Seg21052012

    Lembrar | Esqueceu a senha? Não é assinante? Assine já!

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Back Notícias Em Foco Frutos nativos da Amazônia podem ser alternativa

Frutos nativos da Amazônia podem ser alternativa

Andiroba, buriti, pracaxi, murumuru são produtos tipicamente amazônicos e quase sempre associados ao seu potencial farmacêutico e/ou cosmético. Mas pesquisas realizadas pela Faculdade de Engenharia Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) investigam as potencialidades dessas oleaginosas nativas para a produção de biodiesel.

O projeto “Investigação do potencial de oleaginosas da Amazônia como matéria-prima para a produção de biodiesel”, desenvolvido pelo Laboratório de Operações de Separação da UFPA (LAOS/UFPA) e coordenado pelo professor Luiz Ferreira de França, busca a viabilização técnica e econômica dos óleos destas matérias-primas na produção de alternativas renováveis de combustíveis.

Ao propor a criação de um banco de dados com as características físicas e físico-químicas dos quatro frutos, o projeto pretende ampliar o aproveitamento da biodiversidade da região, gerando renda e despertando a população ribeirinha para a importância da extração sustentável desses produtos. Outro objetivo é sensibilizar os investidores para a geração de biocombustíveis a partir de espécies endêmicas da Amazônia.

O Brasil tem investido em diversas matérias-primas para produção do biodiesel (mamona, soja, girassol, pinhão manso, babaçu, amendoim, pequi e outros). Na região amazônica, o dendê destaca-se como a principal alternativa explorada para este fim. O Pará, inclusive, é o maior produtor nacional do óleo de palma e do óleo de palmiste, oriundos da palmeira do dendê.

Contudo, França destaca que a produção destes óleos é complicada e apresenta aspectos negativos. “Quando o óleo é extraído, ele forma duas fases: uma sólida e outra líquida. Isso é algo que dificulta seu processamento. Além disso, na forma de óleo bruto, ele se degrada muito fácil”.

Os estudos realizados pelo LAOS e pelo Laboratório de Pesquisas e Análise de Combustíveis (Lapac/UFPA) avançam no sentido de provar que as oleaginosas nativas são as mais viáveis, tecnicamente, para a produção de combustíveis. Para França, só falta vontade política e investimentos no setor. Atualmente, os órgãos de financiamento têm dado atenção a duas espécies de palmeiras nativas da região: o inajá e o tucumã.

Segundo o coordenador do LAOS, os técnicos governamentais alegam que as oleaginosas nativas ainda não estão domesticadas, por isso é difícil a produção em grande escala. “O que precisamos é unir esforços com outras instituições, como Embrapa e Universidade Federal Rural da Amazônia para desenvolver técnicas que aumentem a produção de diversas oleaginosas da nossa região e, juntos, provarmos que elas também podem ser viáveis economicamente”.

Além de suas propriedades medicinais e fitocosméticas, o óleo de andiroba pode ser utilizado para a produção de biodiesel. “O óleo desta planta tem uma cadeia carbônica muito parecida com a do óleo de soja e ainda possui um alto rendimento”.

INCLUSÃO
Ribeirinhos e agricultores poderiam estar envolvidos no cultivo em escala comercial das oleaginosas nativas, indo ao encontro dos anseios do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que enfatiza a inclusão social em toda a cadeia produtiva do biodiesel. Existe, inclusive, uma proposta para a implantação de um projeto piloto de cultivo em Cametá, que poderá beneficiar até cinco mil famílias.

A ideia é explorar não somente os frutos, mas também outros bioprodutos gerados a partir das oleaginosas nativas, já que elas são subutilizadas. O resíduo obtido da prensagem do buriti, por exemplo, é riquíssimo em fibras, betacaroteno e vitaminas, e pode ser base para a produção de alimento e ração animal. O pracaxi talvez seja mais útil à indústria farmacêutica, dadas suas propriedades cicatrizantes.

Ainda há muito a ser estudado. O murumuru, por exemplo, descrito como uma joia rara da Amazônia, tem inúmeras potencialidades e necessita ser investigado com mais profundidade. O engenheiro explica que a pasta obtida do fruto é formada por ácidos graxos de cadeias curtas e médias, o que dá origem a um biocombustível mais específico.

Assim, ele apresenta propriedades parecidas com as do querosene utilizado nas turbinas de aviões. “Produzido em grande escala, o biodiesel do murumuru pode, por exemplo, substituir o derivado do petróleo e ser uma alternativa mais limpa para a engenharia aeronáutica”.

Quem leu esta notícia também se interessou:

Adicionar comentário


Busca no site

Assine o maior site de biodiesel do mundo
Anuário do Biodiesel

Tudo sobre biodiesel