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Sonho da "revolução" do biodiesel de mamona chega ao fim no Piauí

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domingo, 03 agosto 2008 . O Estado de S. Paulo   
Conferência BiodieselBR 2010
Depois de três anos, o sonho do presidente Lula de produzir biodiesel de mamona parece ter chegado ao fim. Ao colherem este ano uma safra irrisória, os pequenos agricultores do projeto Santa Clara, localizado entre as cidades de Canto do Buriti e Eliseu Martins, no sul do Piauí, sobrevivem de favores, de cestas básicas, e estão convencidos de que plantar mamona não é um bom negócio.

A própria empresa Brasil Ecodiesel, encarregada do empreendimento, já procura alternativas à mamona e passou a fazer experimentos na região com outras plantas, como o girassol e o pinhão manso. Mas as iniciativas são preliminares, pois ainda faltam conhecimentos técnicos mais profundos sobre as culturas alternativas.

Como resultado do fracasso do empreendimento, a usina de produção de biodiesel mantida pela empresa em Floriano, a 260 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, está em ritmo lento e vem utilizando basicamente a soja como matéria-prima, na ausência da mamona. No projeto Santa Clara, a imagem é de abandono, com muitas famílias deixando a área e as casas, construídas no início do projeto, desocupadas e destelhadas.

PRIMEIRA COLHEITA

No dia 4 de agosto de 2005, Lula participou da primeira colheita de mamona no projeto Santa Clara, que serviria de modelo para a integração da agricultura familiar ao programa do biodiesel. Na época, o entusiasmo do presidente era grande. Ele chegou a dizer aos pequenos agricultores presentes na solenidade que era possível fazer "uma revolução" a partir da mamona. A realidade, porém, mostrou-se bastante diferente do sonho vendido pelo presidente.

"Não colhi mamona nenhuma este ano", disse o agricultor Pedro José de Souza Filho, que guarda uma foto de Lula, quando o presidente visitou a sua modesta casa, durante a solenidade da colheita de 2005. "Só colhi mesmo dois sacos de feijão." E Pedro não foi o único que não colheu nada ou quase nada.

No início do ano, uma praga de lagartas dizimou os primeiros plantios de mamona do assentamento. A empresa Brasil Ecodiesel, parceira dos agricultores no empreendimento, foi obrigada a fazer o replantio. Mas não houve tempo. Em algumas áreas, a empresa chegou a arar a terra, mas a maior parte ficou sem plantio, o que afetou o rendimento dos agricultores.

O montante da safra deste ano ainda não é conhecido, mas as evidências indicam enorme frustração. "A safra de 2008 foi um desastre", disse Lino Hipólito Neto, um dos líderes dos agricultores. Ele próprio não colheu uma saca sequer de mamona. A empresa Brasil Ecodiesel informou ao Estado que "os volumes são relativamente baixos frente ao tamanho do projeto de agricultura familiar que a empresa desenvolve no Brasil, com cerca de 30 mil famílias". Os agricultores, que são chamados de "parceiros", dizem que a produção vem caindo ano após ano.

Em 2005, o primeiro ano do empreendimento, a colheita foi excepcional. Um levantamento feito pelos próprios agricultores indica que a safra do ano em que Lula visitou o empreendimento foi de 1,8 mil toneladas. No ano seguinte, a produção caiu para 1,2 mil toneladas. Em 2007, ano de pouca chuva, a produção caiu para somente 643 toneladas. Este ano, acredita-se que a colheita não tenha chegado à metade daquela obtida no ano passado.

A expectativa da empresa Brasil Ecodiesel era que cada parceiro conseguisse uma produtividade de pelo menos uma tonelada de mamona por hectare. "Em 2005, alguns parceiros chegaram a colher 2 toneladas por hectare", lembrou Lino Neto. Mas a produtividade foi caindo a cada ano, por causa de uma série de fatores, incluindo a falta de correção do solo e a piora na qualidade das sementes utilizadas, segundo informaram os agricultores.

CÉLULAS

O projeto Santa Clara impressiona por suas dimensões. No início, eram 665 famílias distribuídas em 19 assentamentos, chamados de "células". Cada uma das famílias ganhou um lote de 8,5 hectares. Deste total, 5 hectares deveriam ser destinados ao plantio da mamona e 2,5 hectares ao plantio do feijão.

A empresa ficaria com 30% da produção de cada "parceiro" para cobrir os seus custos com o empreendimento e os adiantamentos de dinheiro feitos aos agricultores. Não seria permitido o cultivo de qualquer outro produto na área. Apenas um hectare ficaria para que o "parceiro" pudesse cultivar o que desejasse. Mas essa regra não foi seguida por todos. Como o cultivo da mamona não apresentou os resultados esperados, alguns agricultores passaram a plantar mandioca e milho para aumentar sua renda. A empresa terminou aceitando a solução.

Porém, mesmo com essa flexibilização, a sobrevivência dos "parceiros" está dependendo da boa vontade da Brasil Ecodiesel, que paga, por mês, R$ 164 para cada família e ainda distribui uma cesta básica. Mas isso é um favor prestado pela empresa, pois não está no contrato, e os agricultores não sabem como irão um dia pagar esses benefícios. Por causa das dificuldades, os agricultores estimam que cerca de 40 famílias já deixaram o empreendimento.

Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa

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Comentarios (6)add comment

Telmo Heinen :

Culpados
Não há culpados ? Está tudo errado.
Fazer biodiesel está errado porque seria muito mais lógico fabricar motores capazes de utilizar qualquer tipo de gordura, vegetal ou não, sem ser transesterificada.

Já que a "Nação" DECIDIU que seria feita adaptação do combustível e não dos motores... além de arcar com as conseqüências desta decisão, tem que ter a sensatez de concluir que o melhor óleo vegetal para se fazer biodiesel... é simplesmente aquele que for mais barato de obter.

Entretanto, os "poetas" de plantão discutem o sexo dos anjos, discutem abobrinhas em torno da planta que seria a melhor para fazer biodiesel e agora, que não ocupe área de produção de alimentos...

Esta solução está caindo de maduro desde 2005: Está nas plantas perenes, o resto é conversa fiada.
Leucena, Moringa, Pinhão Manso, Macauba, Ouricuri, Oiticia, Palma (dendê), Babaçú, Tungue lá no Sul, até o Pequizeiro serve.

Ah!, leva muitos anos para produzir ? Lembro que três ANOS já se passaram e só alguns poucos aproveitram este tempo, providenciando à duras penas, geralmente com sofridos recursos próprios, a implantação destas culturas e a grande maioria acompanha os "poetas" acima... em seu corolário imbecil.
 
3.08.2008 - 21:46
Votos: +0

Wilson de Oliveira :

Parabenizando o amigo Telmo...
Parabéns para o amigo Telmo...

{Esta solução está caindo de maduro desde 2005: Está nas plantas perenes, o resto é conversa fiada.
Leucena, Moringa, Pinhão Manso, Macaúba, Ouricuri, Oiticica, Palma (dendê), Babaçu, Tungue lá no Sul, até o Pequizeiro serve}.

Como você falou de Leucena, e, neste final de semana recebi vários e-mails falando da “mimosina” (que faz cair o pelo da criação), achei oportuno informar que num dia-de-campo realizado pelo Banco do Nordeste, aqui em São Raimundo Nonato, justamente para orientar o uso correto da LEUCENA. Um dos convidados veio a cavalo em um “jumento” e o amarrou debaixo de um pé de leucena.

Foi ventilado na ocasião que em algumas variedades de leucena com taxa elevada de “mimosina” provocava a queda de pelos dos animais. Foi explicado que não havia nenhum problema com os ruminantes. Já o cavalo, o burro e jumento não deveriam comer por causa da queda de pelos que a “mimosina” provocava. Os suínos engordam comendo Leucena, só que cai o pelo.

Estava participando desse dia-de-campo um criador que também era cordelista. Ele não perdeu a oportunidade, e construiu esta décima:

Quem rumina recebe esta ração / Pra caprino e ovino é cem por cento / Só não burro, cavalo nem jumento / Essa é sua contra indicação / Mas diante o calor do meu Sertão / Leucena bondade ainda revela / Seja ele animal de carga ou sela / Se não pode comer sua ramagem / Mas terá o descanso da viagem / Recebendo o frescor da “sombra dela”.
(Neste momento apontou para o jerico que estava amarrado no tronco do pé de Leucena).

Wilson de Oliveira
PATAMUTÉ CONSULTORIA LTDA.
 
4.08.2008 - 09:14
Votos: +0

Wilson de Oliveira :

Respondendo a vários e-mails sobre a Leucena.
Respondendo a vários e-mails sobre a Leucena. Há mais de 100 varidades de Leucenas...

Leucena leucocephala.
Conhecida e usado no México desde os tempos dos maias, a leucena é uma leguminosa da subfamília das “mimosas”, parente da bracatinga, do ingá, do angico e da unha de gato (ou arranha gato). Seu nome científico Leucena leucocephala – quer dizer leucena-da-cabeça-branca, por causa da sua flor branca e redondinha.
Há mais de 100 variedades, basicamente divididas em três grupos:

O havaiano, de plantas menores, arbustivas;

O peru, de porte médio, apropriado para alimentação de animais e que é o que mais se encontra no Brasil;

O salvador, de que fazem parte as plantas maiores e de crescimento rápido vocacionadas ao reflorestamento e a produção de lenha, carvão e celulose. (este é o grupo ideal para florestar as margens dos rios para evitar o desbancamento e o conseqüente assoreamento, prejudicando a navegação)

No Brasil a Leucena vai bem de norte a sul, cobrindo desde regiões com apenas 400 milímetros de chuva por ano até outras com 4.000 milímetros. Só não gosta mesmo de lugar encharcado ou de frio permanente. Permite até quatro cortes por ano e rebrota com tantos ramos que é até recomendado desbaste quando se quer que ela cresça depressa.

A formação de um campo de leucena faz-se normalmente por semeadura. Como fator econômico, usa-se plantar a leucena junto (consorciada) com milho ou arroz, aproveitando a terra preparada.

Na região de “serrado” é imprescindível corrigir a acidez do solo e inocular a semente com o “rizobiun”.

E no semi-árido nordestino a semeadura é desaconselhada porque a plantinha pode não resistir a falta de água nos primeiros dias.

É preciso, então, fazer a sementeira em saquinhos e só levar as mudas para o campo quando elas já estiverem com pelo menos 20 centímetros de altura.
Revista Globo Rural - Ano 1 – N° 13 – outubro de 1986
Reportagem de José Hamilton Ribeiro
 
4.08.2008 - 12:12
Votos: +0

João dos Santos :

Mamonas assassinas
Amigos, ELES não desistem. Há pouco o Ex ministro Miguel Rossetto e futuro Diretor da Petrobras Biocombustivel, abriu o III Seminario Produção de Mamonas na Bahia só com elogios para o fabrico de biodiesel a partir da mamana. Segundo o Rosetto a Petrobras vai continuar, aumentar e incentivar a utilização da mamona no biodiesel.
È o dinheiro publico então bota pra quebrar. So temos uma explicação para tais decisões: Querem continuar fazendo politica partidaria, atraves do MDA, alavancando a turma do PT e torrando nosso dinheiro de forma errada.
Sera que esta turma do PT e o pessoal da Petrobras não tem visão? qualquer cidadao com o minimo de conhecimento sobre o assunto sabe que fora da Palma, pinhao manso, macauba ( a "PALMA" brasileira, tem em tudo que é clima) não temos como abastecer uma usina de biodiesel com a agricultura familiar. Ou vamos para palma e pinhao manso ou entao vamos continuar usando a soja para fazer biodiesel. Não tem outra solução.
A mamona foi muito bom para o LULA fazer propaganda do biodiesel e para a BRASIL ECODIESEL retirar incentivos e outras coisas dos governos do PT. Vejam a situacao la no Piauí, 6000 agricultores em pé de guerra com a Brasil Ecodiesel, enganados pela empresa e o que é pior, com a cumplicidade do governo estadual e federal. Chega, vamos da um basta nesta farra de dinheiro publico.
Esta nova empresa da Petrobras vai sobreviver simplismente porque vai ter recrsos oriundos da empresa mãe, que é rica e vai bancar esta brincadeira por muito tempo.
 
6.08.2008 - 22:35
Votos: +0

CRISTIANO FARIAS :

Mamonas Assassinas
Mamonas Assassinas. A mamona do LULA vai ter o mesmo fim que os MAMONAS ASSINAS tiveram.
 
7.08.2008 - 09:53
Votos: +0

CRISTIANO FARIAS :

Transesterificação
Transesterificação não é imposto não. Não fiquem assustados. É simplesmente um nome feio!
Processo de fabricação
O biodiesel é comumente produzido através de uma reação denominada transesterificação de triglicerídeos (óleos ou gorduras animais ou vegetais) com álcoois de cadeia curta (metanol ou etanol), tendo, entre outros, a glicerina como sub-produtos. A reação de transesterificação é catalisada por ácido ou base, dependendo das características do óleo e/ou gordura utilizados.
 
7.08.2008 - 11:31
Votos: +0

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