Punição abala receita da Brasil Ecodiesel |
|
|
| quarta, 24 setembro 2008 . Valor Econômico | |||||||||||||||||||||||||
|
A Brasil Ecodiesel, maior produtora nacional de biodiesel, tem cinco unidades espalhadas pelo país. Na inauguração de quatro das cinco plantas, o convidado mais ilustre era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, grande entusiasta do programa de biodiesel, combustível sempre tido por ele como ferramenta da inclusão da agricultura familiar à indústria de biocombustíveis. Passadas cinco inaugurações, quatro visitas presidenciais, cinco anos desde sua criação e 22 meses desde sua oferta pública inicial de ações, a companhia vai encerrar o ano praticamente sem direito de gerar receita no mercado interno. Na segunda-feira, o Diário Oficial da União informou o cancelamento dos contratos de venda de biodiesel pela Brasil Ecodiesel arrematados nos dois leilões mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizados em agosto. Dos 70 milhões de litros que caberiam à empresa, 63,6 milhões não poderão ser vendidos devido ao cancelamento. De acordo com o preço oferecido pela empresa em diferentes lotes, que ficou entre R$ 2,612 e R$ 2,616 por litro, isso significa uma receita de R$ 166,28 milhões que deixará de ser gerada. O montante é mais que o triplo do faturamento do segundo trimestre deste ano, quando a empresa teve receita bruta de R$ 53,3 milhões. É também mais de 140% superior à receita bruta do último trimestre de 2007, que foi de R$ 68,5 milhões— os volumes comprometidos pelo cancelamento seriam para entrega no último trimestre deste ano. Nem toda a receita dos últimos três meses do ano foi comprometida, já que foi mantido o direito de venda de 6,4 milhões de litros, o que corresponderá a uma receita de R$ 16,4 milhões. O cancelamento foi feito por falta de entrega de biodiesel ao longo do terceiro trimestre, segundo o superintendente de abastecimento da ANP, Edson Silva. Quando deixa de entregar ao menos 50% do combustível arrematado nos leilões por quatro semanas consecutivas, a empresa pode ter o contrato de fornecimento cancelado pela Petrobras, a compradora única desse setor no mercado interno. Passadas essas quatro semanas, a fornecedora tem ainda um mês para apresentar suas justificativas. Esse rito não foi seguido pela Brasil Ecodiesel no terceiro trimestre, diz o superintendente — no período, as unidades de Iraquara (BA), Itaqui (MA) e Rosário do Sul (RS) deixaram de entregar entre 82% e 95% do combustível que deveriam, segundo a ANP. A receita ficará comprometida porque, no mercado interno, as vendas só podem ser feitas por meio dos leilões realizados pela agência. Uma das punições previstas é a perda do direito de participação no leilão subseqüente — que foi, nesse caso, a rodada de agosto, já homologada pela ANP. “Como a empresa deixou de atender uma exigência, nós interpretamos que ela não podia participar da última rodada. Como o resultado do leilão já havia sido confirmado, essa homologação foi cancelada”, afirma Silva. A ANP deve divulgar nos próximos dias o edital de um leilão extra, que servirá para substituir os 63,6 milhões de litros que seriam originalmente entregues pela Brasil Ecodiesel. O leilão deverá ser feito para a compra de 64,8 milhões de litros — a fabricante Renobrás, que tem unidade em Dom Aquino (MT), recebeu punição idêntica à da Brasil Ecodiesel e também teve o contrato cancelado, segundo o superintendente. Seu volume, de 1,2 milhão de litros, contudo, era bem menor. A Brasil Ecodiesel enfrenta problemas desde sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), realizada em novembro de 2006. A empresa esperava levantar até R$ 694 milhões com a operação, mas obteve R$ 378 milhões, ou 54% do valor almejado. Seu projeto de ter boa parte da produção à base de matérias-primas como mamona e pinhão-manso não deu o resultado esperado porque a cadeia de produção dessas culturas ainda é pouco estruturada no Brasil. Assim, partiu-se para a soja, que abastece cerca de 90% da indústria brasileira de biodiesel. O preço da oleaginosa disparou e, com ele, subiram também os custos da companhia, que tem registrado prejuízos crescentes nos últimos trimestres. As incertezas são refletidas pelo desempenho de suas ações na Bovespa. Ontem, seus papéis ON caíram 0,57%, para R$ 1,74, mas o declínio acumulado apenas em setembro é de 32,30%. Desde o IPO, a baixa é de 85,80% — no mesmo período, o Ibovespa acumula alta de 19,30%. Em agosto, a companhia informou a renegociação de débitos que somam R$ 205,868 milhões, com prazo de 48 meses para liquidação e 12 meses de carência. Procurada, a empresa preferiu não conceder entrevista. Na segunda-feira, informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ter sido surpreendida pelo cancelamento dos contratos para entrega de biodiesel no último trimestre e que “está estudando todas as medidas cabíveis”. “É provável que a empresa mantenha o produto estocado para participar do próximo leilão, mas seu resultado vai ser muito ruim porque ela não vai poder gerar caixa. É provável que ela precise de mais empréstimos”, diz Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora. “Mas a situação se complica porque a Brasil Ecodiesel precisa do dinheiro tanto para compra de matériaprima quanto para manter sua estrutura. As operações podem ser comprometidas no médio ou mesmo no curto prazo”. Patrick Cruz Textos Relacionados:
![]() Comentarios (6)
![]()
Rui Seiti Kamimura Jr. GDTS-ESALQ-USP :
|
|||||||||||||||||||||||||
|
Matérias Primas Prezada equipe biodieselbr, A soja é sem dúvida a principal matéria prima para produção de biodiesel do mercado interno. Porém, como foi destacado nesse artigo os patamares de preços da oleaginosa alcançaram níveis que a tornam proibitiva para atender os 90% da demanda por biocombustíveis. Alternativas como a mamona e o pinhão manso não são produzidos em escala suficiente para atender o mercado nacional sendo, portanto restritos a mercados regionais. Uma boa alternativa para atender esse mercado é o nabo forrageiro (Raphanus sativus) que possui de 35-40% de óleo (o dobro da soja) e pode ser implantado no sistema de rotação de culturas sem competir com as culturas comerciais (soja, milho e sorgo), pois é uma cultura de inverno pouco exigente em água e nutrientes. Essa brassica é amplamente usada como adubo verde nas regiões Sul e Sudeste, pois é aliada no controle natural do mato e excelente recicladora de nutrientes. Obrigado pelo espaço. |
|
|
FUNDO DO POÇO Leitores do BIODIESELBR, as ações da Brasil Ecodiesel caba de bater no fundo do poço, se é que já estamos lá, cotadas a R$ 1,51 . É triste ver o hecatombe de uma empresa que chegou a ter um valor de mercado de R$ 1,5 bilhões, com seis usinas de produção de biodiesel. Fica a pergunta : O que de fato está por trás de tal hecatombe? porque uma grande empresa, que chegou a ser o maior produtor de biodiesel do Brasil chega a este ponto? e os acionistas, quanta perda finaceira em tão pouco tempo? Quanto aos seus funcionarios e agricultores cadastrados o que será que vai acontecer? Qual o impacto que a falencia da Brasil Ecodiesel trara ao Programa Nacional de Produção de Biodiesel? Com a palavra e ações o Governo Federal e o MDA. O MDA principalmente, pois não é justo deixar abandonados os milhares de pequenos agricultores que fazem parte da cadeia de suprimento da Brasil Ecodiesel. O Sr. Arnaldo Campos deveria ter agora um papel fundamental para amenizar a situação destes pequenos agricultores. Quem não está na situação daquele pessoal do campo não tem a menor ideia do que seja necessidade e desamparo. São pais e maes de fmilias carentes que estao passndo precisão e constrangimentos. Eles não são culpados pela derrocada da Brasil Ecodiesel e deveriam ter a solidariedade de todos os que fazem o negocio biodiesel no Brasil. Porque a PETROBRAS não atua no sentido de minimizar a situação desta familias, trazendo e incorporando estes pequenos agricultores na sua cadeia produtiva? a PETROBRAS tem três usinas localizadas em estados onde a Brasil Ecodiesel tinha um contigente muito gtnde de pequenos agricultores. Com a palavra o PRESIDENTE LULA, o Ministro do MDA, o SECRETARIO GERAL DO PNPB, o EX-MINISTRO Miguel Rossetto, os Governadores dos estados do Piauí, Ceará, Maranhão e Bahia, pois nestes estados a PETROBRAS teria condições de absolver aqueles pequenos agricultores. Peço que os leitores tenham sensibilidade a estes posicionamentos e não se esqueçam, que estamos falando de GENTE, falando de CRIANÇAS, HOMENS E MULHERES. |
|
|
Hora de revisão É isso aí Luciano Mendes, por enquanto ninguén se preocupa em olhar o outro lado da moeda, a agricultura familiar, os trabalhadores e as cidades que recebem renda das unidades da Brasil Ecodiesel (via salários). Essa situação chegou a esse ponto, dada as deficiências institucionais do PNPB: preço de referencia baseado na soja (dado que as empresas do nordeste tem que utilizar 50% de sua matéria-prima advinda da agricultura familiar, ou seja, dificilmente será a soja); grande números de unidades produtivas (competição nos leilões, portanto, redução do preço); falta de investimentos em pesquisa & desenvolvimento das potenciais culturas de oleaginosas para cultivo em pequena propriedade; falta de investimentos para a financiar a produção dos agricultores familiares (R$ 10 milhões para toda a agricultura familiar em 2007); falta de tecnologia apropriada para aumentar a produtividade desses agricultures, bem como, falta de educação básica (entre outras carências históricas); entre outras falhas. Acredito que seja hora do governo revisar o PNPB, ou o futuro do biodiesel no país estará comprometido, consequentemente os ganhos sociais vinculados a sua produção. Quando foi para implacar o álcool, todos os esforços foram direcionados para isso, mas naquele momento beneficava o grande produtor (industrial e agrícola), agora que é para beneficiar parte da agricultura familiar, se torna oneroso, essa é nossa sociedade, beneficiar o grande está tudo bem, mas quando precisamos estimular o pequeno produtor, isso vai contra as regras. |
|
|
Análise errada: Prezado Junio Garcia, você está errando na análise da mesma forma como grandes empreendedores (falsos) fizeram, na intenção de se aproveitar das benesses oficiais como estavam acostumados. A pegunta mais óbvia nunca responderam, e qual era ? A pergunta continua sendo "Qual é o melhor óleo para se fazer biodiesel?" A resposta correta é: O óleo que fôr mais barato... portanto você corrobora com as premissas erradas. A produção da mamona é ou deveria ser, maior ou menor, não em função da sua utilização para fazer biodiesel, mas sim em função do preço de venda, da renda que gera para quem a cultiva. Se o preço de venda é bom, o sertanejo não quer saber se aquilo serve para fazer biodiesel ou não. Pouco importa. Por isso não adianta reclamar que falta pesquisas sobre oleaginosas, e coisas do tipo. Pura balela. Finalmente, observe esta máxima: É totalmente utópica a mínima possibilidade de sucesso na colheita de qualquer cultura anual em terras de cerrado ou caatinga sem que se faça a correção da acidez do solo e neutralização do Alumínio tóxico. Nenhuma planta produz economicamente quando "passa" fome e sede... Quem não sabe nem fazer a correção do solo com calcário.... está no mínimo 30 anos atrasado. Att, telmo heinen @yahoo.com.br sem pontos e sem espaços. |
|
|
AGRICULTURA FAMILIAR O presidente Lula só participou das inaugurações das fabricas da Ecod3, em função da AGRUCULTURA FAMILIAR(diga-se mais votos),pois foi justamente este AGRICULTOR FAMILIAR, que muitos estão com peninha(veja comentarios acima), é o 171 da história, firmou contratos com a Ecod3 para entrega da MAMONA, e na verdade vendeu ao primeiro que ofereceu mais(nem esta ai para os contratos) isto é BRASIL.Agora a crise da Ecod3 não é devido a estes fatos e sim porque seus ADMINISTRADORES são muito incompetentes e irresponsaveis, não entregam o BIODISEL(que venderam através de leilões)e acham que vai ficar por isso.CONCLUSão o tiro saiu pela culatra, estão se ferrando e nósjuntos. |
|
|
Não dá para contrariar a lei de mercado Venho acompanhando o biodiesel e vejo que a equação em si não é muito complicada. Temos os combustíveis tradicionais (etanol, gasolina, diesel, etc) que servem de parâmetros de custos. Para que um combustível alternativo seja viável (aí entra o elementar mercado), tem que ser competitivo com os que já estão aí postos. Fora disso, é colocar os burros n´água. Desde o começo das discussões do biodiesel, a gente via a precariedade da análise econômica das matérias primas emergentes. Pouca informação com a chancela do pessoal da área técnica e científica. Sem essa chancela, a gente tem um risco enorme de entrar numa furada, mesmo que cheio de boas intenções. Defendo que deveria haver o direito e não a obrigação de adição de X por cento de biodiesel no diesel e que isto fosse colocado obedecendo a lei de mercado. Forçar a barra é cair nesse imbróglio que estamos hoje, com as oleaginosas caras e não competitivas e a obrigação de entrega do biodiesel conforme contratos. Alguém disse que um dos motivos da coisa não dar certo é que as cadeias produtivas das mat.primas alternativas não estarem estruturadas no interior. É isso mesmo. Sem estrutura não há suprimento e não se tem idéia de custo e benefício. Não se sabe da viabilidade. Desde o começo dava para ver que o pessoal levou tudo no oba oba. Lucro se associa a risco e não tem lucro fácil. Agora, fora o drama social de quem fornece a matéria prima, fica o pessoal querendo empurrar o ônus de tudo para as costas do Tesouro, que é o bolso da sociedade. O bônus era privado e agora o ônus querem nos empurrar. Tem que fazer estudos mais aprofundados para projetos dessa maginitude. Tem que saber que estamos na economia de mercado e qualquer coisa que queira destoar disso, vai furar. |
|