Os Transportes no Brasil
- Sexta - 18 Ago 2006
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O valor adicionado pelo setor de transportes ao PIB Brasileiro é de 4,4%, que corresponde à R$ 42 bilhões (IBGE). Os empregos gerados diretamente neste setor somam 1,2 milhões, sendo que o total de carga movimentada por ano (em TKU4) é de 746 bilhões (IBGE).
O transporte também se caracteriza pelas suas amplas externalidades. Mais do que um simples setor, o transporte é um serviço horizontalizado que viabiliza os demais setores, afetando diretamente a segurança, a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico do país.
É claro que a matriz energética brasileira está intimamente ligada a este setor, principalmente porque, por vários anos, os investimentos públicos priorizaram o setor rodoviário de carga.
Na década de 20, o lema do Presidente Washington Luis “Governar é abrir estradas”, representava bem a histórica priorização dos investimentos públicos no desenvolvimento da infra-estrutura rodoviária. O setor rodoviário se desenvolveu, portanto, em um paradigma de forte subsídio de sua infra-estrutura, aumentando uma conseqüente falta de conhecimento a respeito das vantagens e desvantagens de outros meios de transporte alternativos. (Ex. A produtividade do transporte de cargas no Brasil é apenas 22% daquela registrada no sistema de transporte dos Estados Unidos – Centro de Estudos em Logística – COPPEAD).
Conforme tabela acima, a disponibilidade de rodovias pavimentadas no Brasil ainda é muito pequena. Em 2005, eram cerca de 196 mil km pavimentados sobre um total de 1.610 milhão de km de rodovia. Soma-se a este fato a baixa qualidade da infra-estrutura existente, cujo estado de conservação é avaliado como péssimo, ruim ou deficiente em 78% de sua extensão, segundo o estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
A frota rodoviária brasileira tem idade média de cerca de 17,5 anos e locomotivas com idade média de 25 anos; estradas com condições péssima, ruim ou deficiente em 78% dos casos; baixa disponibilidade de infra-estrutura ferroviária e hidrovias ainda pouco utilizadas para escoamento de safra agrícola, o que acarreta em grandes custos de manutenção de estoques ao longo da cadeia produtiva das indústrias, como forma de se proteger das ineficiências do transporte. Na tabela abaixo é possível observar a extensão de nossa malha ferroviária em km (aproximadamente metade é nacional e a outra metade, concedida).
Os portos também são importantes canais de escoamento e recebimento de insumos vindos do exterior. No entanto, o modal rodoviário ainda tem uma participação extremamente importante para o escoamento de cargas no Brasil: 61% do transporte de materiais é feito pelas rodovias.
Em 2004 por exemplo, quase 47% do volume total transportado no Brasil foram pelo modal rodoviário, que é composto por mais de 50.000 transportadores e mais de 300.000 caminhoneiros autônomos.
O setor de transporte brasileiro (cargas e passageiros) apresenta pior aproveitamento de fontes não-renováveis de energia, quando comparado com os padrões norte-americanos. Este consumo ineficiente de energia não renovável traz uma série de malefícios para o país: maior emissão de poluentes, maior custo final para os produtos, maior dependência externa de combustíveis, pior desempenho na balança comercial, entre outros. Além disso, o nível de emissão de poluentes no setor de transporte brasileiro é alto por causa da utilização de enxofre no diesel, da alta idade e do baixo nível de manutenção da frota de veículos, trens e embarcações.
Para o projeto em questão os impactos do sistema de transporte brasileiro são enormes. Fala-se de frotas antigas e com grande necessidade de manutenção. Quanto mais “velha” a frota, maior o consumo de combustível.
Todos os caminhões e ônibus produzidos de 10 anos para cá, são movidos à Diesel, assim como também todos os tipos de máquinas agrícolas (produção em constante crescimento). Isso quer dizer que, a adição de biodiesel ao Diesel, significaria redução da dependência de combustível mineral em toda a frota brasileira.
Como abordado anteriormente, 88,6% da malha rodoviária brasileira é composta por estradas não pavimentadas, sendo que 78% estão em condições precárias e /ou ruins. Dentro da frota de veículos brasileira, os caminhões representam, 57% do total e têm idade média de 17,5 anos. Isso significa não somente um consumo altíssimo de combustível, mas também grandes quantidades de poluentes emitidos na atmosfera. Portanto, a idade da frota brasileira caracteriza uma variável ambiental crítica negativa, devido aos agravantes ambientais e estratégicos causados ao país.
No entanto, percebe-se também que o número de caminhões e ônibus movidos à diesel (praticamente toda a frota) é bastante considerável: aproximadamente 136.000 veículos e aumenta a cada ano, representando uma grade oportunidade ao negócio do biodiesel.
Uma outra oportunidade é a crescente produção brasileira de máquinas agrícolas movidas à diesel (total de 69.418 unidades produzidas em 2004). Todos esses veículos precisarão de uma alternativa ao crescente preço do diesel.





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