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Usinas e distribuidoras comentam os resultados do Leilão 30

L30 opinioes_170413BiodieselBR.com procurou alguns dos principais atores da cadeia do biodiesel para saber o que eles acharam do resultado do 30° Leilão da ANP.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
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BiodieselBR.com procurou alguns dos principais atores da cadeia do biodiesel para saber o que eles acharam do resultado do 30° Leilão da ANP.

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Dois pontos chamaram a atenção no resultado final do 30º Leilão: os preços baixos praticados e um volume comercializado aquém do esperado. Bom para as distribuidoras, nem tanto para as usinas, que vão ter que se virar para trabalhar com margens apertadas durante o bimestre.

Encerrado no último dia 05, o certame arrematou 488,5 milhões de litros de biodiesel a um preço médio de R$ 2.031,22 por metro cúbico, movimentando R$ 967,9 milhões.

A demanda acabou sendo inferior à do leilão anterior – que foi o primeiro bimestral. Ao que tudo indica, isso tem bastante a ver com o aumento de 5% para 10% no valor da multa cobrada sobre os volumes não retirados pelas distribuidoras. O risco maior levou os compradores a assumirem uma postura mais cautelosa. “Eu acho que a alteração da penalidade de 5% para 10% sobre o volume inferior a 90% não retirado/entregue, pode ter contribuído para uma posição mais conservadora”, avalia o gerente comercial da Cargill. Elcio de Angelis.

O supervisor de trading da Alesat, Ricardo Gullo Chernicharo, concorda que as multas mais salgadas podem ter tido um impacto, mas considera que muitos distribuidores podem ter exagerado nas aquisições no bimestre anterior e ter chegado ao L30 com saldo. “É possível que isso tenha influenciado o planejamento de compras das distribuidoras, que podem estar com os estoques já elevados”, comenta.

Com as compras em baixa, os preços também tendem a cair. “As usinas reduzem suas margens porque acabam tendo que optar por qual será o menor prejuízo: deixar a fábrica parada ou baixar os preços”, justifica o diretor superintendente da Aprobio, Julio Cesar Minelli. Além da lei da oferta e da procura, a redução nas cotações do óleo de soja foi indicada como outra responsável pela queda nos preços médios. 

Elcio de Angelis, gerente comercial para biodiesel da Cargill
Acho que o resultado do leilão era esperado quando consideramos que havia mais de 1 milhão de m³ de capacidade habilitada para o leilão, 750 mil m³ oferecidos pelas usinas e uma demanda próxima de 500 mil m³. Os preços foram o reflexo desta equação de oferta e demanda, auxiliados pelos preços mais baixos do óleo de soja. É uma combinação de fatores, não um único. O resultado é o que tivemos: preços menores do que no leilão anterior e margens reduzidas. Acredito que algumas usinas terão dificuldades de rentabilizar a produção.

Olhando para o volume de vendas de diesel em janeiro e fevereiro (combinados), fica mais fácil entender o porquê a demanda por biodiesel foi menor. É um sinal claro que o mercado está sentindo os efeitos da situação econômica atual, do caos logístico que resulta em menor consumo, e das expectativas futuras.

Julio Cesar Minelli, diretor superintendente da Aprobio

O Leilão tem ficado complicado para algumas empresas, a oferta é cada vez maior do que a demanda. Em função do êxito dos programas de biodiesel, alguns empresários continuam investindo, se modernizando e isso começa a se materializar em aumento de produção.É gritante a necessidade de um novo marco para aumentar a mistura. Os preços do biodiesel acompanham a cotação da matéria-prima. Nesse momento, a soja, que ainda é a maior fornecedora para o combustível, está com supersafra, o que faz com que tenhamos preços bem competitivos.

Carlos Omar Polastri, diretor executivo da Cesbra
Nossa avaliação é de um resultado muito ruim, pois os preços de venda foram muito baixos, para se ter margem positiva na produção, temos que contar com incentivos fiscais, compra de matérias-primas alternativas, etc. Reputo aos níveis de preço deste leilão a necessidade estratégica de algumas usinas em vender o maior volume possível sem se preocupar com o resultado direto do negócio. O resultado dessa prática é um só: canibalismo comercial, onde as usinas verticalizadas tem uma grande vantagem sobre as não verticalizadas.

Luiz Carlos Ferreira de Paula, gestor administrativo da Taurus Distribuidora
Tivemos um Leilão com grande oferta de produto em todas as regiões do país. Várias usinas entraram no mercado de produção de biodiesel, muitas delas também aumentaram sua capacidade. Mas como as vendas de diesel se mantiveram num ritmo constante, tivemos uma sobreoferta do biodiesel. Nada mais do que a lei da oferta e procura. Os preços foram melhores que os praticados no leilão passado, o que é interessante.

Ricardo Gullo Chernicharo, supervisor de trading da Alesat
De certa forma foi um resultado esperado. Acredito que os produtores de biodiesel estão com margens para poder reduzir os preços, acompanhando os preços do mercado de óleo de soja. Além disso, a proximidade dos preços do biodiesel com os do diesel podem ajudar a justificar um aumento de mistura que é algo que os produtores vêm trabalhando.

Quanto ao volume comercializado, é possível que o risco da incidência de multas por saldos não retirados tenha influenciado o planejamento de compras das distribuidoras, algumas podem estar com estoques elevados de compras efetuadas dos últimos leilões. Isso pode ter tido efeito neste leilão.

Patricia Herman – BiodieselBR.com
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