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Governo susta meta de 200 mil famílias para o biodiesel

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segunda, 18 agosto 2008 . Folha de S. Paulo   
Revista BiodieselBR
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A meta original de vincular 200 mil agricultores familiares como fornecedores de matéria-prima no Programa Nacional de Biodiesel foi abandonada pelo governo Lula. Pelo menos por enquanto.

Oito meses depois de o programa entrar na fase obrigatória (com a mistura compulsória -inicialmente de 2% e agora de 3%- de biodiesel no diesel distribuído no país), o governo chegou à conclusão de que o principal objetivo no momento é consolidar o programa tal como está, com a participação de aproximadamente 100 mil famílias -a metade da meta-, além de atender a demanda anual de 1,3 bilhão de litros do novo combustível para o mercado nacional.

A opção de antecipar a mistura de 5% de 2013 para 2010 ou 2009 também ficou mais distante. A dificuldade de organizar cadeias alternativas para produção de oleaginosas na agricultura familiar (como mamona e pinhão manso) e a forte elevação do preço das commodities levaram o governo a adotar a "cautela" e privilegiar a consolidação do que está em pé.

Segundo Arnoldo de Campos, coordenador nacional do programa do Biodiesel do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), o ingresso da agricultura familiar no programa parou de crescer e não será mais possível alcançar a meta de envolver 200 mil famílias traçada na formulação do programa. "Na nova safra não haverá a ampliação do número de famílias. O importante agora é consolidar o número de 100 mil, o que já significa 250 mil pessoas, se considerarmos 2,5 indivíduos por família", diz.

Não é um número expressivo se considerado o conjunto da agricultura familiar brasileira. De acordo com dados preliminares do novo censo agropecuário do IBGE, existem entre 4,3 milhões e 4,5 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar no país.

Mesmo as 100 mil famílias não dispõem hoje de garantias totais de que permaneçam no programa.

Isso porque o MDA analisa no momento a situação da Brasil Ecodiesel, a maior companhia produtora de biodiesel e responsável por quase a metade dos agricultores familiares ligados ao programa.

Segundo o MDA, são 46 mil contratos da Brasil Ecodiesel com agricultores familiares a partir dos quais a empresa se compromete, além do vínculo contratual, comprar volumes de matéria-prima nos porcentuais exigidos em cada região e finalmente montar uma estrutura de suporte agronômico para atender os produtores.

A Brasil Ecodiesel diz que atualmente tem 38 mil famílias vinculadas, atendidas conforme as regras do programa.

Não é o que tem apurado o MDA. Segundo Campos, o ministério encontrou problemas no cumprimento de algumas das regras que asseguram à companhia o uso do "Selo Combustível Social". O selo é a chave para a empresa obter benefícios fiscais na produção do biodiesel feito a partir da matéria-prima comprada da agricultura familiar. Desde o início do programa, o incentivo fiscal de PIS e Cofins é considerado fator fundamental para a redução do custo final do biodiesel.

A coordenação do programa no MDA promete emitir parecer definitivo sobre a Brasil Ecodiesel. A empresa corre o risco até de perder o direito ao selo, o que pode excluir parte ou todas as cinco unidades dos leilões oficiais para compra de biodiesel. Das 28 unidades com selo, 3 já o perderam: Soyminas e duas da Ponte Di Ferro.

Leilão
Quinta e sexta-feira, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) fez o último leilão do ano para entrega da produção do período de 1º de setembro a 31 de dezembro.

Foram comprados 330 milhões de litros -264 milhões (80% do total) foram ofertados por unidades que tiverem o selo combustível social.

Depois do parecer, a Brasil Ecodiesel terá 30 dias para se defender de eventual exclusão. O MDA promete ser rigoroso. "Nas reuniões ministeriais das quais participei, foi pedido para que seja monitorada a situação [da Brasil Ecodiesel], mas não há uma única ordem para privilegiar A ou B, porque isso não cabe. Isso seria uma desmoralização [do programa] e não tem como fazer isso. Se a empresa tiver que ser excluída, será excluída", diz Campos.

A alternativa para a eventual perda desse enorme contingente de agricultores familiares ligados à Brasil Ecodiesel é ancorar esse grupo a outro produtor de biodiesel.
Além disso, a Petrobras, que inaugurou nesta semana a primeira unidade de biodiesel em Candeias (BA), promete usar a agricultura familiar para obter matéria-prima.

Renda chegou a R$ 300 milhões no ano passado


O Programa Nacional do Biodiesel fez com que R$ 300 milhões passassem pela agricultura familiar no ano passado. Os dados são do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário).
A cifra deverá crescer neste ano, principalmente devido aos preços de matérias-primas como mamona e soja.

Em 2007, a renda anual variou muito conforme a região, a produção e a cultura adotada pelos pequenos produtores.

Arnoldo de Campos, coordenador do programa no MDA, explica que a renda de uma família foi de R$ 1.400 por ano no semi-árido a R$ 40 mil para cada produtor de soja no Centro-Oeste.

A alta dos preços das matérias-primas, como a mamona, por exemplo, tem criado um outro tipo de problema: o descumprimento dos contratos por parte dos pequenos produtores.

A própria Brasil Ecodiesel, informa o MDA, teve problemas em obter mamona contratada com alguns produtores devido à disparada do preço. Hoje, a cotação de mercado superou o valor de contrato e provocou uma debandada de produtores atrás de preços mais altos.

AGNALDO BRITO

Revista BiodieselBR
Comentarios (5)add comment

Julio :

Semi-árido e centro-oeste
Senhores ,

Vejam em particular essa parte do comentário:
"Arnoldo de Campos, coordenador do programa no MDA, explica que a renda de uma família foi de R$ 1.400 por ano no semi-árido a R$ 40 mil para cada produtor de soja no Centro-Oeste."
R$ 1.400,00 pela mamona e R$ 40.000,00 pela soja?


Será que está certo?
 
18.08.2008 - 18:01
Votos: +0

J. Anhalt :

Diretor
Eis a questão que sempre levar ao fracasso:

Interesse político irresponsável invadindo áreas técnicas contra qualquer princípio técnico está causando problemas totalmente evitáveis para as famílias e para as empresas, caso a responsabilidade e soberania dos técnicos fosse mais efetiva e eficiente.
 
21.08.2008 - 08:26
Votos: +0

ricardo barbosa :

governo susta meta
Não é a primeira vez que o governo brasileiro passa credibilidade em projetos envolvendo cidadãos confiantes que desta vez vai ser diferente, imaginemos pessoas que apostaram, trabalharam a terra, perderam seu tempo, e mais uma vez, por uma irresponsabilidade de pessoas que talvez não tenha o devido conhecimento simplesmenta abandonam famílias com seus planos de melhorar de vida, ficando em situação pior da anterior a promessa irresponsável e inconsequente.

São tomadas de decisão do governo, que deveriam ser honradas pelo menos para o primeiro plantio, desta forma não haveria críticas minimizadas como esta. Fico na esperança de comportamentos mais adequados.

Ricardo Barbosa - Rio de Janeiro
 
21.08.2008 - 11:09
Votos: +0

heliowanderley :

biodiesel
Já fiz diversos comentários sob o biodiesel o governo não tem interesse nesse combustível e nem tão pouco no alcool o negócio é petroléo um roubo. energia eletrica outro roubo 20% do assalariado e para energia eletrica nesta nação, estamos pagando mais e mais impostos.
 
21.08.2008 - 20:23
Votos: +0

euclides de oliveira pinto neto :

A GRANDE FARSA
A implantação do Programa Nacional de Biocombustiveis, em 2006, teve um cunho eminentemente eleitoral. Fazia-se necessário gerar promessas de cunho eleitoreiro e aí foi implementado às pressas os polos de produção de biodiesel, fazendo grande apologia à sustentabilidade economica e financeira para a agricultura familiar. A pressa impediu um melhor planejamento e observação de critérios técnicos.
Claro que nunca tiveram intenção de adicionar biodiesel ao óleo diesel. E nem precisa. O rendimento energético do óleo vegetal puro é bastante superior ao biodiesel transesterificado.
A Petrobrás não tem interesse em usar biodiesel, pelas razões lógicas. E foi indicada para operar todo o processo de distribuição. Ou seja, não vai funcionar por aí.
As multinacionais do agronegócio têm o interesse de colocr a soja como matéria prima na produção de biocombustiveis, embora todos saibam que a produção de óleo é ridícula. Entretanto, como dominam todo o ciclo de produção e distribuição, além da mídia vassala e mensaleira, divulgam "dados técnicos" a favor e implantam na mídia informações negativas sobre outras matérias primas, gerando dúvidas quanto à eficiência de tais oleaginosas para a produção de combustiveis. É um jogo de informações mentirosas, feitas por "especialistas" chicaneiros.
Como a extensão rural (quando funciona) também se deixa influenciar por folhetos bonitos, acabam deixando o agricultor sem informações técnicas adequadas, ou fazendo escolhas inadequadas, gerando um grande problema para os mesmos no futuro próximo.
Como ninguém (no governo) se interessa pela situação do agricultor familiar - preferem tratar com os grandes produtores de grãos destinados à exportação, o pequeno produtor fica abandonado.
O articulista fala que a renda do agricultor do semi-árido é de R$ 1.400,00/ano e que a renda do agricultor do meio-oeste é de R$ 40.000,00/ano. Na falta de dados mais concretos, dá a impressão que o agricultor familiar do centro-oeste, plantando soja, ganha aquela receita... Só faltou dizer que a soja, no centro-oeste, não é plantada por agricultores familiares - geralmente são grandes propriedades, com utilização intensiva de insumos financeiros. A outra falácia é a renda atribuida. Com os altos custos impostos pelas multinacionais do agronegócio, normalmente o produtor planta na alta e vende na baixa - mercado esencialmente manipulado. Para atingir aquele valor de ganho, o produtor rural deverá ter uma propriedade muito grande, pois o ganho financeiro por hectare produzido é muito pequeno
 
22.08.2008 - 07:07
Votos: +0

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Comentários

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