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Biodiesel

Brasil se prepara para produzir biocombustível


Folha de Londrina - Luciana Pombo - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Apesar de ser pioneiro, País está atrasado nos estudos de tecnologia e projetos seguem em ritmo lento

A Agência Internacional de Energia prevê que até 2020 cerca de 30% da matriz energética mundial seja composta por biocombustível. O Brasil, que foi o primeiro País a produzir álcool combustível, está atrasado nos estudos e da tecnologia para abrir novos mercados e expandir a produção atual, que é de 16,7 bilhões de litros de álcool. A previsão é de que em 2010 sejam necessários entre 27 bilhões e 30 bilhões de litros para suprir a necessidade que o Brasil terá de abastecer, inclusive, o mercado automobilístico nacional que tem apostado nos carros bicombustíveis, que oferecem tecnologia para uso de álcool ou gasolina.

O setor sucroalcooleiro possui hoje 321 usinas (todas com projetos de ampliação) e 45 em instalação. A média de crescimento foi de 13,2% em cada um dos últimos quatro anos. Com 3 milhões de trabalhadores, o setor movimenta US$ 20 bilhões anualmente.

De acordo com Maurilio Biagi Filho, um dos pioneiros na implantação do Programa Nacional do ProÁlcool e presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira, para que o Brasil corresponda às expectativas nacionais terão que ser plantados pelo menos três milhões de hectares a mais de cana-de-açúcar até 2010. Atualmente são 6 milhões de hectares. Os Estados que têm mais tendência de suprir esta demanda são São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Outros Estados como Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também deverão receber novas lavouras de cana-de-açúcar. ''A cana é um produto completo porque produzimos com ela o açúcar, o álcool e fazemos com o bagaço o vapor necessário para termos energia elétrica sem precisar queimar petróleo'', ponderou o especialista.

O Brasil tem atualmente cerca de 50 novas usinas em andamento. Deste total, apenas três deverão ser projetadas para o Paraná (Terra Rica, Paraíso e Paranavaí). Biagi falou ainda sobre o biodiesel e o uso do álcool via etanol para produção do produto que poderia vir a substituir o diesel. ''Hoje o álcool combustível substitui a gasolina. É importante termos um outro combustível, que tem sido chamado de biocombustível, para substituir o diesel. Poderemos fazer isto de duas formas: via etanol ou via metanol'', complementou ele.

O professor Miguel Dabdoub, presidente do Projeto BiodieselBrasil e da Câmara Paulista de Biocombustíveis, aposta em outras culturas para a produção efetiva do biocombustível. Entre as mais rentosas estariam a palma africana (conhecida vulgarmente como ''dendê''). ''O Brasil não está progredindo como poderia por falta de incentivos. O País não pode perder o trem do progresso. Temos que rediscutir os marcos tributários, de preços e de competitividade, ou perderemos a liderança internacional'', pontuou ele. Algumas experiências estão sendo realizadas em todo o mundo.