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Os Rumos do Biodiesel

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quarta, 26 julho 2006 . Univaldo Vedana   
Revista BiodieselBR
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A produção e utilização do biodiesel no Brasil todos sabemos, não têm volta. Esta certeza existe não somente pelo lado ecológico ou por ser uma energia renovável, mas sim pelo lado econômico. O que irá balizar o preço final do biodiesel será indiscutivelmente o preço do diesel mineral. Nos últimos 35 anos o preço médio do petróleo subiu ano após ano, e esta tendência deverá continuar. Nos últimos dias o barril de petróleo bateu a casa dos U$ 76,00. Temos o preço do diesel represado no mercado interno, por razões que não cabem aqui serem discutidas. O preço atual do diesel na bomba é de quando o barril de petróleo custava menos de U$50,00, portanto temos aí uma bela defasagem que a Petrobras deverá corrigir nos próximos doze meses. Afinal a Petrobras não é uma entidade filantrópica. Seus acionistas querem dividendos cada vez maiores.

A produção de biodiesel no Brasil trilhará dois caminhos. Um com grandes usinas que abastecerão as misturas obrigatórias para os grandes centros e futuras exportações e o outro de pequenas usinas regionais onde serão produzidas as matérias primas e será consumido o biodiesel. Evitando com isto o transporte e a evasão de divisas do município, gerando realmente emprego, renda e produtividade no campo. Estas pequenas usinas poderão trabalhar fazendo um mix de sua produção através do sistema de troca e venda. O sistema de troca é interessante visto caracterizar uma produção para uso e consumo próprio, com isto fica isento de impostos.

Mas nem tudo são flores no momento atual do biodiesel. Temos uma carga tributária exagerada. Paga-se por litro entre R$ 0,48 e R$ 0,58 centavos, dependendo o estado. Temos falta de matéria prima para a produção de biodiesel. O único óleo que temos é o de soja e este tem seu preço ditado pelo mercado. Hoje seu preço é interessante, amanhã poderá não ser. Precisamos incentivar a produção de oleaginosas de segunda safra e de inverno e a produção do pinhão manso. Utilizar racionalmente e intensamente nossas áreas agrícolas que em sua grande parte produzem apenas uma safra por ano, sendo utilizadas somente por quatro ou cinco meses do ano. Temos clima, solo e chuvas em abundância, falta-nos projetos, organização e determinação alem de muito investimento.

E o pinhão manso no primeiro momento será plantado em terras marginais ou de segunda linha, utilizará área de pecuária degradada e nas pequenas propriedades rurais, aumentando seu plantio de acordo com a resposta em resultados de produção e lucros.

Grandes consumidores de energia obrigatoriamente serão empurrados em um futuro bem próximo a produzirem seu combustível (biodiesel). Não por vontade própria, mas sim como forma de redução de custos e agregação de valores à sua produção.

Univaldo Vedana é analista do setor de biodiesel e responsável pela primeira fábrica de biodiesel do país abrangendo todo o processo de produção.

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