, iniciaram campanhas para arrecadar o óleo de cozinha", conta Adriane.

O preço dessa gordura recuperada superou até o do óleo de algodão (bruto), tradicionalmente mais nobre, usado na alimentação humana. A tonelada desse óleo está sendo negociada a R$ 1,250 mil, 8% menos que a gordura recuperada.

Outro óleo considerado "marginal" que se transformou em vedete é o sebo bovino. O preço praticamente duplicou com a demanda bioenergética. O quilo é negociado por R$ 1,10 a R$ 1,20 em São Paulo, valor que há um ano era de R$ 0,65 e, há dois, de R$ 0,50, segundo o gerente da unidade de Proteínas e Gorduras Animais da Aboissa, Alberto Luiz Peres. "A demanda nesse momento está bem agressiva, por conta da redução de abates, conseqüência da entressafra da pecuária", completa Peres.

O reflexo do biodiesel também atingiu o óleo de algodão. Há um ano, a tonelada era negociada a R$ 850 (Nordeste), valor que está hoje 43% mais alto. "Falta produto no mercado", explica a analista Priscila Gomes, também operadora da Aboissa. A demanda tradicional - indústria alimentícia e pulverização agrícola - absorve cerca de 90 mil toneladas por ano, que é a produção nacional. "Mas se a oferta fosse hoje de 150 mil toneladas, com certeza, seria consumida para biodiesel", vislumbra Priscila.

Revista BiodieselBR
Comentarios (3)add comment

Ananias Baracuhy disse:

  Está acontecendo o óbvio,se aumenta a procura os preços sobem e sobem na intensidade da procura.Até pouco tempo atrás quase ninguém ouvia falar em sebo de boi para biodiesel e de repente surgem usinas com tecnologia de ponta capacitadas a fazer biodiesel e lá se vem aumento de preço para um produto que era residuo nos frigoríficos.Por enquanto a demanda está na frente da oferta e isso provoca um certo choque de preços mas diante de vantágens econômicas,os agentes de produção também entram em ação e é aí que se espera o equilíbrio de preços. Fico muito feliz em saber que o algodão é planta que terá seu óleo procurado para bioenergia pois apresenta competitividade,o preço é R$0,81/l segundo estudo da Dra.Catarina Pezzo da UFRJ.Essa cultura tem uma tradição muito forte no Nordeste,marcou ciclo econômico,resiste bem o semi-árido e é de conhecimento da grande massa de agricultores.
1

1.09.2007 - 08:46

Debrair I. DA SILVA disse:

  Essa procura é bem saudável, considerando que esta situacao tira da marginalidade muitos produtos que antes serviam para sujar o meio ambiente. Me alegro com a notícia visto que o setor de Bio diesel acaba servindo, como é sua vocacao, de incluidor social.
2

7.11.2007 - 12:35

Adson Alla , Brito disse:

  Um detalhe que deve porém ser analizado, é o fato de, ao ser usado no biodiesel, faltar sebo bovino encarecendo o preço do sabão em barra, que utiliza muito este produto e é muito consumido principalmentepela classes C, D e E. o pobre pode vir a pagar a conta.
3

5.03.2008 - 21:11

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