Reunião entre representantes do setor produtivo e Ministério da Fazenda para tentar desbloquear o novo marco terminou com indefinição.
BiodieselBR.com ··3 min de leitura
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Reunião entre representantes do setor produtivo e Ministério da Fazenda para tentar desbloquear o novo marco terminou com indefinição.
Ontem (15), entidades do setor estiveram em Brasília onde tiveram reunião com representantes do Ministério da Fazenda para tentar descobrir o que ainda está emperrando a apresentação do novo marco regulatório do biodiesel. Além da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) – responsável por viabilizar o encontro –, estiveram presentes representantes da Associação Brasileira de Produtores de Biodiesel (Aprobio), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Frente Parlamentar em Defesa do Biodiesel.
As entidades foram recebidas pelo secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda (SAE/MF), Pablo Fonseca. Segundo apurado por BiodieselBR.com, seria a equipe de Fonseca a encarregada por analisar supostos impactos inflacionários envolvendo o aumento da mistura do biodiesel ao diesel.
Nas cerca de duas horas em que estiveram com o secretário, as entidades centraram suas considerações na apresentação das diversos dividendos econômicos que um aumento na produção de biodiesel poderia render para o país – do aumento do PIB a uma economia substancial nas importações de diesel.
A estratégia não é nova. Há tempos as principais entidades representativas do segmento vêm encomendando estudos para atestar que os benefícios econômicos do produto sobrepõem-se a supostos impactos inflacionários. Os resultados dessas pesquisas já foram apresentados na interlocução com outras pastas envolvidas nas decisões do PNPB, mas a Fazenda tem se mostrado reticente.
“A grande dúvida continua sendo o impacto inflacionário”, afirma Julio Minelli, diretor superintendente da Aprobio, que acompanhou a reunião. “Eles (a equipe econômica do governo) não veem os benefícios de diminuir rombo no caixa da Petrobras, já que o aumento da mistura poderá redundar em menos importação de diesel, o que melhora a balança comercial. Como o preço do biodiesel ainda é maior que o diesel que a Petrobras vende, ficam preocupados com o impacto que a elevação de teor pode produzir”, expõe.
Nem todo mundo saiu do encontro com a certeza de que o que está brecando o avanço da mistura são possíveis impactos na inflação. “Não ficou claro para nós qual é o receio do governo. Esperava sair do encontro sabendo algo mais concreto nesse sentido”, reclamou Daniel Furlan Amaral, da Abiove. Para o economista, saber efetivamente qual é a trava para o avanço da mistura permitiria ao setor ampliar seu poder de argumentação com o governo.
Indefinição Embora as entidades ouvidas por BiodieselBR.com tenham avaliado a reunião como “produtiva”, “positiva”, “mais um passo no convencimento para a criação do novo marco”, ninguém arrisca a precisar quando o aumento de mistura virá.
A reserva em relação ao assunto, mesmo após a reunião na Fazenda, leva a crer – para desânimo do setor – que a medida provisória que cria o novo marco ainda não tem data para ser apresentada.