Programa do biodiesel pode elevar demanda por óleo de soja
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quarta, 02 fevereiro 2005
. Reuters
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O Brasil está avançando em seu programa de biodiesel, que poderá criar uma nova demanda por óleos vegetais equivalente a cerca de 2 milhões de toneladas nos próximos anos, disseram especialistas.
Embora o governo tenha anunciado o programa como um meio de ajudar famílias pobres que produzem basicamente mamona e palma no Norte e Nordeste, pessoas no setor de óleo afirmam que apenas a indústria de soja poderia produzir a quantidade de óleo vegetal que seria necessária quando a mistura de biediesel ao diesel se tornasse obrigatória.
"Há uma grande oportunidade para cumprir um bem social ajudando comunidades mais pobres, mas há também um grande potencial para a indústria de soja," afirmou à Reuters Carlo Lovatelli, presidente da Abiove, entidade que reúne os processadores de soja no Brasil.
"Mas para que dê certo é essencial a obrigatoriedade do uso do biodiesel," acrescentou ele.
Até agora, no entanto, a regulamentação do governo estipula apenas o uso opcional de até 2 por cento de biodiesel (B2), e nenhum distribuidor começou ainda a misturar o combustível verde ao diesel nacional, baseado no petróleo.
A proposta do governo prevê que o biodiesel B2 se torne obrigatório até o final de 2007 e que misturas mais altas de 5 a 20 por cento (B5-B20) se tornem obrigatórias até 2012.
O Brasil consome cerca de 40 bilhões de litros de diesel anualmente. Um programa B5 obrigatório iria resultar em nova demanda por cerca de 2 milhões de toneladas de óleo vegetal por ano, informou a Abiove. O Brasil produziu cerca de 5,5 milhões de toneladas de óleo de soja na última temporada, dos quais aproximadamente 2,4 milhões de toneladas foram exportados.
O programa de biodiesel é semelhante ao programa brasileiro premiado de álcool combustível, que deu sustentação ao preço do açúcar, cujo maior produtor e exportador é o Brasil. Toda a gasolina vendida tem 25 por cento de álcool, do qual o Brasil também é o maior exportador mundial.
A BR Distribuidora, a maior varejista de combustível e distribuidora da Petrobrás, destinou 20 milhões de reais para construir unidades de armazenamento para começar a utilizar o biodiesel.
Outros distribuidores como a Royal Dutch/Shell Group estudam o uso do novo combustível, que é mais caro para produzir do que o petróleo. Lovatelli disse que o óleo vegetal a 200 dólares a tonelada seria competitivo com o petróleo.
Representantes de indústrias de óleos vegetais dizem que o governo tem que conceder descontos nos impostos e incentivo aos produtores de biodiesel, especialmente aos produtores de mamona, para que o programa seja economicamente viável.
Já existem corretoras, como a NovaFox, interessadas em negociar biodiesel.
"Ainda não há preços definidos para o produto, mas nós temos já um vendedor no Nordeste, cujo nome ainda não pode ser informado", disse Ivan Bueno, um dos diretores da NovaFox.
Segundo ele, a logística para distribuição do biodiesel no país também é um obstáculo para o sucesso do programa neste momento.
Norberto Freund, trader de farelo de soja da Vision Grain, acha que apenas o óleo de soja poderá garantir a oferta se o programa decolar e chegar aos patamares previstos em um período de 5 anos.
Segundo ele, isso traria mudanças para o mercado de farelo, com queda dos preços.
"Se o óleo de soja se tornar o produto de maior participação no programa de biodiesel, nós teremos um monte de farelo de soja barato sendo produzido. E isso poderia contribuir para um segundo 'boom' nos setores de frangos e suínos", afirmou Freund.
O farelo de soja é um dos principais ingredientes na alimentação animal.
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