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Biodiesel na Amazônia

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segunda, 28 abril 2008 . O Estado de S. Paulo - Paulo R. Haddad   
Revista BiodieselBR
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Não há, em nenhuma região do planeta, um conjunto tão amplo e diversificado de recursos ambientais ou de capital natural como o que se observa na Amazônia, mesmo considerando que parte desse conjunto vem sendo dilapidada pelo uso predatório em atividades econômicas não sustentáveis, ao longo das últimas décadas. Entretanto, a região ainda se caracteriza por indicadores socioeconômicos precários para a maioria de sua população.

Como a Amazônia poderá ter cerca de 40 milhões de habitantes no ano de 2020, não pode contentar-se com os ritmos médios de crescimento econômico observados nos últimos anos, sob o perigo de se ampliarem as suas taxas de desemprego e de pobreza. Assim, é fundamental que se implante na região um número expressivo de projetos estruturantes de desenvolvimento sustentável, ao longo da próxima década.

Há inúmeras dificuldades para identificar, elaborar e implantar esses projetos por causa, principalmente, da desinformação sobre as potencialidades econômicas da Amazônia e de um conjunto numeroso de preconceitos sobre como lidar com o ecodesenvolvimento da região. Enquanto não se encontra uma trajetória estratégica de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, há forças econômicas e sociopolíticas em ação, promovendo a erosão da capacidade regenerativa e assimilativa dos ecossistemas regionais, enquanto escondem os seus interesses velados por meio do biombo da sustentabilidade ambiental.

Uma das oportunidades de investimento adequado para a Amazônia, tanto do ponto de vista privado quanto do mérito social, é a produção do biodiesel de dendê em áreas de campos e pastagens, degradadas ou não, desde que em condições edafoclimáticas favoráveis ao cultivo. Essas áreas são gigantescas, pois se situam dentro do arco de desmatamento da cobertura florestal original, que se estima ter chegado em torno de 20% nos dias de hoje.

Em primeiro lugar, já se dispõe da avaliação econômico-financeira de alguns desses projetos, implantados ou em fase de implantação. Eles despontam com altíssima taxa de rentabilidade privada e baixos índices de riscos sistemáticos ou específicos, calculados de forma conservadora, tendo em vista as incertezas dos mercados de energia e das próprias inovações tecnológicas no campo da bioenergia. Os motivos para rentabilidade tão elevada são óbvios: preço relativamente baixo da terra e da mão-de-obra não qualificada, disponibilidade de zoneamento econômico e ecológico, controle de pragas, sementes selecionadas, tendência à equivalência de preço do biodiesel com o crescente preço do diesel mineral, etc.

Em segundo lugar, num processo de avaliação socioambiental, os investimentos em biodiesel de dendê apresentam impacto ambiental significativamente benéfico para a sociedade, seja pela redução do consumo de energia não renovável e conseqüente diminuição das emissões atmosféricas, seja pela recuperação de áreas ecologicamente degradadas com o plantio da palma. Assim, a rentabilidade socioambiental dos investimentos supera a rentabilidade estritamente financeira pela incorporação no fluxo de caixa do valor econômico das externalidades positivas geradas pelos projetos. Pastagens são substituídas por palmeiras; resíduos são reaproveitados como fertilizantes ou combustíveis; é processada a recuperação das matas ciliares e de seus respectivos mananciais; etc.

Finalmente, cabe registrar que, em razão da baixa produtividade dos recursos naturais e da falta de oportunidades de emprego de qualidade dos municípios onde se localizam os investimentos, esses têm a capacidade de ampliar os níveis do emprego, da renda, da base tributável e das compras locais nas etapas de implantação e de operação. Além do mais, tem sido possível conciliar os grandes projetos de investimento em biodiesel com parcerias com a agricultura familiar local, por meio de contratos de compra antecipada do dendê e da transferência de tecnologia na sua produção.

É preciso ficar claro, também, que, se as lideranças políticas e comunitárias locais não se organizarem e não se mobilizarem endogenamente para o aproveitamento das oportunidades que serão criadas pelos investimentos em biodiesel, todas as estimativas e os cálculos previstos sobre os benefícios sociais e econômicos dos projetos poderão se frustrar ao longo do tempo.

Paulo R. Haddad - foi ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Itamar Franco

Revista BiodieselBR
Comentarios (2)add comment

keylah Regina Borges disse:

  Concordo plenamente com o senhor Paulo Haddad, inclusive trabalhamos numa proposta de consórcio florestal para a agricultura familiar no sudeste do Pará, que envolve as culturas temporárias como mandioca, arroz e milho; a oleaginosa pinhão manso e essências florestais nativas (freijó, boleira, paricá, andiroba, copaiba, etc), elegemos a jatropha curcas para produção do biodiesel, após dois anos de estudo da espécie "in loco" e obtivemos resultados excelentes,principalmente para agricultura familiar.
1

5.05.2008 - 13:49

JOSÉ VICTORIO SOUSA FILHO disse:

  A amazonia ficou isolada no contexto dos biocombustivel, trabalho a 16 anos na produção de oleaginosas da Amazonia com produção industrial, temos oleaginosa de grande produtividade similar ao dende, outras palmeiras. Muitas pesquisas foram feitas, mais foram poucas publicadas, precisa de uma politica mais séria para o desenvolvimento sustentavel e renovavél para a Amozonia
2

11.05.2008 - 20:21

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