Petrobras e o biodiesel: as perguntas sem respostas |
|
|
| domingo, 07 junho 2009 . Julio Cesar Vedana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Atualização: A Petrobras Biocombustíveis concedeu uma entrevista exclusiva à BiodieselBR em sua sede no Rio de Janeiro e respondeu todas as perguntas abaixo. A entrevista na íntegra está publicada aqui. Com toda a confusão envolvendo uma provável CPI da Petrobras e a clara disputa política em torno do assunto, os grandes jornais do Brasil entraram de cabeça na história. Mas a estatal parece que não ficou satisfeita com o que está saindo nestes jornais e resolveu contra-atacar. Criou um blog para tornar público, “sem edição de dados”, os questionamentos da imprensa. E para isso resolveu publicar as perguntas e respostas enviadas pelos jornais. Ao que parece os veículos não gostaram da atitude da Petrobras e o Estadão até questionou se não seria ilegal publicar o e-mail sem autorização do repórter. A estatal discordou e considerou que as perguntas e respostas são públicas. Partindo de uma multibilionária companhia, a simples idéia da criação do blog é fantástica. Aplaudo de pé a pretensão de ampliar a transparência. E para minha surpresa, o blog divulgou algumas perguntas do jornal O Globo sobre a mamona e o biodiesel. Não quero entrar no mérito da escolha da mamona porque considero essa história já largamente superada. Os dados da ANP mostram que até março nenhuma usina utilizou a oleaginosa para produzir biodiesel. Nenhuma, nem mesmo a Petrobras. A própria empresa nas repostas ao Globo não afirma que produz biodiesel com mamona. O destino deve certamente ser a venda do óleo, que remunera muito melhor. Mas voltando à criação do blog, freqüentemente nossas perguntas à estatal ficam sem respostas. E alguns meses atrás solicitamos ao então presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, algumas respostas, ao que a assessoria prontamente informou: “Vai ser difícil concluir o questionário”, se referindo as nossas perguntas. Eles acharam que eram muitas questões e não responderam nenhuma. Quem sabe agora, após a criação do blog, a estatal dê mais importância às nossas dúvidas. Por isso reenviei hoje as perguntas não respondidas para a assessoria da empresa. E estimulando os anseios de transparência, já me adianto ao blog da Petrobras e publico aqui as perguntas. E volto a parabenizar a Petrobras pela transparência que almeja ao criar o blog. Só que a iniciativa pode ser muito prejudicial caso as dúvidas continuem se acumulando. As dúvidas: A Petrobras divulgou que foi gasto cerca de 100 milhões de reais na construção de cada usina de biodiesel. Fabricantes do setor afirmam que com esse montante é possível construir até duas usinas com capacidade superior a uma unidade da Petrobras. Por que o custo foi tão acima do preço de mercado? As maiores usinas de biodiesel no Brasil foram construídas ou perto da produção de matéria-prima ou perto do consumo. Porque a Petrobras escolheu outra alternativa? As usinas existentes na região Nordeste e Norte possuem capacidade instalada muito superior à demanda, exigindo o transporte do biodiesel para o Sudeste, com o conseqüente aumento de custo. Isto já não seria um fator determinante para a instalação de novas usinas em outras regiões? Lembro que já está previsto uma nova usina na região Norte. Na divulgação do plano de negócios não foi mencionada a construção da usina 'premium' em Pernambuco (cuja autorização para construção foi assinada pelo presidente Lula em dezembro de 2008). Houve recuo nesse investimento? Quais são os gargalos das usinas de Quixadá e Montes Claros?
Confira as respostas para as perguntas nesta entrevista exclusiva. Na aquisição ou construção de novas usinas são considerados fatores políticos? As unidades da Petrobras planejam verticalizar a produção integrando esmagadoras? A diretriz de “operar com capacidade plena” pode ser revista em momentos de grande oferta e pouca demanda? Em quanto tempo a Petrobras Biocombustível espera ter retorno dos investimentos feitos com biodiesel? Como será o fornecimento de matéria-prima nas três unidades este ano? Como se dariam as duas parcerias que a empresa pretende fazer com outras usinas? Porque a Petrobras optou por concentrar suas usinas na região Nordeste? A Petrobras continuará focada nas regiões Nordeste e Norte ou pensa em outras regiões do Brasil para futuras unidades? Julio Cesar Vedana é diretor de redação da Revista BiodieselBR e do portal BiodieselBR.com Textos Relacionados:
![]() Comentarios (12)
![]()
José Paraiso :
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Perguntas a Petrobrás Onde está a concorrência interna nos posto de combustível se a Texaco foi embora, a Shell também, a Ypiranga já é da Petrobras. Nós consumidores vamos continuar a bancar os erros administrativos como esse da mamona e outros que vão aparecer quando a CPI funcionar. A Vale é um exemplo que dava lucro, quanto estatal, mas ao ser privatizada deu um salto enorme e tenho certeza que o país ganhou muito. |
|
|
Mamona Para Biodiesel A Petrobras não usa, como também nenhuma indústria de biodiesel no País usa. Mas sabemos que a aquisição de mamona por parte destas empresas é muito importante para um povo que durante muito tempo viveu fora das políticas públicas. Esse povo é a Agricultura Familiar, que tem no Programa de Biodiesel a oportunidade de ampliar sua receita através da geração de emprego e renda para sua família. Estamos também nos esquecendo que a verticalização também pode ser trabalhada junto a esses agricultores, uma vez que as plantas da Petrobras também estão preparadas para adquirir o óleo da Agricultura Familiar, agregando valor ao produto. |
|
|
Etanol, Vale, Privatização A rota metílica apresenta melhor viabilidade para fins industriais (custobenefício). Não é apenas a usina MOC da Petrobras, a própria Brasil ECODIESEL, maior produtor do país, também usa metanol em suas usinas. Sobre a Vale. É sabido que custou uma merreca (menos que o Banespa, por exemplo) e foi custeada pelo BNDES a fundo perdido. Um crime de lesa-pátria que ficou por isso mesmo. Parabéns à "imprensa livre" que não fez alarde. Privatizar a Petrobras. Brincadeira! A empresa multiplicou por 10 seu valor de mercado no governo Lula, justamente pelo fato de não ter seguido o desmonte da época FHC, quando foi vendida a Refap, sucateada a Reduc, desmantelada a RPBC, além de pisados os petroleiros nas greves da segunda metade da década de 1990. Só pra citar. Vá ler a história! Feliz cada novo dia... Leo |
|
|
Se a Petrobrás não responder, eu respondo. Senhores, estas perguntas me parecem muito infantis, pois não dizem se o problema é na implantação ou se são contra. Certamente uma consulta a contabilidade de custos responderia a maioria das perguntas, se não todas. Dado que o conhecimento é novo, é preciso muito investimento para a concretização econômica do projeto (afinal, ele tem que produzir lucro!). E também tem que quebrar a desgraça do paradigma da falta de confiança que uma meia dúzia de três brasileiros, inclusive os editores aqui, tem com o desenvolvimento, pois parece que não somos capazes de fazer uma coisa dar certo ou somos incapazes disso. Para comparação, nos EUA estarão gastando uma baba para viabilizar TECNOLOGICAMENTE e COMERCIALMENTE a produção de alcool por hidrólise, quando já dominamos o processo por aqui mesmo (www.iea.usp.br/iea/online/midiateca/etanolcelulosicosoares.pdf) e ví na internet um técnico de futebol, desculpem-me, um "especialista brasileiro" (que faz parte dos mais de 150 milhões de técnicos de futebol que nós somos!!!) especulando a nossa inferioridade, pois nos EUA gastarão mais US$ 1 bilhão na pesquisa de alcool por processo de hidrólise e aqui não passará de 60 milhões, sem ao menos considerar que já dominamos o processo" Mas se dominamos o processo por aqui, porque gastarão tanto dinheiro lá? Por um problema muito simples: lá eles não tem a matéria prima que nós temos! Portanto, o problemas deles é o seguinte: o produto tal vende mais porque é mais crocante ou é mais crocante por que vende mais? Considerando a energia que eles gastarão para o processo de hidrólise (é isso que inviabiliza a produção de hidrogênio automotivo....), o produto final deverá ser subsidiado com recursos públicos ou por invasões de outros paises para garantir que a gasolina e o diesel de continuem barata para que os pobres americanos continuem a ter seus potentes carros e continuar com o estilo "american way", ou seja, consumir tudo que podem, mesmo que para isso envenem ou destruam o planeta! (ah sim, graças a Deus que houve esta crise, pois isto dá um tempo para a mãe terra dar uma respirada. Dizem que o bacalhau foi salvo pela segunda guerra mundial. Dizem algumas pesquisas que, se continuassem a consumir o que eles consomem, precisaríamos nos próximos dez anos UM PLANETA E MEIO só para satisfazê-los. O problema e que nem eles e nem nós temos outro mundo para ir assim que os recursos deste forem exterminados por excesso de uso.) Caso os senhores quiserem pensar em uma desgraça ambiental, diremos que se a floresta amazônica estivesse lá, seria ELA a matéria prima do alcool produzido por hidrólise. Portanto, menos politização do assunto e mais pesquisa técnica, pois as verdades científicas são positivas e iguais em qualquer lugar da terra. |
|
|
E as respostas? Jorge, Cadê as respostas que vc daria no seu cometário? Eu estou esperando. E pesquise mais antes de escrever. O Brasil já domina a produção de etanol por hidrólise? Quer dizer que nosso álcool é produzido com os restos de lixo e de bagaço de cana ou qualquer outro composto orgânico? Os Eua estão gastando aquele dinheiro todo para fazer isso viável e quando for terão como produzir seu combustível sem depender das importações. Saber fazer é uma coisa, fazer com viabilidade econômica é outra bem diferente... |
|
|
Utilização ou exportação? Prezados Senhoes, Gostaria de deixar uma pergunta: A localização das usinas de produção estão relacionadas com a exportação de biodiesel para a Europa ou para os EUA? Nota: a Petrobras já assinou com a GALP (sua homóloga portuguesa) acordo para a distribuição de biodiesel na Europa. Obrigado pelas eventuais respostas. Cumprimentos, André Siqueira |
|
|
A velha caixa preta só vai ser aberta quando a CPI for instalada... Os diabinhos da caixa de Pandora vão ser finalmente soltos, e as corrupções e mazelas exibidos ao povo brasileiro. Apesar da Petrobrás estar investindo milhões em campanhas contra o senado federal para evitá-la, acredito que desta vez... quem viver verá... |
|
|
o problema não é a mamona A mamona não é o problema, o problema é do ser humano que colocam seus interesses acima de tudo, criando uma complexidade onde não há. O que falta ao Brasil é colocar a inteligencia, (tecnologica) para solucionar os problemas, viabilizando aquilo que se propaga inviável, e o nosso pais é mestre nestes problemas, deixando as oportunidades para outras nações que nos passam as pernas. E nos ditam ordem para fazermos algo que sabemos. |
|
|
e afgricultura familiar sabe disso? Todos vocês tem razão, somente a agricultura familiar nunca foi perguntada ou consultada se queria produzir mamona ou outra oleoginosa para o PNPB! esse povo humilde e desinformado ainda continua amargando a miséria, mais acentuda sob varias pressões e dialetos do agribusssines dos biocombustiveis. Tudo é certo menos para AF. socialmente abandonada, ecomicamente usada e ambientalmente destruida, só miséria através da ilusão de dias melhores. acorda Brasil de pensadores. |
|