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Biodiesel

Metodologia inédita para a produção de biocombustível


Jornal do Estado – Cuiabá/MT - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:21

No momento em que o biodiesel surge como uma alternativa real para reduzir a dependência de derivados do petróleo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, lançou na sexta-feira passada, em São Carlos (SP), metodologias inéditas e equipamentos de última geração para produzir desde a análise do teor de óleo em sementes de mamona até a realização de medições em tempo real por um novo sistema de ressonância magnética.

O projeto, lançado durante as comemorações dos 20 anos da Embrapa Instrumentação Agropecuária, já está aprovado pela Rede Brasil de Tecnologia (RBT) e avaliado em R$ 300 mil.

Nele, há medidas e a avaliação da qualidade de produtos agroindustriais via rede de computadores por ressonância magnética. A nova metodologia, chamada de estado estacionário, inédita no mundo, é ultra-sensível e permite a aquisição de milhares de dados por segundos.

O projeto significa um avanço nos processos de automação da avaliação de sementes e grãos. Nos métodos convencionais, dez vezes menos sensíveis e rápidos, é possível apenas uma análise.

A Embrapa tem parcerias com o Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal Fluminense (UFF).

A Embrapa Instrumentação Agropecuária está desenvolvendo um espectrômetro dedicado a essa nova metodologia com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Finep/RBT.

Já foi assinado um convênio com a empresa Gil Equipamentos Industriais, de Ribeirão Preto (SP), para a implementação do projeto. O pesquisador Luiz Alberto Colnago, responsável pelo projeto, estima que em dois anos a tecnologia já esteja disponível no mercado.

Em sementes oleaginosas não só a quantidade, mas também a qualidade do óleo é importante, explica Colnago. Aplicando metodologia de ressonância magnética, é possível avaliar a qualidade por meio da determinação de parâmetros, como o grau de insaturação ou sua composição em gorduras insaturadas.

Geralmente de interesse para consumo humano, a gordura insaturada não é desejável para uso como combustível, porque gera muitos compostos indesejáveis e decompõe-se facilmente.

“Com a ressonância magnética, ganha-se rapidez, sem envolver extrações químicas, além da possibilidade de analisar de forma não-destrutiva as próprias sementes e agilizar programas de melhoramento genético”, diz Colnago.

As análises são feitas num espectrômetro de ressonância magnética de US$ 500 mil, único em instituição de pesquisa agrícola no país.

O uso da ressonância magnética na Embrapa Instrumentação começou praticamente junto com a história do centro, em 1984. O primeiro equipamento, avaliado hoje em R$ 50 mil, acaba de ser adquirido pela Petrobras e será instalado para analisar o teor de óleo em mamona.

A empresa adquiriu dois aparelhos que serão usados para auxiliar a produção de biodiesel. O espectrômetro de ressonância magnética permite analisar em segundos teores de óleo em sementes e grãos sem destruir as sementes.