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CORRIGIDA: Agência aposta em pesquisa com pinhão-manso

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sábado, 16 fevereiro 2008 . Gazeta de Piracicaba   
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O pinhão-manso (Jatropha curcas), planta utilizada no Brasil como cerca-viva e que possui um alto teor de óleo em suas sementes, tem sido objeto de estudos de pesquisadores do Pólo Centro-Sul da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), em Piracicaba, que acreditam no potencial do fruto como alternativa para a produção de biodiesel. O objetivo inicial é a obtenção de acessos genéticos para criação de um banco de germoplasma  visando dar suporte à implantação de um programa de melhoramento genético para a espécie. Além disso, pretende-se desenvolver técnicas de manejo e cultivo do pinhão manso com experimentos de adubação e espaçamento nas fazendas experimentais da APTA. No entanto o estudo requer apoio governamental e empresarial. Os experimentos de laboratório já começaram, com recursos dos próprios pesquisadores e apoio logístico das instituições representadas por eles.

Com a obrigatoriedade da mistura B2 - adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel -, será crescente a demanda por oleaginosas no Brasil. Atualmente, 55% da produção do biodiesel nacional é feita a partir do óleo da soja, que tem processo produtivo bem desenvolvido e dominado pela indústria. Apesar disso, o grão fornece apenas 18% de óleo, mas ganha em valor por ser também destinado à alimentação. "É preciso fazer um mapeamento das culturas de oleaginosas para que fiquem mais produtivas em determinadas regiões e possam atender a essa demanda por mistura. O pinhão-manso não é comestível, mas pode ser totalmente utilizado para diesel", disse a engenheira agrônoma Daniela de Argollo Marques, uma das coordenadoras do programa Pinhão Manso (Jatropha curcas) e responsável pelo laboratório de ferramentas biotecnológicas do projeto.

A equipe multidisciplinar que integra o projeto e tem ainda a coordenação dos pesquisadores Alceu de Arruda Veiga Filho, Raffaella Rossetto e Maria Regina Ungaro, conta com a participação de pesquisadores do outros Pólos Regionais da APTA, da fazenda Santa Elisa do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), do Instituto Biológico de São Paulo, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com apoio logístico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).

Segundo Daniela, o Brasil conta com pelo menos 40 plantas oleaginosas que poderiam ser utilizadas na produção do biodiesel. O pinhão-manso é uma das possibilidades e por isso foi incluído no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), do Governo Federal, como matéria-prima promissora para a fabricação de combustível.

O alto teor de óleo das sementes do pinhão-manso, entre 30% e 50% de acordo com o material genético, é uma das vantagens apontadas pelo projeto. Trata-se de um óleo com características físico-químicas pertinentes, como baixa viscosidade, proporção de ácido oleico e linoleico, dentre outras – capazes de proporcionar um desempenho mais completo ao combustível no motor e melhorar a qualidade do biodiesel.

Outro fator é que a planta é perene, seu ciclo produtivo se estende por cerca de 40 anos, o que reduz o custo da produção. É de fácil manejo e sua colheita ainda é manual - à base da "sacudida" -, já que a planta chega a medir 2,0 a 5 metros, dependendo do sistema de poda empregado no manejo da cultura.

Os benefícios da planta se estendem ainda às vantagens sociais, segundo os estudiosos. "Por ter colheita manual, é indicada e se adapta bem às diretrizes dos programas de incentivo à agricultura familiar, além de contribuir para a fixação do homem no campo e para a inclusão social do trabalhador rural", ressaltou a pesquisadora científica.

Conhecimento

Embora ainda haja pouco conhecimento técnico-científico sobre o pinhão-manso, seu estudo não é novidade. O interesse teve início na década de 80, mas a pesquisa foi paralisada por causa do petróleo, que voltou a ter preço competitivo e seu uso foi retomado.

A pesquisa realizada na Apta leva em conta o fato do pinhão-manso ainda não ter sido domesticado e de que não há, até o momento nem um cultivar com estabilidade e uniformidade suficientes que garanta o aproveitamento total de tecnologias de manejo que venham a ser desenvolvidas. Por isso, investimentos para conhecê-la cientificamente garantirão uma alternativa tecnológica para o futuro, como aconteceu com as culturas da soja e da cana, amplamente utilizadas hoje.

No ponto inicial do levantamento, está a criação e manutenção de um banco de germoplasmas, formado por diferentes acessos genéticos de pinhão manso de várias regiões brasileiras e de outros países bem como de outras espécies do mesmo gênero (Jatropha) como o pinhão bravo e o pinhão roxo. "Queremos verificar diversas espécies para explorar a variabilidade genética da planta, que darão suporte ao programa de melhoramento genético, visando à seleção de plantas com alto teor e qualidade do óleo, alta produtividade, maturação uniforme dos frutos, altura reduzida do vegetal, resistência a pragas e doenças e baixo teor de princípio ativo tóxico", salienta a pesquisadora.

Diferente do pinhão-manso mexicano, isento de toxina, o nacional tem princípios ativos tóxicos que impedem, entre outras coisas, que seja utilizado como ração animal.

Se os estudiosos conseguirem diminuir a toxicidade da planta selvagem, será possível utilizar o resíduo (torta) da planta macerada para ração animal, já que essa torta é rica em proteínas O farelo dessa torta também é rico em nitrogênio, potássio e fósforo e poderia ser utilizado como adubo na própria cultura do pinhão, diminuindo assim os custos de produção.

Por se tratar de uma planta perene, o programa de melhoramento genético convencional pode levar até 12 anos para o desenvolvimento de uma nova cultivar., No entanto, os pesquisadores acreditam que com o uso de ferramentas da biotecnologia (como cultura de tecidos para clonagem de plantas elites e marcadores moleculares para estudos da variabilidade genética) poderá ser possível reduzir este tempo para quatro a seis anos. O sistema de tecnologia de manejo também será objeto da abordagem, com experimentos em fitotecnia, adubação, avaliação das principais pragas e doenças. s.

Ao final, esse protocolo será encaminhado para órgãos como a Cati, que adaptam os resultados para uso de produtores rurais. "Os resultados irão orientar na condução de campos de produção de pinhão-manso, contribuindo para a implantação dessa cultura em escala comercial", falou a agrônoma.

Apoio

O programa Pinhão Manso está pleiteando apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do setor privado. Uma das empresas que já firmou compromisso com a Apta é a Biocapital, de Charqueada, que atua na no ramo de produção, armazenamento e distribuição de biocombustível. "A tecnologia gerada pelo programa será essencial para que a cultura do pinhão manso seja incorporada definitivamente ao segmento de agronegócios paulista voltado à produção de bioenergéticos", destaca Daniela Argollo.

DANIELE RICCI

Atualização 19.02.2008: Texto com as correções enviada pela pesquisadora Daniela de Argollo Marques

Revista BiodieselBR
Comentarios (4)add comment

axel de ferran disse:

  Na região do vale do Curaçá, no Oeste da Bahia, existe um arbusto de caule molenga que se chama localmente pinhão. Dá na terra escura cor de charuto.
Tem algo a ver com p Pinão manso que voces se referem?
RSVP, Abraços, Axel
1

18.02.2008 - 07:22

Telmo Heinen disse:

  Caro Alex, veja no site http://www.pinhaomanso.com.br e facilmente poderá compara-los.
2

18.02.2008 - 08:57

Fernando Chaves Lins disse:

  Talvez fosse importante que o grupo de pesquisadores conseguisse das empresas e agricultores as melhores sementes que usam na cultura geral. Informo que a Fazenda Tamanduá, em Santa Terezinha, próximo da cidade de Patos no sertão da Paraiba vem desenvolvendo pesquisas e poderá contribuir para agilizar a proposta desse grupo interdisciplinar. Estive lá e verifiquei o bom comportamento da produtividade da área de pesquisas, inclusive com uma matriz de pequeno porte e muito produtiva. Poderia ser o material ideial para clonagem de matriz selecionada. Verificar ainda os ensaios de adubação, espaçamento, poda, etc que estão sendo feitos pelos agricultores e empresários com assistência de orgãos governamentais, como Barralccol e o Tocantins. No Novo Repartimento, no Paraná, diversos agricultores familiares estão cultivando pinhão manso com seleção de material oriundo do Espiríto Santo. Ns testes experimentaisque realizados na Guatemala foi eleito material originário de Cabo Verde, pioneira na produção e industrialização do pinhão manso. Lembrar que a Epamig tem tradição com essa cultura e precisa ser envolvida. Embora essencial é preciso dar continuidade com o que temos, mesmo com os riscos por nossa conta, até que se tenha o ideial. Para isso, o governo deverá também incentivar, com faz com a indústria, as tecnologias apropriadas a cada caso: MÉTODO GUIMARÃES DUQUE no Nordeste que seguramente poderá incrementar a produtividade das oleaginosas selecionadas, conforme comprovaram pesquisas da Embrapa e do Infaol.
3

29.03.2008 - 11:21

LEOPOLDO HEITOR PAIM disse:

  VALE LEMBRAR QUE UM DOS FATORES DE DESENVOLVIMENTO DE DETERMINADA PLANTA OU CULTIVO É A CLIMATOLOGIA....
TRAZER SEMENTES OU MUDAS DE OUTROS ESTADOS OU PAÍSES PARA PLANTIO REQUERER UMA SÉRIE DE CUIDADOS ESPECIAIS PARA UM DESENVOLVIMENTO UNIFORME VOLTADOS A ADAPTAÇÃO DE CLIMATICA... MESMO SENDO NO SEMI ÁRIDO BRASILEIRO... DETERMINADOS REGIÕES TEM DIFERENÇAS SIGNIFICATIVAS DE TEMPERATURA E HUMIDADE UMAS DAS OUTRAS A NIVEL DE BRASIL E MUNDIAL.... ISSO IMPLICA NO DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE E POSTERIOR MUDA... OCASIONADO UMA PLANTA DE POUCA PRODUÇÃO...
RESUMINDO AS MELHORES SEMENTES OU MUDAS SÃO AS DE PROCEDENCIA DO LOCAL A SER PLANTADO OU ADJACÊNCIAS, FEITO TODO UM TRABALHO METODOLOGICO DE ADAPTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO NO LOCAL A SER PLANTADO...
SALVO ATÉ SER DESENVOLVIDA SEMENTES HÍBRIDA...
O JATROPHA CURCAS É O FUTURO DO BIODIESEL A NIVEL MUNDIAL PELA SUA PRODUÇÃO PERENE...
NÃO EXISTE OLEAGINOSA NO MUNDO QUE PRODUZA MAIS POR HA. QUE A MESMA.
EXISTE O ÓLEO DE DENDE.... NO ENTANDO O MESMO SÓ PRODUZ A PARTIR DO 8° ANO FAZENDO COM QUE O JATROPHA O DERRUBE EM MATERIA DE PRODUÇÃO FINAL AO LONGO DE SUA EXISTÊNCIA.

LEOPOLDO HEITOR PAIM
ENG FLORESTAL
4

11.04.2008 - 18:02

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