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MME apresenta modelo do RenovaBio com cenários, metas, premissas e impactos

Segundo cálculos apresentados pelo ministério, demanda de etanol em 2028 está projetada para atingir 46,9 bilhões de litros. No entanto, como os demais biocombustíveis ficaram com projeções pequenas, etanol pode perder espaço, especialmente para o biodiesel.

NovaCana 5 min de leitura

O Ministério de Minas e Energia (MME) finalizou ontem o que talvez seja o ponto mais importante do RenovaBio: as metas do programa até 2028. Mas não só isso. Uma apresentação do MME mostrou que está finalizado o modelo preliminar do RenovaBio estabelecendo os cenários, premissas e impactos do programa.

O Ministério de Minas e Energia (MME) finalizou ontem o que talvez seja o ponto mais importante do RenovaBio: as metas do programa até 2028. Mas não só isso. Uma apresentação do MME mostrou que está finalizado o modelo preliminar do RenovaBio estabelecendo os cenários, premissas e impactos do programa.

A apresentação, com 30 slides, é uma das mais completas e detalhadas sobre como o governo está imaginando que o programa vai se desenvolver.

O ponto de destaque, que determinará todo o funcionamento, é a meta proposta. Segundo o modelo a Intensidade de Carbono (IC) deve cair 7% em relação a 2017, passando de 74,25 gCO2/MJ para 68,97 gCO2/MJ. É com base nesse valor que será estabelecido o mercado de créditos de descarbonização (CBios).

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O resultado dessa meta é um crescimento de 19,38% nas emissões da matriz de biocombustíveis em comparação com 2018. Esse número pode parecer contraditório, mas ele é o resultado esperado do RenovaBio, de acordo com o estabelecido pelo MME na quarta reunião do Comitê RenovaBio, realizada ontem (25).

Mais especificamente, o número é referente a uma emissão de 345 milhões de toneladas de carbono equivalente na matriz nacional de combustíveis. Apesar de representar um aumento, ele corresponde a uma mitigação de 80 milhões de toneladas, uma vez que um crescimento constante das emissões – ou seja, um cenário sem o RenovaBio – alcançaria um total de 425 milhões de toneladas de carbono.

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Preços e demanda

Além de trazer a proposta de meta, a apresentação abordou diversos pontos sensíveis do RenovaBio, como o impacto no preço de aquisição dos combustíveis pelas distribuidoras.

Nesse caso, o MME calculou que, em 2028, a gasolina A terá subido 0,3%, enquanto o etanol hidratado cairá 1% e o etanol anidro verá uma redução de 1,1% – consequentemente, o impacto esperado para a gasolina C será de uma diminuição de 0,01% nos preços. Também foram analisados diesel A, biodiesel, diesel B e querosene de aviação.

Além disso, o ministério também trouxe a projeção de demanda para cada combustível, considerando a meta apresentada. Em 2028, o consumo de etanol hidratado deve alcançar 35,7 bilhões de litros, enquanto o etanol anidro representará 11,2 bilhões, totalizando 46,9 bilhões de litros.

Para chegar a esses números, o MME utilizou a modelagem econômica que está sendo proposta para a definição das metas anuais e o acompanhamento do programa. Como resultado, a expectativa é de um aumento da participação dos biocombustíveis na matriz de combustíveis, de 20% para 25,5%.

O modelo considera premissas pré-estabelecidas para a capacidade de produção de gasolina, diesel, etanol anidro e querosene de aviação. Também foram observados pontos específicos do Ciclo Otto – como o aumento de eficiência nos veículos novos, a participação de veículos flex na frota, a demanda e outros – e do Ciclo Diesel.

Outro ponto levantado pela apresentação é a evolução da dependência nacional de combustíveis importados. Foram apresentados valores para gasolina A, etanol anidro, diesel A e querosene de aviação. Todos esses aspectos estão detalhados na apresentação completa (disponível para download ao final da reportagem).

Concorrência

Contudo, é preciso considerar que a meta estabelecida pelo RenovaBio será a mesma para todos os biocombustíveis, incluindo biodiesel, bioquerosene de aviação e biometano, por exemplo.

Nesses casos, o MME considerou em seus cálculos que o percentual de mistura de biodiesel se manterá em 10%, enquanto os demais não serão obrigatórios. A perspectiva do setor de biodiesel é que a mistura chegue a 15%. Em relação à demanda, bioquerosene de aviação e biometano devem permanecer sem consumo. Já o biodiesel deve saltar de 5,7 bilhões de litros em 2018 para 7,4 bilhões em 2028, com B10.

Qualquer crescimento além dessas premissas implicaria em uma queda no mercado de etanol hidratado, uma vez que a meta total é fixa e esse biocombustível é suscetível a flutuações de demanda devido a sua concorrência direta com a gasolina.

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Mercado de CBios

A apresentação ainda traz um valor para o preço dos CBios, calculado com base em dados internacionais: R$ 34 por tonelada.

Considerando esta previsão para a meta de CBios em 2028 e o preço de R$ 34, a expectativa do ministério é que o RenovaBio crie um mercado de R$ 2,71 bilhões.

Também conforme a apresentação do MME, caso esse valor caia para R$ 17, o mercado encolherá para R$ 1,36 bilhão. Em contrapartida, um aumento no valor do crédito para R$ 146 fará com que as negociações somem R$ 11,6 bilhões.

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Adoção do programa

No atual documento, o ministério enumera 20 campos que receberão valores de entrada e, portanto, podem ser alterados em diferentes cenários de cálculo. Entre eles estão: a capacidade de produção de combustíveis, a expectativa de demanda, a eficiência dos veículos e até mesmo a taxa de apropriação da receita obtida com os créditos de descarbonização (CBios) por parte dos produtores de biocombustíveis.

Aliás, essa taxa também recebeu sua própria projeção. De acordo com o MME, inicialmente, os produtores de biocombustíveis tendem a se apropriar de maior parte da receita obtida por meio da venda dos CBios, devido a limitações na capacidade de produção. “Posteriormente, o aumento da capacidade produtiva estimularia comportamento concorrencial e, consequentemente, o repasse da receita por meio dos preços”, complementa.

Ainda segundo o MME, a proporção da capacidade de produção de combustíveis certificada deve crescer de 28% em 2019 para 98% em 2028. Ou seja, a expectativa do ministério envolve uma adoção quase total do programa pelo setor produtivo.

Renata Bossle – NovaCana

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