Pela primeira vez, desde o lançamento da mistura obrigatória, um leilão da ANP negociou mais de um bilhão de litros de biodiesel
Um bilhão oito milhões e dezenove mil litros de biodiesel ou, para encurtar, 1.008.019 m³. Esse foi o saldo final do 61º Leilão de Biodiesel da ANP cuja fase de aquisições das distribuidoras foi encerrado hoje (19) pouco antes das 16h00. Trata-se do primeiro leilão da história a superar a barreira de 1 bilhão de litros arrematados.
Um bilhão oito milhões e dezenove mil litros de biodiesel ou, para encurtar, 1.008.019 m³. Esse foi o saldo final do 61º Leilão de Biodiesel da ANP cuja fase de aquisições das distribuidoras foi encerrado hoje (19) pouco antes das 16h00. Trata-se do primeiro leilão da história a superar a barreira de 1 bilhão de litros arrematados.
As distribuidoras foram relativamente moderadas em suas aquisições na Etapa 5. Menos de 41,2 milhões de litros – apenas de 17% dos 241,7 milhões que poderiam regimentalmente – foram comprados na rodada dessa terça-feira (19). E seria até difícil elas comprarem muito mais mesmo se quisessem. Do volume total de biodiesel que os fabricantes colocaram no mercado uma semana atrás restam apenas 32,1 milhões de litros.
Em tese, esse será o biodiesel disponível para atender à demanda do mercado autorizativo e dos estoques reguladores.
O grande volume do certame – 966,8 milhões de litros de biodiesel – foi negociado durante a Etapa 3. Tipicamente realizada ao longo de um único dia, dessa vez o processo levou nada menos que três dias para ser encerrado. Ela foi aberta na quinta-feira (14) avançou sobre a sexta-feira (15) quando foi pausada pela ANP para ser retomada no dia de ontem (18).
Faturamento
O aumento quantidade de biodiesel negociada alavancou as receitas do setor. O processo como um todo movimentou R$ 2,67 bilhões, superando em mais de R$ 315 milhões o recorde do setor que pertencia ao L59.
Descontados os R$ 25,2 milhões que serão cobrados pela Petrobras para administrar todo o sistema, restarão R$ 2,65 bilhões para as usinas de biodiesel.
Otimismo
O total adquirido no L61 indica que as distribuidoras estão razoavelmente otimistas em relação ao mercado de diesel no próximo bimestre. Se todo o biodiesel vendido for mesmo retirado, será possível colocar no mercado um pouco menos de 10,1 bilhão de litros de óleo diesel B.
Isso representa um crescimento de aproximadamente 2,6% em relação aos 9,82 bilhões de litros que foram movimentados no ano passado.
Peculiar
Foi um leilão bastante peculiar. Para dizer o mínimo.
Começando pelo fato dele ter sido adiado em uma semana pela ANP para evitar reflexos da greve dos caminhoneiros que paralisou o país e o setor de biodiesel durante quase duas semanas no mês passado.
Depois disso, tivemos uma demanda inesperada que fez com que a Etapa 3 se prolongasse de forma absolutamente incomum. Foram necessárias mais de 31 horas de negociações para que um pregão aberta às 11h00 de quinta-feira conseguisse ser resolvida apenas às 17h07 da segunda-feira seguinte.
E hoje ainda tivemos mais compras tornando esse o leilão em que a demanda mais de aproximou da oferta. Isso fez com que as distribuidoras pagassem R$ 2.656,18 pelo metro cúbico do biodiesel. Em relação ao leilão anterior quando o preço médio foi de R$ 2.448,12, a alta chega a 8,5%.
A demanda aquecida também garantiu com que absolutamente todas as 38 usinas que haviam se habilitado vendessem pelo menos algum biodiesel durante o processo.
Destaques
– O L61 movimentou um total de 1.008.019 m³ de biodiesel dos quais 966,8 milhões de litros foram adquiridos na Etapa 3 e 41,2 milhões de litros na Etapa 5;
– Esse foi o primeiro certame a história a passar da barreira de 1 bilhão de litros negociados;
– Também foi o leilão mais longo com uma duração de 33 horas – somando a duração das etapas 3 e 5
– Das ofertas feitas pelas usinas no dia 12, restam apenas 32,1 milhões de litros;
– O metro cúbico de biodiesel custou, em média, por R$ 2.656,17 com uma movimentação total de R$ 2,67 bilhões;
– Das 38 usinas habilitadas, nada menos que 28 liquidaram suas ofertas iniciais num montante de 842,3 milhões de litros;
– Para 9 destas, o volume arrematado representa 100% da capacidade instalada;
– Nenhuma das 38 unidades produtivas habilitadas ficou sem vender biodiesel;
– A Granol de Anápolis foi a usina que encerrou a rodada com o maior saldo de biodiesel, foram 14 milhões de litros de biodiesel não vendido;
– A maior vendedora foi a Oleoplan de Veranópolis com 65 milhões de litros negociados o que deverá lhe render cerca de R$ 165,5 milhões no bimestre;
– Entre os grupos do setor, a liderança ficou com a Granol que fechou a venda de 105 milhões de litros e R$ 285,9 milhões faturados;
– Pelo preço médio de R$ 2.935,06 a PBio de Candeias foi a usina com o biodiesel mais caro;
– Já o mais barato foi o da Granol de Cachoeira do Sul com R$ 2.534,73 por m³;
– O Rio Grande do Sul foi o estado que mais vendeu com 303,5 milhões de litros;
O resultado completo do L61 pode ser conferido clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com