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Biodiesel

Lula inaugura no Piauí fábrica de petróleo verde


Maxpress Net - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

O Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cadeia Produtiva da Mamona, empreendido pelo governo do Piauí, está dando o que falar fora do Nordeste. Não é à toa que o presidente da República aceitou participar da inauguração em Floriano. O programa atrai investidores, gera emprego e renda e promove a reforma agrária a partir da ocupação organizada de terras para o plantio da mamona.

De acordo com o gerente da fábrica de Floriano, Arlindo Pereira, a unidade da Brasil Ecodiesel vai produzir cerca de 90 mil litros de biodiesel por dia à base do óleo de mamona. Também vai gerar, segundo ele, 100 empregos diretos e, contando com as famílias que vão trabalhar no processo de colheita de mamona, vai proporcionar a ocupação da mão-de-obra de 5 mil a 10 mil pessoas, dependendo da quantidade de contratos de venda do produto.

A área plantada de mamona pela Brasil Ecodiesel se estende por todos os Estados do Nordeste, exceção de Sergipe. "Hoje, chegamos a uma faixa de quase 30 mil hectares plantados", contabiliza Pereira, acrescentando que, desse número, cerca de 8 mil hectares são no Piauí, abrangendo os municípios de Canto do Buriti, Alvorada do Gurgüéia, Oeiras e Manoel Emídio.

O núcleo de produção Santa Clara, em Canto do Buriti, concentra 700 famílias das 4.000 envolvidas no projeto no Estado e das 15 mil famílias no Nordeste. Segundo o diretor-geral da Brasil Ecodisel, Nelson Cortez, a produtividade da Brasil Ecodiesel aumentou efetivamente este ano. "A gente deve chegar a cerca de 130 mil hectares, no Piauí, e 250 mil hectares plantados em todo o Nordeste", anunciou.

O projeto da Brasil Ecodiesel tem como meta desenvolver o biodiesel, a partir da produção de mamona nos núcleos comunitários. O primeiro núcleo implantado pela empresa foi instalado, há pouco mais de dois anos, em Canto do Buriti, englobando 320 famílias distribuídas em 3.200 hectares.

O município de Anísio de Abreu, que fica a 650 km ao sul de Teresina, é considerado a capital da mamona. Possui clima propício para o plantio da mamona e, através da proposta do Governo do Piauí em impulsionar a produção do biodiesel no Estado, a cultura volta com uma finalidade específica e com perspectiva de mercado garantido. A determinação é que o biodiesel seja adicionado a uma porcentagem de 2% no combustível, o que impulsiona mais ainda a produção da mamona.

Entre as vantagens do biodiesel, produzido a partir da mamona, está a redução em 90% de gases poluentes no ar. A energia é renovável e pode ser empregada na indústria para produção de perfumes e plástico, por exemplo. A mamona no semi-árido também tem contribuído com a geração de trabalho e renda e mobilização dos pequenos produtores que se reúnem em associação, fortalecendo a organização rural e poder de negócio.

Segundo o governador Wellington Dias, "o Piauí é o Estado com a maior produtividade de mamona do País. O Estado tem aproximadamente R$ 3 milhões de hectares que podem ser trabalhados com a cultura da mamona. Só o Piauí pode produzir o equivalente a um bilhão de litros de mamona, gerando 300 mil empregos. Esse é o caminho, esse projeto tem tudo para dar certo".

O governador está otimista com os resultados do biodiesel como fator de geração de emprego e aquecimento da economia, considerando que o Piauí completou o primeiro ciclo dessa atividade, com 120 mil hectares plantados de mamona em todo o Estado. Isso demonstra a confiança dos produtores nessa área, cujos investimentos somam aproximadamente R$ 200 milhões.