Conheça quem está por traz e como está a construção da segunda maior usina de biodiesel do Brasil
BiodieselBR.com ··5 min de leitura
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Uma notícia a respeito da construção de uma nova usina de biodiesel publicada por BiodieselBR.com na semana passada espantou a pasmaceira que pairava sobre o setor. Não é de se estranhar. Já que fazia alguns anos que nenhuma empresa totalmente estranha – ela se chama FRCB – ao segmento se aventurava a construir uma usina. Muito menos uma com capacidade para fabricar mais de 400 milhões de litros por ano.
O interesse na usina também gerou muita desconfiança. Todo mundo parece estar se fazendo as mesmas perguntas: será que a usina sai mesmo do papel? Quem é a FRCB? Como ela vai conseguir todo esse óleo?
BiodieselBR.com foi atrás de informações e conseguiu apurar mais detalhes.
Uma notícia a respeito da construção de uma nova usina de biodiesel publicada por BiodieselBR.com na semana passada espantou a pasmaceira que pairava sobre o setor. Não é de se estranhar. Já que fazia alguns anos que nenhuma empresa totalmente estranha – ela se chama FRCB – ao segmento se aventurava a construir uma usina. Muito menos uma com capacidade para fabricar mais de 400 milhões de litros por ano.
O interesse na usina também gerou muita desconfiança. Todo mundo parece estar se fazendo as mesmas perguntas: será que a usina sai mesmo do papel? Quem é a FRCB? Como ela vai conseguir todo esse óleo?
BiodieselBR.com foi atrás de informações e conseguiu apurar mais detalhes.
Quem é a FRCB Apesar do nome da empresa ser novo, o dono da usina já tem experiência no setor. Creudevaldo Birtche – também conhecido pelo apelido Tucura –, é o proprietário da FRCB. Junto com Victor Birtche, ele foi um dos sócios da CLV.
Localizada em Colíder (MT), a usina da CLV tinha capacidade de produção de 36 milhões de litros por ano e foi inaugurada no primeiro semestre de 2008. Em dezembro de 2009, a planta foi adquirida pelo frigorífico Bertin pelo valor de R$ 30 milhões e, mais tarde, passou às mãos do Grupo JBS quando este incorporou a Bertin.
Em junho de 2011 a JBS anunciou a paralização das atividades da usina.
O novo empreendimento, contudo, está sendo tocado por Tukura, sem a participação do antigo parceiro.
A construção As imagens abaixo mostram como o projeto da usina é antigo. Em agosto de 2012, o terreno que será ocupado pela planta já havia sido terraplanado.
Em setembro do ano seguinte, a base dos taques de matérias-primas e de biodiesel já estavam feitas, bem como prédios que abrigarão a operação da usina. Até novembro de 2013, haviam sido finalizadas as ruas internas da planta.
Até meados de 2014, contudo, a construção ficou quase parada, mas em junho daquele ano já é possível ver o início das obras dos tanques que vão armazenar o biodiesel produzido pela usina. No final de julho, já era possível ver dois tanques erguidos e cobertos e um terceiro com suas paredes levantadas.
Passado um ano, em junho de 2015, vemos os 11 tanques de biodiesel finalizados e a construção do último dos tanques de matéria-prima sendo finalizada. Também já é possível ver onde ficará a usina e seus tanques de suprimentos. Nos meses que seguem é possível ver o avanço na construção desses tanques e o estado da construção até o dia primeiro de setembro de 2015.
Olhando essas imagens seria de se supor que a construção segue avançando, mas essa suposição está errada. Segundo Toshio, diretor administrativo da FRCB, a crise econômica do pais fez com que o projeto reduzisse o ritmo e sua finalização só é esperada em 2017.
Autorização A autorização para construção da usina só foi publicada pela ANP no dia 23 de fevereiro de 2016. Porém o processo de autorização começou bem antes: no dia primeiro de abril de 2014.
Como pode ser visto nas imagens a construção dos tanques começou anos antes desse pedido, mas como a construção da usina propriamente dita ainda não foi iniciada, o empreendimento como um todo segue respeitando as determinações da agência reguladora.
Matéria-prima A construção de uma esmagadora não faz parte dos planos da FRCB nesse momento e a grande questão é como ele vai conseguir matéria-prima para suprir a demanda da usina. Todas as grandes usinas de Mato Grosso são esmagadoras ou têm parcerias comerciais com esmagadoras (no caso da Fiagril).
Pessoas que trabalham com óleo de soja e biodiesel no Mato Grosso veem dificuldade em conseguir óleo na quantidade necessária por um preço competitivo. Apesar do estado não consumir todo o óleo de soja que produz, a demanda dos estados limítrofes é grande e haveria uma disputa maior para esse óleo ficar no estado.
Além disso, os dois grandes fornecedores de óleo mais próximos são a Noble e a ADM em Rondonópolis. Ambas são donas usinas de biodiesel e estão mais próximas do Sudeste. Considerando São Paulo como destino, o óleo teria que ir dar um passo para trás (sair de Rondonópolis e ir até Várzea Grande) para, só depois, seguir rumo ao destino final (sair de Várzea Grande, passar por Rondonópolis e seguir para São Paulo) o que teria dois efeitos negativos sobre a competitividade do empreendimento: o óleo ficaria mais caro e o biodiesel teria que ser vendido mais barato por estar mais distante do destino.
Por isso, é presumível que a nova usina procure incluir uma boa quantidade de sebo em seu mix, mas não há tanto sebo disponível para atender a capacidade.
Esse novo projeto será olhado de perto pelo setor. O tamanho da usina que já está saindo do chão chamou a atenção de todos. A viabilidade do negócio e a data que a usina entrará em funcionamento ainda são uma dúvida.