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Biodiesel

Biodiesel deve substituir 2% do diesel


Correio da Bahia - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Com a auto-suficiência de petróleo já assegurada para o início de 2006, quando o Brasil deverá estar produzindo diariamente 1,9 milhão de barris, o grande desafio passa a ser elevar a produção de diesel com o objetivo de reduzir a dependência da importação, com forte impacto na balança comercial. E é neste contexto que, segundo o presidente da Petrobras, o economista baiano José Sérgio Gabrielli, o Programa Nacional de Biodiesel surge como uma grande esperança de transformação da matriz energética do país, com substituição, até 2008, de 2% do diesel pelo biodiesel, uma fonte de energia renovável.

Um passo importante para viabilizar o Programa de Biodiesel foi dado ontem, na Governadoria, com a assinatura do protocolo de intenções entre Gabrielli, o governador Paulo Souto, o presidente da Codevasf, Luís Carlos Everton de Farias, e o superintendente estadual do Banco do Nordeste, Paulo Sérgio Rebouças Ferraro. O objetivo é a construção, pela Petrobras, de uma usina de produção de biodiesel na região metropolitana de Salvador. Por enquanto, segundo José Sérgio Gabrielli, não há definições sobre prazos ou valores que serão investidos: "Algumas possibilidades estão sendo estudadas". Extra-oficialmente, especula-se que a usina consumirá cerca de US$20 milhões, para produção de 40 milhões de litros anuais.

O Programa Biodiesel tem sido tratado como prioritário também pelo governo estadual, sobretudo pelo forte componente social. O biodiesel pode ser produzido a partir de oleaginosas como mamona, dendê, algodão e soja, produtos fartos no estado e que podem estimular a agricultura familiar. "É um programa extremamente desafiador", classificou o governador Paulo Souto, deixando claro o interesse do estado em apoiar as iniciativas do governo federal para torná-lo realidade.

No caso da mamona, principalmente, a produção do biodiesel pode mudar a realidade do semi-árido baiano. "Já conseguimos passar nossa produção para 140 mil toneladas, envolvendo sobretudo pequenos produtores", frisou Paulo Souto. A Codevasf também está implantando uma usina piloto de processamento de mamona, em Irecê, com recursos da ordem de R$1 milhão, sendo R$500 mil do governo federal e o restante do estadual, para produção diária de mil litros.

Apesar da grande expectativa em torno do projeto, José Sérgio Gabrielli observa que muitos entraves precisam ser vencidos para que o governo consiga atingir a meta de adicionar 2% de biodiesel ao diesel consumido no país, até 2008 (a previsão é de uma economia em torno de US$350 milhões em importações). Entre essas barreiras, ele cita a tecnologia para processamento de diferentes produtos, a logística de transporte, a organização dos produtores, e a forma de produção, que precisará ser contínua.