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Glicerina pode ser usada como aditivo na produção de cimento

Um estudo conduzido por pesquisadores italianos demonstrou vantagens do aproveitamento da clicerina como aditivo no processo da fabricação de cimento.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Apesar de suas inúmeras aplicações, encontrar novas usos para o aproveitamento da glicerina coproduto do biodiesel ainda é um trabalho em andamento. Um grupo de pesquisadores pode ter dado um grande passo nesse sentido ao demonstrar que o glicerol pode ser usado como aditivo multifuncional no processo de moagem para a fabricação de cimentos. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisa de Palermo em colaboração com as Universidades de Milão e do Panamá.


Apesar de suas inúmeras aplicações, encontrar novas usos para o aproveitamento da glicerina coproduto do biodiesel ainda é um trabalho em andamento. Um grupo de pesquisadores pode ter dado um grande passo nesse sentido ao demonstrar que o glicerol pode ser usado como aditivo multifuncional no processo de moagem para a fabricação de cimentos. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisa de Palermo em colaboração com as Universidades de Milão e do Panamá.

O potencial do aproveitamento da glicerina pela indústria de construção e de concretos já era conhecido, mas vem sendo restringido por conta do alto preço da substância pura. Isso mudou radicalmente com a ascensão da indústria do biodiesel. Como, o processo de fabricação de biodiesel produz glicerina como subproduto – aproximadamente 10% de toda matéria-prima consumida pelas usinas de biodiesel se torna glicerina – o mercado foi inundado com produto barato. O estudo dos pesquisadores de Palermo inova ao chancelar o aproveitamento desse coproduto em seu estado bruto que é mais barato.

Produzir cimento é uma atividade intensiva em energia com alto impacto ambiental. Para fabricar cimento é preciso calcinar uma mistura de rocha calcária, argila e aditivos químicos a temperaturas de até 1.600ºC para formar o chamado clínquer que precisa, então, ser resfriado e moído até se tornar um pó fino. O uso de aditivos pode ajudar a reduzir o consumo de energia nessa última etapa do processo e é aí que a glicerina pode se tornar uma nova opção.

“O glicerol é um composto valioso para a indústria de construção de concreto exatamente pela mesma razão que o torna inutilizável em aplicações farmacêuticas ou de higiene pessoal, ou seja, que não é puro”, diz o professor Mario Pagliaro, que liderou o estudo. Segundo o pesquisador, com o uso da glicerina, o consumo de energia na moagem do clínquer ficou até 10% menor quando comparado a outros aditivos disponíveis no mercado.

O professor afirma ainda que as estruturas de concreto feitas a partir desse cimento têm propriedades mecânicas e resistência à corrosão melhores que estruturas idênticas obtidas sem a adição de glicerina.

O estudioso destaca que o aprimoramento das propriedades em função do uso do coproduto pode ter um impacto enorme, se consideradas as grandes estruturas de concreto, como o canal do Panamá, barragens, pontes, pavimentação de aeroportos e rodovias.

Difusão

O potencial de glicerol como um aditivo a ser usado na fabricação do cimento já tem chamado há tempos a atenção da indústria de construção estrangeira.

Segundo Pagliaro desde a primeira utilização da glicerina como aditivo no processo de moagem para fabricação de cimento – na Itália, cerca de dez anos atrás –, as empresas de construção têm passado a utilizar o coproduto em ritmo crescente. De acordo com o especialista, em 2010, o glicerol correspondeu a 20% dos aditivos de moagem usados no mercado europeu.

“Como tendência para o futuro, esperamos difundir a aplicação do glicerol, com cada vez mais dados publicados por diferentes pesquisadores em diferentes países confirmando sua adequação para a fabricação de cimentos superiores”, torce Pagliaro.

O professor também acredita que, com a expansão da indústria de biodiesel e óleos químicos ao redor do mundo, seja possível disponibilizar, a um custo acessível, as quantidades suficientes de glicerina para satisfazer esta e outras aplicações.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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