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Biodiesel

Agropalma prevê forte queda nos embarques


Valor Econômico - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A Agropalma, responsável por cerca de 75% da oferta brasileira de óleo de palma, deverá reduzir drasticamente suas exportações em 2006. Segundo Marcello Amaral Brito, diretor comercial da empresa, a valorização do real sobre o dólar reduziu a competitividade do produto nacional em relação aos asiáticos - líderes absolutos neste segmento - e tornou a queda praticamente inevitável.

"O Brasil concorre com países que não sofreram a mesma valorização de moeda e isso liquidou nossa competitividade", avalia Brito. O diretor diz que a Agropalma cumpriu os contratos fechados neste ano (de 50 mil toneladas de óleo de palma), mas que, para 2006, renovou contratos de apenas 14 mil toneladas - menos que as 25 mil exportadas em 2004. "A valorização do real foi muito maior do que qualquer valorização de preço no setor de agronegócios neste ano", reclamou ele.

Com isso, a empresa decidiu congelar prospecções de mercado que faria no exterior e também retardou projetos no Brasil. Um dos projetos afetados envolve a instalação de uma fábrica para produção de margarina vegetal voltada ao varejo.

Hoje, a Agropalma produz gorduras vegetais para indústrias de alimentos e para o setor de "food service". Neste ano, a empresa concluiu a ampliação de uma fábrica de gorduras em Belém e inaugurou uma unidade de biodiesel à base de palma - projetos que receberam investimento próprio de US$ 1 milhão. "Para o próximo ano, não há nenhum investimento previsto", afirma Brito.

Neste ano, a Agropalma produziu 138 mil toneladas de óleo de palma, 14% mais que em 2004. Para 2006, a previsão é ampliar a produção em 11%, para 153 mil toneladas, graças ao aumento do número de pés em fase de produção. Segundo projeções da companhia, até 2009 a produção de óleo deverá chegar a 180 mil toneladas.

Este aumento, segundo Brito, não veio em boa hora. A queda nos preços internacionais da soja levaram a reboque as cotações do óleo de palma, e a principal conseqüência foi que muitas indústrias de alimentos substituíram o uso do óleo de palma pelo de soja, em virtude dos preços mais competitivos.

O diretor observou que toda a produção da Agropalma que não é exportada fica no mercado interno. "A demanda também está mais baixa no mercado interno, assim como os preços". Segundo Brito, são sinais de que 2006 será difícil.

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