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Usina de biodiesel pode ser inaugurada no RS com visita do presidente Lula


Agência Estado e Zero Hora - 14 mar 2007 - 07:19 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

Em Veranópolis, o presidente deve visitar uma fábrica de biodiesel que vai gerar 162 empregos diretos.

Oitenta e um dias depois da posse, Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer a primeira viagem ao Rio Grande do Sul no segundo mandato. A visita do presidente à usina de biodiesel Oleoplan Óleos Vegetais, em Veranópolis, na Serra, está prevista para quinta-feira.

O roteiro foi confirmado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário à prefeitura de Veranópolis, comandada por Waldemar de Carli (PMDB). O secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Luciano Zanella (PT), afirmou que a vistoria de Lula na usina vem sendo acertada com o governo federal há cerca de dois meses. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não havia confirmado a viagem até a noite de ontem.

- Esperamos que não exista nenhum imprevisto - disse Zanella.

O presidente da Oleoplan, Irineu Boff, está empolgado com a visita, que poderá dar lugar a uma inauguração caso a empresa receba até quinta-feira uma autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), última etapa para colocar a usina em funcionamento. Serão gerados 162 empregos diretos.

- Será a primeira usina de biodiesel do sul do Brasil - diz Boff.

Com investimentos de R$ 21,5 milhões, a Oleoplan irá produzir 100 milhões de litros de biodiesel. Para fabricar essa quantidade da substância, são necessários 500 milhões de quilos de soja. O produto terá o selo de combustível social - que recebe isenções de impostos por usar matéria-prima da agricultura familiar - e será vendido à Petrobras.

- Por causa do combustível social, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura e sindicatos de trabalhadores rurais vão fazer uma homenagem a Lula - disse Zanella.

Boff também já tem planos para a visita do presidente à empresa de 26 anos. Criada no início da década de 80, a Oleoplan esmagava soja e exportava óleo e farelo da planta. O presidente da empresa localizada no quilômetro 175 da RS-470 planeja exibir a Lula o processamento da soja até a transformação no produto final.

- Quero mostrar um visor de vidro pelo qual a gente vê a saída do biodiesel pronto - disse Boff.

Fonte: Zero Hora

A Oleoplan pretende utilizar também outras oleaginosas, como mamona, canola, girassol e tungue na produção de biodiesel. Em projeto experimental, a empresa financiou 100% do custeio de 300 hectares de mamona a 150 pequenos produtores gaúchos. Os produtores receberam, em média, R$ 420 para implantar lavouras com rigor técnico. Vários tipos de sementes com diferentes ciclos vegetativos foram testados em 50 municípios gaúchos da Serra, Depressão Central, Planalto e Litoral. As primeiras lavouras de mamona começam a ser colhidas no fim do mês e a safra deve se estender até o fim de maio conforme a região. A Oleoplan garante a compra da safra por R$ 0,60/ kg.

Colheita

A previsão da empresa é colher 750 mil quilos de mamona, com produtividade de 2.500 kg/hec. O presidente da Oleoplan, Irineo Boff, disse à AE que a participação da mamona na produção do biodiesel poderá aumentar de acordo com os resultados desta primeira safra experimental, pois a mamona possui entre 48% e 50% de óleo contido no grão enquanto a soja tem apenas 18%.

Para uma produtividade média de 2.500 kg por hectare, a soja produz 450 quilos de óleo por hectare,enquanto a mamona produz 1.200 quilos de óleo por hectare. Boff destaca que a mamona, além de conter mais óleo e ser apropriada para a agricultura familiar, tem a vantagem de gerar a torta de mamona como subproduto, usada como fertilizante. Vantagens que protegem a soja no mercado. "A mamona não produz farelos protéicos, como a soja. Um excesso de produção de farelos protéicos por causa do biodiesel pode derrubar o preço do produto no mercado internacional", adverte Boff.

Para evitar a contaminação da soja pela mamona, a empresa garante que as linhas de industrialização, moagem e armazenagem dos grãos serão independentes.

Fonte: Agência Estado