Manguinhos em atraso com biodiesel
Com início das operações previsto para a primeira quinzena de dezembro, a Refinaria de Manguinhos ainda não deu partida à produção de biodiesel. A empresa não comenta o assunto, mas informações dão conta de que o atraso estaria relacionado à emissão de alvará pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A refinaria está sem atividade de refino desde agosto de 2005, por conta da escalada do preço do petróleo no mercado internacional, e está operando apenas como distribuidora de combustíveis.
A Prefeitura afirma que a emissão de alvará é procedimento de trâmite rápido, que não ultrapassa 30 dias. Os atrasos ocorrem, normalmente, por falha na entrega dos documentos exigidos. A área que abrigará a unidade produtiva foi arrendada pelo grupo paulista Ponte di Ferro, que ficará responsável pela comercialização do produto. A empresa participou do quarto leilão de venda de biodisel, organizado em julho pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Na quinta-feira, durante debate na Sala de Monitoramento do Biodiesel, a presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster, criticou a morosidade do processo. Segundo ela, a refinaria de Manguinhos tem localização privilegiada, entre os maiores centros consumidores do produto Rio e São Paulo, e por isso deveria poder operar.
Fontes ligadas ao assunto dizem que a empresa tenta atender às exigências da Prefeitura e que estima o início das operações na próxima semana.
Na época do anúncio do início das operações, no final de novembro de 2006, a licença ambiental, emitida pelo Estado (por intermédio da Feema), já havia sido publicada no Diário Oficial.
O licenciamento envolveu a nova tecnologia de produção, que permite o uso de três tipos matérias-primas na geração do biodiesel: sebo animal, óleo de soja e óleo de girassol.
Os sócios Grupo Peixoto de Castro e Repsol YPF investiram R$ 2 milhões para produzir 48 milhões de litros/ano do produto.
A diretoria da empresa planeja, no futuro, investir mais US$ 10 milhões na construção de uma outra usina de biodiesel, o que permitiria elevar a produção das empresas para 360 milhões de litros/ano.
A atuação como distribuidora foi a alternativa encontrada por Manguinhos para não fechar as portas. O descompasso entre a cotação do barril de petróleo e os preços no mercado nacional, tornaram a refinaria deficitária. Houve paralisação das atividades e demissões.
A empresa, que já teve cerca de 600 funcionários, hoje tem em seus quadros apenas 100. Para não abandonar totalmente a atividade de produção de combustíveis, a empresa optou pelo biodiesel.


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