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Oferta no 75º leilão será decisiva para a manutenção do B12

Comportamento das usinas no L75 poderá evitar a necessidade de uma nova redução temporária da mistura obrigatória de biodiesel

BiodieselBR.com 6 min de leitura

Na próxima semana deverá acontecer o 75º Leilão de Biodiesel da ANP. Dessa vez, a dúvida não é mais sobre o tamanho da demanda, mas, sim, se haverá biodiesel suficiente para atendê-la adequadamente. O mercado de soja está com pouca disponibilidade do produto fazendo com que o óleo esteja escasso e caro.

No leilão do 5º bimestre do ano passado, o setor se surpreendeu com a demanda de biodiesel, e foi preciso realizar um leilão complementar para atender a demanda das distribuidoras. As distribuidoras venderam 10,3 bilhões de litros de diesel no 5º bimestre e retiraram 1.140 mil m³ de biodiesel para atender o consumo de B11. A demanda durante o leilão foi tão inesperada que foi cogitado que as distribuidoras estariam usando uma mistura superior a 11%. Os números mostram que não era nada disso, foi apenas o consumo de diesel que cresceu.

No 5º bimestre desse ano devemos ter novamente um crescimento no mercado de diesel. O consumo deve ser puxado para cima em razão da expansão na área de plantio de soja. Além disso, as medidas de isolamento da pandemia vem perdendo força e o reflexo no consumo de diesel de setembro e outubro deve ser mínimo.

Com base nisso, podemos esperar um consumo de diesel igual ou maior que o do ano passado. Se, com B11, foram consumidos 1.140 mil m³ em 2019, com B12 teremos um consumo de, no mínimo, 1.243 mil m³. E esse seria o volume consumido e não, necessariamente, a compra durante o leilão.

Na próxima semana deverá acontecer o 75º Leilão de Biodiesel da ANP. Dessa vez, a dúvida não é mais sobre o tamanho da demanda, mas, sim, se haverá biodiesel suficiente para atendê-la adequadamente. O mercado de soja está com pouca disponibilidade do produto fazendo com que o óleo esteja escasso e caro.

No leilão do 5º bimestre do ano passado, o setor se surpreendeu com a demanda de biodiesel, e foi preciso realizar um leilão complementar para atender a demanda das distribuidoras. As distribuidoras venderam 10,3 bilhões de litros de diesel no 5º bimestre e retiraram 1.140 mil m³ de biodiesel para atender o consumo de B11. A demanda durante o leilão foi tão inesperada que foi cogitado que as distribuidoras estariam usando uma mistura superior a 11%. Os números mostram que não era nada disso, foi apenas o consumo de diesel que cresceu.

No 5º bimestre desse ano devemos ter novamente um crescimento no mercado de diesel. O consumo deve ser puxado para cima em razão da expansão na área de plantio de soja. Além disso, as medidas de isolamento da pandemia vem perdendo força e o reflexo no consumo de diesel de setembro e outubro deve ser mínimo.

Com base nisso, podemos esperar um consumo de diesel igual ou maior que o do ano passado. Se, com B11, foram consumidos 1.140 mil m³ em 2019, com B12 teremos um consumo de, no mínimo, 1.243 mil m³. E esse seria o volume consumido e não, necessariamente, a compra durante o leilão.

Como regras atuais exigem a retirada de pelo menos 95% do volume contratado, as distribuidoras podem adquirir até 4% mais biodiesel do que pretendem retirar. Dessa forma, elas podem ter uma margem logística.

Adicionando esses 4% aos 1.243 mil m³, teremos uma demanda mínima 1.293 mil m³ no L75.

Se o consumo de diesel subir 2% no 5º bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, teremos uma demanda de 1.312 mil m³. Se o mercado de diesel repetir o crescimento de 2019 sobre 2018 – que foi de quase 5% – , teremos uma demanda no leilão de 1.350 mil m³.

Essa é faixa de demanda de biodiesel para o leilão do 5º bimestre de 2020 – entre 1.250 mil m³ e 1.350 mil m³. Agora é preciso olhar para a oferta de biodiesel.

Oferta

O maior volume ofertado pelas usinas em um leilão foi 1.276 mil m³ no L72 que comprou biodiesel para o 3º bimestre de 2020.

Naquele leilão, a capacidade habilitada era de 1.553 mil m³, o que faz com que a oferta tenha ocupado 82,2% da capacidade total das usinas. Desde o L72, a capacidade das usinas habilitadas aumentou em 30 mil m³. Se todo esse volume fosse adicionado ao volume ofertado, o leilão teria uma oferta de 1.306 mil m³.

Mas dificilmente teremos todo esse volume ofertado no L75. A expectativa de uma queda mais forte na demanda em razão da pandemia, levou a um aumento nas exportações de soja e os estoques do grão estão baixíssimos. As usinas não terão agora a mesma disponibilidade de matéria-prima que tiveram no L72. A oferta de biodiesel nesse leilão pode ser até menor que os 1.206 mil m³ ofertados no L73.

Nessa leitura do mercado estamos caminhando para ter um leilão com uma demanda superior à oferta. E não um leilão justo onde há dúvidas se vai faltar biodiesel ou não. Se a oferta for menor que 1.250 mil m³ é certo que vai faltar biodiesel. Mesmo que fique um pouco acima disso, são grandes as chances de faltar biodiesel ou do mercado repetir os ágios absurdos vistos no L73C e L74.

As cartas da ANP

E se tivermos uma oferta reduzida, que alternativas a ANP terão em mãos?

A prevista em edital é a realização de um leilão complementar. Foram feitos dois leilões complementares depois do L73 e a oferta de biodiesel foi baixa. Tecnicamente não chegou a faltar produto, mas todo o biodiesel com selo ofertado foi comprado, o que é um sinal bem evidente de que chegamos perto desse ponto.

Essas duas experiências mostram que a realização de um leilão complementar em um mercado com escassez de matéria-prima não é uma solução adequada para resolver o problema da falta de biodiesel.

Mas a ANP tem ainda outra carta na manga e, muito provavelmente, é uma que o setor não vai gostar de ver entrar no jogo: a redução da mistura obrigatória para B11 ou até B10.

Dependendo do quanto for ofertado, essa seria a saída que estressaria menos todo o sistema e não desgastaria ainda mais o modelo de leilões de biodiesel. Com B11, a demanda no leilão ficaria entre 1.180 mil m³ e 1.240 mil m³. Com B10 entre 1.071 mil m³ e 1.125 mil m³.

Depois de ter brigado tanto pela antecipação do B13, o setor infelizmente está diante de uma possibilidade bastante real de passar um bimestre com uma mistura de biodiesel menor que 12%. Mas há como evitar que as coisas cheguem nesse ponto. Ao contrário da demanda de diesel que é ditada por milhões de consumidores no país, a oferta de biodiesel depende da decisão individual de cada uma das 43 usinas habilitadas para o L75.

São elas, e não a ANP, que vai definir o futuro do setor no 5º bimestre de 2020.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

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