Consórcio já realiza a compra de algodão
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terça, 28 agosto 2007
. Diário de Natal
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Embora ainda não tenha começado a produzir biodiesel no Nordeste, o consórcio formado entre as empresas Ponte Di Ferro e Santana Semente começou na semana passada a comprar algodão no Rio Grande do Norte e na Paraíba. A expectativa é que adquira de dezenas de produtores um total de cinco milhões de toneladas, apenas nesta safra.
A informação é do empresário Carlos Zveibil Neto, que constrói duas usinas de biodiesel, em Alto do Rodrigues, no Rio Grande do Norte, e em São Mamede, na Paraíba. Zveibil explica que os equipamentos estão sendo construídos no Estado de São Paulo, em Jaú e Piracicaba, e que nos próximos meses serão embarcados para o Nordeste, onde serão montados, para que comecem a produção de biodiesel em 2008.
A aquisição de algodão na presente safra obedece a uma estratégia do consórcio, para incentivar os produtores do Rio Grande do Norte e da Paraíba de forma a que aumentem a área plantada.
“Quando começar a produção de biodiesel, vamos precisar de dez mil hectares plantados com algodão”, explica Zveibil, e como atualmente o plantio nos dois Estados é bem menor, o empresário deu garantia de preço e de compra, para incentivar os agricultores a aumentarem a área plantada. “Isso é necessário porque, a médio prazo, as duas usinas vão consumir 15 milhões de toneladas de algodão, com as quais será possível produzir todo o biodiesel necessário para abastecer os dois Estados nordestinos”, diz ele.
Enquanto não produz biodiesel, o consórcio vai beneficiar o algodão, para vender o produto em rama, extrairá o óleo que será comercializado no Sudeste, e vai colocar a torta de algodão no próprio Rio Grande do Norte. É que atualmente o produto, necessário para os produtores de leite que usam a torta para alimentar seu gado, tem que ser trazido da Bahia, com frete caro. “A torta produzida localmente sairá a um custo mais baixo”, afirma o empresário.
Na próxima safra, entretanto, o óleo de algodão será transformado em biodiesel e a grande vantagem da tecnologia escolhida é que a mesma usina poderá fazer biodiesel também com pinhão-manso, girassol ou soja, se for o caso.
Uma das primeiras empresas a investir no biodiesel no Brasil, a Ponte Di Ferro já fez 50 milhões de litros do produto a partir de sebo de boi e de soja, no Rio de Janeiro e em Taubaté, no Estado de São Paulo. Conseguiu também o “selo social” do Governo Federal em Mato Grosso e Goiás, onde trabalha com soja, girassol e gergelim e considera que o problema no Nordeste é apenas conseguir matéria-prima suficiente para produzir, pois o processo da industrialização está plenamente dominado.
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