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A diferença entre o H-Bio e o Biodiesel

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terça, 04 julho 2006 . Globo Online   
Revista BiodieselBR
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Coluna petróleo global por Jean-paul Prates, publicada no Globo Online.

Um comentário de nosso colega de consultoria e amigo Professor Donato Aranda, Ph.D. (UFRJ, Expetro e Greentech) a respeito da necessária diferenciação entre o H-Bio e o Biodiesel, que tanta apreensão vem causando entre os interessados na matéria.

"O processo de HDT (Hydrotreating ou Hidrotratamento) de Diesel, consiste fundamentalmente em uma reação catalítica entre o hidrogênio (produzido nas refinarias nas unidades de reforma à vapor) e frações de diesel geradas nas colunas de destilação, no coqueamento retardado e no craqueamento catalítico do gasóleo. Estas frações de diesel contêm em sua estrutura teores excessivos de enxofre, nitrogênio, oxigênio e aromáticos. Esses elementos são removidos no processo de H. O processo de remoção de enxofre é chamado de HDS (Hydrodesulfurization). O processo de remoção de nitrogênio é chamado de HDN (Hydrodenitrogenation). O processo de remoção de aromáticos é chamado de HDA (Hydrodearomatization). O processo de remoção de oxigênio é chamado de HDO (Hydrodeoxygenation). O novo combustível H-BIO é gerado num processo de HDO.

Os óleos vegetais não possuem nitrogênio, enxofre, nem aromáticos. Todavia possuem 6 átomos de oxigênio em cada molécula. A alimentação dos óleos vegetais em contato com hidrogênio na presença de um catalisador em um reator com pressão de 70 atm e temperatura superior a 300ºC “arranca” os átomos e oxigênio sob a forma de água, gerando hidrocarbonetos na faixa do diesel (hexadecano e octadecano) além de propano gerado a partir da glicerina dos óleos vegetais. Para cada tonelada de óleo vegetal, obtém-se no máximo, 850 kg de H-BIO (rendimento de 85%). Para cada tonelada de H-BIO consome-se cerca de 27 kg de Hidrogênio. (Detalhe: normalmente trabalha-se com seguinte preço do Hidrogênio: US$ 2.500/tonelada).

A Petrobrás inaugurou sua primeira unidade de HDT em 1998, na Refinaria Presidente Bernardes, Cubatão-SP. Atualmente, existem unidades de HDT na REDUC-RJ, REPLAN-SP, REVAP-SP, REPAR-PR, REFAP-RS e REGAP-MG. A atual capacidade instalada de HDT no Brasil corresponde a 36% do diesel consumido no Brasil, ou seja, cerca de 64% do diesel produzido no Brasil não passa pelo processo de HDT. Como o HDT é extremamente eficiente, um produto de HDT bastante puro é misturado com diesel que não passa pelo HDT. Desse modo, gera-se o diesel que se consome hoje no país.

Obviamente, não se processa todo o diesel no HDT por uma questão econômica (investimento e custos operacionais). Mesmo nos EUA não se processa todo o diesel no HDT (73% do diesel nos EUA é processado por HDT). Uma unidade completa de HDT custa entre US$ 200 e 250 milhões produzindo entre 3 e 5 milhões de litros de diesel/dia. Algumas unidades de HDT desse porte são oferecidas a US$ 100 milhões. Porém, trata-se de preço ISBL (Inside Battery Limits), ou seja, sem utilidades, estrutura, unidades de apoio, geração de hidrogênio, etc.

Em termos ambientais, apesar da utilização de fontes renováveis (óleo vegetal), o H-BIO não é capaz de reduzir as emissões de monóxido de carbono (CO) e material particulado. Esses compostos constituem a chamada “fumaça negra” dos veículos diesel. O biodiesel promove a redução dessas emissões por conter oxigênio em sua estrutura (éster). Esse oxigênio intramolecular promove a combustão completa. Tanto CO quanto os particulados são gerados por combustão incompleta (falta de oxigênio). Isso não ocorre com o H-BIO que não possui oxigênio na estrutura (hidrocarboneto), não podendo assim promover uma combustão mais completa.

Do ponto de vista mecânico, os átomos de oxigênio do biodiesel promovem um aumento de lubricidade, e consequentemente da vida útil de peças do motor diesel. Dados dos fabricantes de auto-peças atestam que 2% de biodiesel adicionados ao diesel aumentam em cerca de 50% a lubricidade do combustível. Já o H-BIO não possui enxofre (como o biodiesel) mas também não possui oxigênio. Esse déficit dos elementos enxofre + oxigênio faz com que o H-BIO tenha lubricidade menor que o diesel.

Como conclusão, podemos dizer que o H-BIO só é viável para grandes refinarias de petróleo (.pdf 4.2 Mb) que já possuem unidades de HDT com capacidade ociosa e que processem óleos e gorduras mais baratas que o petróleo. Para produtores de óleos vegetais é inviável a instalação de plantas de HDT para produção de H-BIO.

No modelo de negócio do H-BIO, o produtor de grãos e óleos vegetais limita-se a ser um fornecedor de matéria-prima, sem possibilidades de agregar valor a seu produto.

Já no caso do biodiesel a proposta é o “upgrade” dos óleos e gorduras para a indústria oleoquímica através de um metil éster (biodiesel, propriamente dito) com valor de mercado de US$ 850/t, produto que, opcionalmente, é precursor de vários outros compostos como o metil éster sulfonado (US$ 1.500/t), álcoois graxos (US$ 2.500/t), entre outros produtos com valor de mercado bem superior ao óleo vegetal."

* - O trecho acima é extraído do estudo multi-cliente “Oportunidades e Desafios da Produção, comercialização e Utilização do Biodiesel no Brasil e no Mundo”, de autoria de diversos especialistas, produzido pela Consultoria Expetro e que será comercializado em conjunto com o IBC e pela Oil & Gas Journal Latinoamericana a partir do próximo mês.

Giroscópio

Exigência em comum
No encontro das três maiores estatais latino-americanas (Petrobras, PDVSA e Pemex) com empresas para-petroleiras francesas, em Paris, na semana passada, a mensagem foi clara e correta: só com a parceria e colaboração do mercado local será possível ser fornecedor das maiores operadoras do Brasil, da Venezuela e do México. Acabou-se o tempo dos representantes comerciais e das importações diretas. A presença do Diretor Guilherme Estrella foi destaque, tanto pela apresentação que fez do plano estratégico e de investimentos da companhia, quanto pela participação do executivo nas seções de perguntas aos demais participantes.

Incomparável
Eficiente (com resultados comprovados), visionária (falando de eletricidade, biocombustíveis e novas fronteiras internacionais) e transparente (sem receio de mostrar seus números e suas metas), a Petrobras foi quem mais atraiu a atenção dos investidores e fornecedores franceses no encontro promovido pelo Governo Francês na sede da sua entidade de fomento internacional Ubifrance. Os comentários da audiência foram unânimes: “perto da Petrobras, Pemex e PDVSA parecem ainda engatinhar em termos de interação com o cenário internacional”.

O colunista também é publisher da edição latinoamericana do Oil & Gas Journal (Pennwell) e diretor-representante no Brasil das publicações Oil & Gas Journal (semanal) e Offshore Magazine (mensal), parceiras do Globo Online na troca de conteúdo.

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Revista BiodieselBR
Comentarios (8)add comment

Carlos Sarmiento disse:

  Apreciados señores:
Quiero conocer el titulo de la patente de Petrobras-Cenpes para el proceso H-BIO.
Muchas Gracias
1

6.07.2006 - 11:02

Telmo Heinen - Formosa (GO) disse:

  Patente? Ainda não saiu...
2

6.07.2006 - 23:53

Fábio disse:

  Ao que parece o H-Bio tem o potencial de, num curtíssimo prazo e com investimentos compatíveis com nossa realidade econômica, possbilitar a substituição das importações de diesel atualmente realizadas pelo país (15% do consumo total => O O H-Bio possibilita se trabalhar com cargas de até 18%).
Essa é a grande oportunidade de se encurtar o caminho da transição para os biocombustíveis. Paralelamente, se deveria otimizar os estudos visando ou a utilização de biodiesel puro (B100) ou a utilização de óleos in natura (OVN), que seria a alternativa mais eficiente do ponto de vista energético, econômico e de logística. No entanto, de acordo com as possibilidades tecnológicas atualmente disponívies, a utilização de OVN leva à degradação dos motores (formação de goma, entupimento dos bicos e maior desgaste), além de emitir mais aldeídos e acroleínas (decorrente da combustão da glicerina). Resumindo, podemos caminhar rapidamente para a substituição de até 20% do diesel por meio do H-Bio e, ao mesmo tempo, intensificar os estudos tecnológicos para a solução dos problemas do motor OVN ou a utilização de biodiesel puro.

Abraços,

Fábio
fabiocoelhob@hotmail.com
3

16.08.2006 - 23:17

Fabricio B Fleuri disse:

  Ao que parece o governo achou mais conveniente o H-Bio, pois assim pode fazer com ele o que fez com a gasolina, começou com uma certa quantidade de álcool e hoje 1/4 da nossa gasolina já é alcool, assim ele vai fazer com o H-Bio, começa com 10% de óleos vegetais e vai adicionando à medida que lhe for conveniente, assim ele agrada os grandes produtores de soja e também os grandes produtores de óleos vegetais.
Ao invés disso poderia começar com um projeto sério e transparente do Biodiesel que seria como se fosse um "Flex-Diesel" ou seja a mistura seria de qualquer proporção e de conhecimento de todos tal proporção!
Mas na realidade não se patrocina o Biodiesel porque ele pode ser produzido de forma relativamente eficiente em qualquer fundo de quintal, e isso seria uma fuga de lucros das grandes potências dos combustíveis.
4

24.10.2006 - 11:05

Ananias Baracuhy disse:

  Não me parece tão adequado o comentário do Fabricio Fleuri porque nesse processo,existe um universo muito grande de fatores para serem observados,até agora por exemplo,se pesquisa qual o biodiesel mais adequado para uso nos atuais motores sem causar maiores danos e maiores despesas em algumas modificações de motores tradicionais!!!!o que fazer com a glicerina em volume agigantada?como incentivar a área de produção de oleoginosas sem garantir um mercado grande que o HBio garante sem querer defender a permanência dele mas em uma transição,o HBio fará um grande papel de consolidar a produção e comercialização dos óleos produzidos.Óleo de soja e algodão só dá para iniciar o processo mas são oleoginosas que não conseguem competir em produtividade com outras oleoginosas,após iniciado o processo que poderá durar 10 anos,15 anos,elas ficarão apenas como coadjuvantes do processo.
Na década de 80,se iniciou a produção de mamona aqui no nordeste para a produção do Biodiesel,mas por falta de uma logística para comercializar o produto,o programa caiu em descrédito e foi 'a lona.Está se começando tudo denovo.O nosso produtor quer e precisa produzir,vender e receber com segurança e em tempo oportuno.Me parece que para essa fase,ninguém melhor do que a Petrobras para fazer e inclusive limpar a imágem que ficou feia com a sua primeira intervenção.Será melhor ainda se a iniciativa privada aparecer e incentivar a produção,coisa que não acredito pois não estará atendendo ao imediatismo do capital x lucro.Resumindo:o mercado está existindo,vai crescer,quem quiser se habilitar,que venha se instale e anuncie que está comprando óleo de mamona,dendê,pinhão manso, eu não conheço nenhuma planta por aqui mas a Petrobras já está comprando mamona e outros éleos que se ofereça sem revindicar monopólio.Portanto,o processo está aberto,não estou vendo reservas de mercado nem prioridade para a Petrobras.Eu defendo o livre comércio e a livre concorrência.Para mim,o ideal será quando qualquer óleo vegetal que se produza,se bote direto no motor com segurança e tudo bem mas me parece que não chegamos ainda nessa faze.
5

27.07.2007 - 11:26

Telmo Heinen - Formosa, Goiás disse:

  H-Bio é a mais revolucionária invenção já havida, do ponto de vista técnico. Pode se fazer a hidrogenação de qualquer gordura animal ou vegetal e até mesmo de óleos usados [queimados] de qualquer espécie, motor, cárter, diferencial etc...
E tem uma grande vantagem, sai tudo padronizado. No óleo diesel produzido fica impossível detectar a origem da materia-prima adicionada. já, para manter o padrão com biodiesel vai dar trabalho, pode crer. Imagina um Caminhão que saisse do Rio Grande do Sul rumo ao Rio Grande do Norte, no caminho dele encontrará vários tipos de biodiesel e daí como se comportará este motor? Em cada região uma cultura diferente... óleo diferente... biodiesel diferente...
Álcool é sempre igual. Óleo vegetal não.

Pense nisto! [Esta opinião não tem nada a ver sobre a dominação econômica vigente]

Abs, telmo heinen @yahoo.com.br
6

27.07.2007 - 13:36

cristiano Ronaldo disse:

  queria saber qual a diferença entre alcool e disel
7

30.08.2007 - 08:02

Telmo Heinen - Formosa [GO] disse:

  Álcool pode ser etanol, metanol e DISEL é uma coisa que não existe.
O que será que significa disel?

Existe o Óleo Diesel, que como o próprio nome diz é óleo, proveniente do petróleo, obtido por craqueamento... e não contém nenhuma molécula de Oxigenio em sua composição.
Explodem, tem ignição por compresão - não prcisa de centelha elétrica.

Já os álcoois posuem átomos de oxigenio em sua composição e isto faz com que tenham menos energia.
Explodem, tem ignição por uma centelha elétrica.

Att, telmo heinen @yahoo.com.br
8

30.08.2007 - 08:22

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