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O andador do biodiesel

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quarta, 09 julho 2008 . O Estado de São Paulo   
Revista BiodieselBR
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Na reunião de cúpula que o G-5 terá hoje com os chefes de Estado do G-8, no Japão, o presidente Lula vai repelir o jogo protecionista de líderes da União Européia para os quais o etanol brasileiro, além de nocivo ao meio ambiente, é produzido com o concurso de mão-de-obra semi-escrava.

Por aí se vê que, entre os biocombustíveis, o etanol daqui continua na condição de alvo preferencial. É o produto que mais ameaça tanto a indústria do petróleo como a do etanol de cereais nos Estados Unidos e na Europa. E, enquanto o etanol brasileiro permanecer na berlinda, o biodiesel ficará meio esquecido, sem necessidade de que o governo saia em sua defesa.

O problema do biodiesel não são os predadores externos. São os fundamentos do mercado num ambiente em que os preços da matéria-prima disparam no mercado internacional. Se tivesse de competir com o óleo diesel, cujos preços internos estão subsidiados, estaria na pior. No entanto, hoje tem de entrar na mistura com ele à proporção de 3 litros para cada 97 (até junho eram 2%), o que garante uma demanda interna de 1,2 bilhão de litros em 12 meses. Para suprir essa procura, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) faz leilões periódicos de compra. Entrega o produto quem oferece o menor preço.

 Enquanto o etanol brasileiro permanecer na berlinda, o biodiesel ficará meio esquecido, sem necessidade de que o governo saia em sua defesa.


Tecnicamente, basta contar com gordura (vegetal ou animal) para que dela se possa obter biodiesel. No entanto, até agora, apenas o óleo de soja mostrou volume suficiente para garantir escala de produção. Alguns produtores ainda obtêm biodiesel de sebo animal, óleo de dendê, de girassol ou de canola. Mas enfrentam falta de competitividade.

O biodiesel de soja está às voltas com problema de custo da matéria-prima (veja o gráfico). "Em 2005, a tonelada de óleo de soja saía por R$ 1 mil. Hoje, vale, na média, R$ 2,5 mil", relata Miguel Biegai, analista de mercado de bioenergia da Safras & Mercado.

Essa situação inverteu a equação de custos. Em 2005, o fabricante podia contentar-se com R$ 1 mil por tonelada. Hoje, tem de pedir R$ 2,5 mil. Há três anos, o litro de óleo diesel alcançava na refinaria R$ 1,22, e o do biodiesel saía por R$ 1,00. Hoje, o diesel está a R$ 1,33, enquanto o biodiesel está a R$ 2,69.

Nos leilões do ano passado, cujas entregas estavam previstas para até julho deste ano, o preço médio pago pelo litro de biodiesel chegou a R$ 1,86, o que fez com que os produtores trabalhassem com margens negativas. Esse cenário levou ao não-cumprimento de muitos contratos, sem que houvesse qualquer tipo de punição. "Esses mesmos produtores entraram novamente nos leilões e ganharam novos contratos", observa José Carlos Hausknecht, da MB Agro.

O pior momento, para os analistas do setor, foi em março deste ano, quando a tonelada do óleo de soja tocou os R$ 3 mil. "Alguns produtores, que já tinham experiência no esmagamento de grãos, recorreram ao mercado futuro para compras antecipadas (hedge). Mas a maioria não o fez", afirma o analista da Safras.

"Sem suporte oficial, o biodiesel não anda sozinho, e isso é assim aqui e no resto do mundo", adverte Hausknecht. A esperança é que chegue logo o dia em que o biodiesel dispense esse andador.

Confira
Nada além - O comunicado do Grupo dos Oito (G-8) não adiantou nenhuma providência prática destinada a derrubar os preços do petróleo, dos alimentos e das commodities metálicas.

Revelou "forte preocupação" com a escalada, porque sabota o crescimento econômico e, no caso dos alimentos, pode atirar milhões de pessoas à fome.

O resto foram sugestões para que sejam incentivados investimentos que garantam aumento da produção e do refino de petróleo. Por enquanto, foi o suficiente para derrubar os preços do petróleo, que ontem caíram 3,8%. Falta saber até onde vai a força das palavras.

Celso Ming

Revista BiodieselBR
Comentarios (3)add comment

Ananias Baracuhy Neto disse:

  Esse G8 reunido para descutir energia, poluição e produção de alimentos mostra de cara que estão somente interessados em fazer turismo em SPA de luxo e criar manchetes enganosas para a plateia mundial...como é que se pode tratar desses assuntos sem estar incluidos a China e a Índia pelo menos???a criação informal do G5 é uma tentativa humilde para se enfocar alguma coisa substanciosa...as políticas de proteção agrícola praticadas pelos EUA e UE e protegidas a ferro e fogo como demonstra o estancamento da rodada de Doha,revela que eles querem resistir a nova realidade de produção de alimentos,que aliás o Sarcozy percebeu e logo propôs o engajamento dos cinco ao conjunto da reunião...pois os cincos,quando se reuniram com os oito,o comunicado conjunto dos oito já estava divulgado,quer dizer,reunião para fazer palco e fingir que querem conversar...
Sem se falar sério,os oito, ditos grandes no cenário mundial não vão conseguir aumentar a produção de alimentos na velocidade que o caso requer e é muito provável que não irão conseguir manter seus mercados agrícolas protegidos por subsídios pois até hoje,nenhum poderoso de plantão conseguiu revogar a lei de oferta e procura,é o sinal dos tempos,as coisas no mundo estão mudando e não há quem consiga deter essa marcha...
Fazer esforços para se aumentar ainda mais o consumo de petróleo,nessa realidade de aquecimento global,é para se dizer que o fundamento da reunião obedece a uma irracionalidade gigante...
1

9.07.2008 - 11:06

Telmo Heinen disse:

  Se houvesse realmente escassez de produtos agricolas no mundo, porque então esta preocupação de regras para comerciialização, remoção de barreiras tais e tais ?

Qualquer um pode ter acesso às estatísticas e fazer a divisão da produção anual total pelo que esta pessoa COME por dia...
Por baixo a produção dá para alimentar 12 bilhões de pessoas por ano e somos menos de sete bilhões...

E a principal pergunta não respondida, aliás, não respondida porque não foi feita ou não é colocada: Se os americanos não fizessem etanol de uma parte do milho deles, quem comeria este milho ?

Portanto, "estimados" e diletos jornalistas! Façam esta pergunta ao seus entrevistados.
2

10.07.2008 - 17:12

Ricardo C Joaquim disse:

  Conforme estudos e leituras nos ultimos 12 meses, puder perceber que não se pode vincular a materia prima do biodiesel ou qualquer outro bio-combustivel a uma cultura que concorra na cadeia de alimentação humana.
Mas os motivos não são sociais mas sim ecnomicos. No Brasil tivemos esse problema quando o mercado estava pagando muito mais pelo açucar que pelo alcool, esse ultimo faltou nas bombas. O que acontece hoje com o oleo de soja é similar, uma vez que mercados como a China tem aumentado a demanda por alimentos em geral. Os investimentos no Brasil devem ser focados ( principalmente no caso de centros de pesquisa como Embrapa e similares) em alternativas para agricultura de escala para oleaginosas. Somente com uma cultura que não concorra com a cadeia alimentar é que serão garantidos preços dos insumos do biodiesel viáveis para a mistura em porcentagens maiores.
3

15.07.2008 - 10:08

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