
Há uma semana se encerrava a Conferência BiodieselBR 2015. A edição deste ano foi marcada por uma grande melhora nas perspectivas de médio prazos para o setor que chegou ao evento sem uma perspectiva clara e saiu acreditando que o B10 pode estar muito mais perto do que se pensava.
Nos próximos dias serão publicados vários textos sobre o que aconteceu em cada painel do evento. Mas as apresentações e discussões que mudaram a perspectiva do setor serão apresentadas abaixo.
Há uma semana se encerrava a Conferência BiodieselBR 2015. A edição deste ano foi marcada por uma grande melhora nas perspectivas de médio prazos para o setor que chegou ao evento sem uma perspectiva clara e saiu acreditando que o B10 pode estar muito mais perto do que se pensava.
Nos próximos dias serão publicados vários textos sobre o que aconteceu em cada painel do evento. Mas as apresentações e discussões que mudaram a perspectiva do setor serão apresentadas abaixo.
Antes da Conferência
As usinas de biodiesel não estavam felizes. O último leilão terminou com notícias de margens negativas e o encolhimento da economia fez com que as usinas vendessem quase 10% menos biodiesel que o esperado para o ano.
A expectativa de que o B7 seria a solução para os problemas do setor não se concretizou. O aumento de mistura aprovado no ano passado deu fôlego para o setor passar por 2015 com menos arranhões e muitas usinas vão terminar o ano com o negócio biodiesel dando lucro. Contudo, a concorrência aumentou ao longo do ano e a expectativa para 2016 era de um ano difícil.
No horizonte político, o setor havia ganho o biodiesel autorizativo. Por certo, a possibilidade de frotas cativas comprarem mais biodiesel do que o percentual obrigatório é uma boa notícia para o setor. Mas, por seu ineditismo e pelo fato das regras ainda não terem sido totalmente reveladas, o setor não tinha como ter uma noção do impacto que a medida causaria.
No Congresso até circulam alguns Projetos de Lei que preveem o aumento do uso obrigatório, mas como decisões sobre o biodiesel sempre foram coisa Planalto, boa parte do setor não acreditava no sucesso das iniciativas.
Depois da Conferência
Passada a primeira hora da Conferência, o sentimento era muito mais otimista.
A razão para a mudança no ânimo geral era o Projeto de Lei do Senado 613/2015 (PLS 613/15) de autoria do senador Donizeti Nogueira. Em sua atual redação, a proposta prevê o uso obrigatório de B8 em 90 dias depois de sua promulgação, de B9 seis meses depois do B8, e de B10 seis meses depois do B9. Além disso, determina o uso de B20 no transporte público nas cidades com mais de 500 mil habitantes em 90 dias de sua publicação e um cronograma anual de implementação em cidade menores até a chegada em cidades de 200 mil habitantes.
O senador Donizeti Nogueira e o deputado federal Evandro Gussi mostraram que há interesse real no Congresso pela aprovação desse PLS. A resistência seria o governo federal. Nesse ponto, o representante do ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, mostrou que o governo não é contra o B10. “Para o B10 me parece que a questão é só prazo. O governo já sinalizou no passado com B10 era um número adequado para se chegar na obrigatoriedade. E acho que passa numa questão de prazo, de tempo para se chegar a isso“ disse Dornelles em durante o debate.
A partir daí tudo se resumiu a uma questão de calendário. O consenso é que cronograma original do PLS 613/2015 de 15 meses é curto; tanto que durante o debate com o Erasmo Battistella presidente da Aprobio, Fábio Trigueirinho, secretário geral da Abiove e Juan Diego Ferrés da Ubrabio, todos concordaram que o prazo ideal para a chegada do B10 seria entre dois e três anos.
O sentimento de todos durante o coquetel no final do primeiro dia era que uma nova perspectiva para o setor seria apresentada em breve. E que o B8 tem grandes chances de vir até meados do ano que vem.
Autorizativo
Além do aumento no uso obrigatório de biodiesel, o potencial do uso autorizativo também animou o mercado. O principal motivo foram os números apresentados por Ricardo Gomide, Coordenador-Geral de combustíveis renováveis do MME.
Usando como base as regras da Resolução 3/2015 do CNPE e os preços praticados de diesel e biodiesel, a projeção do ministério é um mercado teórico para o biodiesel autorizativo chegaria a 1,7 bilhão de litros por ano. O governo acredita que um terço desse volume possa vir a ser efetivamente demandado, o que já daria uma demanda extra superior a 560 milhões de litros por ano.
Esse volume é equivalente ao incremento de 1% na mistura. Como a demanda pelo autorizativo será principalmente nos estados onde há produção excedente, os números agradaram muitos produtores presentes no evento.
Também ficou claro que existem muitos pontos a serem desenvolvidos com o autorizativo. O MME e a ANP ainda precisam definir como será feito todo o processo operacional de compra e venda do biocombustível. Até mesmo as distribuidoras não conseguem estimar como essa medida irá impactar o mercado de diesel e a concorrência entre elas.
O futuro
Na próxima quinta-feira (05), a Anfavea e as associações do setor de biodiesel se reunirão com o governo para discutir a garantia dos motores com misturas acima de 7%. O PLS 613/15 vai novamente para votação na quarta-feira (11), e nessa data a negociação com o governo, Anfavea e Sindicom já deverá estar concluída.
Os trabalhos dos próximos dias não deverão ser nem pouco fáceis, mas o setor tem, dessa vez, um forte argumento a seu lado com o preço do biodiesel consideravelmente mais baixo que o do diesel em vários estados. E tem permanecido assim há um bom tempo o que leva a vontade do governo federal em superar os problemas do uso maior de biodiesel a ficar diretamente proporcional a essa diferença.
Resta descobrirmos o tamanho da disposição da Anfavea em lutar contra o biodiesel.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR
Nos próximos dias serão publicados vários textos sobre o que aconteceu em cada painel do evento. Mas as apresentações e discussões que mudaram a perspectiva do setor serão apresentadas abaixo.
Há uma semana se encerrava a Conferência BiodieselBR 2015. A edição deste ano foi marcada por uma grande melhora nas perspectivas de médio prazos para o setor que chegou ao evento sem uma perspectiva clara e saiu acreditando que o B10 pode estar muito mais perto do que se pensava.
Nos próximos dias serão publicados vários textos sobre o que aconteceu em cada painel do evento. Mas as apresentações e discussões que mudaram a perspectiva do setor serão apresentadas abaixo.
Antes da Conferência
As usinas de biodiesel não estavam felizes. O último leilão terminou com notícias de margens negativas e o encolhimento da economia fez com que as usinas vendessem quase 10% menos biodiesel que o esperado para o ano.
A expectativa de que o B7 seria a solução para os problemas do setor não se concretizou. O aumento de mistura aprovado no ano passado deu fôlego para o setor passar por 2015 com menos arranhões e muitas usinas vão terminar o ano com o negócio biodiesel dando lucro. Contudo, a concorrência aumentou ao longo do ano e a expectativa para 2016 era de um ano difícil.
No horizonte político, o setor havia ganho o biodiesel autorizativo. Por certo, a possibilidade de frotas cativas comprarem mais biodiesel do que o percentual obrigatório é uma boa notícia para o setor. Mas, por seu ineditismo e pelo fato das regras ainda não terem sido totalmente reveladas, o setor não tinha como ter uma noção do impacto que a medida causaria.
No Congresso até circulam alguns Projetos de Lei que preveem o aumento do uso obrigatório, mas como decisões sobre o biodiesel sempre foram coisa Planalto, boa parte do setor não acreditava no sucesso das iniciativas.
Depois da Conferência
Passada a primeira hora da Conferência, o sentimento era muito mais otimista.
A razão para a mudança no ânimo geral era o Projeto de Lei do Senado 613/2015 (PLS 613/15) de autoria do senador Donizeti Nogueira. Em sua atual redação, a proposta prevê o uso obrigatório de B8 em 90 dias depois de sua promulgação, de B9 seis meses depois do B8, e de B10 seis meses depois do B9. Além disso, determina o uso de B20 no transporte público nas cidades com mais de 500 mil habitantes em 90 dias de sua publicação e um cronograma anual de implementação em cidade menores até a chegada em cidades de 200 mil habitantes.
O senador Donizeti Nogueira e o deputado federal Evandro Gussi mostraram que há interesse real no Congresso pela aprovação desse PLS. A resistência seria o governo federal. Nesse ponto, o representante do ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, mostrou que o governo não é contra o B10. “Para o B10 me parece que a questão é só prazo. O governo já sinalizou no passado com B10 era um número adequado para se chegar na obrigatoriedade. E acho que passa numa questão de prazo, de tempo para se chegar a isso“ disse Dornelles em durante o debate.
A partir daí tudo se resumiu a uma questão de calendário. O consenso é que cronograma original do PLS 613/2015 de 15 meses é curto; tanto que durante o debate com o Erasmo Battistella presidente da Aprobio, Fábio Trigueirinho, secretário geral da Abiove e Juan Diego Ferrés da Ubrabio, todos concordaram que o prazo ideal para a chegada do B10 seria entre dois e três anos.
O sentimento de todos durante o coquetel no final do primeiro dia era que uma nova perspectiva para o setor seria apresentada em breve. E que o B8 tem grandes chances de vir até meados do ano que vem.
Autorizativo
Além do aumento no uso obrigatório de biodiesel, o potencial do uso autorizativo também animou o mercado. O principal motivo foram os números apresentados por Ricardo Gomide, Coordenador-Geral de combustíveis renováveis do MME.
Usando como base as regras da Resolução 3/2015 do CNPE e os preços praticados de diesel e biodiesel, a projeção do ministério é um mercado teórico para o biodiesel autorizativo chegaria a 1,7 bilhão de litros por ano. O governo acredita que um terço desse volume possa vir a ser efetivamente demandado, o que já daria uma demanda extra superior a 560 milhões de litros por ano.
Esse volume é equivalente ao incremento de 1% na mistura. Como a demanda pelo autorizativo será principalmente nos estados onde há produção excedente, os números agradaram muitos produtores presentes no evento.
Também ficou claro que existem muitos pontos a serem desenvolvidos com o autorizativo. O MME e a ANP ainda precisam definir como será feito todo o processo operacional de compra e venda do biocombustível. Até mesmo as distribuidoras não conseguem estimar como essa medida irá impactar o mercado de diesel e a concorrência entre elas.
O futuro
Na próxima quinta-feira (05), a Anfavea e as associações do setor de biodiesel se reunirão com o governo para discutir a garantia dos motores com misturas acima de 7%. O PLS 613/15 vai novamente para votação na quarta-feira (11), e nessa data a negociação com o governo, Anfavea e Sindicom já deverá estar concluída.
Os trabalhos dos próximos dias não deverão ser nem pouco fáceis, mas o setor tem, dessa vez, um forte argumento a seu lado com o preço do biodiesel consideravelmente mais baixo que o do diesel em vários estados. E tem permanecido assim há um bom tempo o que leva a vontade do governo federal em superar os problemas do uso maior de biodiesel a ficar diretamente proporcional a essa diferença.
Resta descobrirmos o tamanho da disposição da Anfavea em lutar contra o biodiesel.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR