Enquanto China cogita reduzir compras, bioenergia cria nova demanda por grãos no Brasil
No momento em que a China fala em reduzir suas importações de grãos, a demanda gerada pelos biocombustíveis tem ajudado a sustentar os preços de soja e milho. As oportunidades geradas pela bioenergia pautaram debates no 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que começou nesta terça-feira (11/8) e segue até quinta no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Segundo o CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, os biocombustíveis são uma pauta estratégica para todo o agronegócio, não apenas para as usinas. A soja fornece óleo para a produção de biodiesel, enquanto o milho fornece amido para a produção de etanol. A cana-de-açúcar continua sendo a principal referência do etanol brasileiro, mas a expansão do milho criou rapidamente uma nova cadeia de etanol no país. Por isso, a expansão do segmento é estratégica também para os distribuidores de insumos.
"A cadeia de biocombustíveis é extremamente estratégica para todos os atores do agro. Começando, obviamente, pelo agricultor, porque hoje grande parte da sustentação de preço vem justamente por essa demanda que o biocombustível está gerando, aumentando e sustentando", observou Dumoncel.
De acordo com o executivo, a 3tentos contabiliza hoje o esmagamento de 2.800 toneladas de milho e a produção de 1,2 milhão de litros de etanol por dia. Na soja e canola, o esmagamento soma 10.800 toneladas, com produção de 3 milhões de litros de biodiesel por dia.
Líder em biocombustíveis na Caramuru Alimentos, Janaina Lemes ressaltou que a bioenergia deixou de ser uma questão de combustíveis para envolver a integração com os alimentos e toda a cadeia agroindustrial. A ideia é de complementaridade entre os setores, com o crescimento dos biocombustíveis estimulando a produção e o processamento de soja, milho e outros grãos.
Além de continuar exportando commodities, Janaina defendeu que o Brasil precisa criar demanda interna. A expansão da bioenergia, na avaliação dela, pode cumprir esse papel e fomentar investimentos em toda a cadeia. "Então nós precisamos de previsibilidade através de políticas públicas para ter novas rotas", resumiu, citando a possibilidade de uso de culturas alternativas, como a macaúba e o sorgo.
Danton Boatini Júnior – Globo Rural


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