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Demanda no L76: uma análise sobre o que pode acontecer

Quanto as usinas têm que oferecer para manter o B12

BiodieselBR.com 3 min de leitura

Na segunda-feira (05) começa o L76. Nesse dia acontece a etapa de oferta de biodiesel pelas usinas, chamada de Etapa 2. Normalmente ela não atrai tanta atenção como a Etapa 3, que é quando as distribuidoras compram maior parte do biodiesel. Mas, neste leilão, a Etapa 2 vai ser uma das mais importantes, pois é no meio dela que a ANP vai decidir se a mistura de biodiesel permanece em B12 ou se vai ser reduzida.

Na segunda-feira (05) começa o L76. Nesse dia acontece a etapa de oferta de biodiesel pelas usinas, chamada de Etapa 2. Normalmente ela não atrai tanta atenção como a Etapa 3, que é quando as distribuidoras compram maior parte do biodiesel. Mas, neste leilão, a Etapa 2 vai ser uma das mais importantes, pois é no meio dela que a ANP vai decidir se a mistura de biodiesel permanece em B12 ou se vai ser reduzida.

O problema é que não se sabe quais são os critérios que a ANP vai adoar para tomar essa decisão. Se a oferta for de 1.200 mil m³ a demanda continua sendo B12 ou diminui? Se for de 1.150 mil m³ a demanda cai para B11 ou B10? Ninguém sabe qual a posição da ANP sobre a demanda para o 6º bimestre do ano.

Vamos então fazer um pequeno exercício para ter uma ideia de onde pode estar o racional da agência. No ano passado, foram consumidos 9,1 bilhões de litros de diesel no sexto bimestre. Se o consumo se mantiver, seriam necessários cerca de 1.092 mil m³ de biodiesel para o B12. Nos leilões as distribuidoras compram cerca de 3% a mais do que elas esperam consumir. Assim, a demanda de B12 no leilão seria de 1.124 mil m³. Se, além disso, o mercado de diesel crescer 2% em relação ao ano passado, a demanda será de quase 1.150 mil m³.

Então se a oferta das usinas for igual a 1.150 mil m³ a demanda não precisaria ser reduzida, certo? Errado. Esse sistema de leilão não funciona quando oferta e demanda estão muito próximas. É preciso que que a oferta seja pelo menos 5% maior do que a demanda para que o ágio não suba demais e para que sobre biodiesel para a formação dos estoques.

O setor não tem dado muita importância, mas a falta de produto nos leilões de estoque é um dos pontos de estresse do sistema. É preciso que haja biodiesel para formar um estoque de pouco mais de 50 mil m³.

Para a manutenção do B12, a oferta de biodiesel teria que ser um pouco superior a 1.200 mil m³. Esse é um volume que garantiria uma passagem pelo final de ano sem maiores problemas para o setor.

Há ainda a possibilidade da demanda das distribuidoras ser menor que a do ano passado, em razão do grande volume comprado no L75. Nesse caso, a oferta de biodiesel mesmo sendo menor que 1.200 mil m³ poderia ser suficiente. Mas a ANP não tem como saber isso, já que não exige que as distribuidoras informem antecipadamente o volume que pretendem comprar.

Depois de todos os problemas que aconteceram, é muito provável que a agência prefira tomar uma decisão mais segura, optando por garantir uma sobra maior de biodiesel. E por mais que as usinas não gostem, deixar o mercado menos apertado é muito importante para o todo o setor de biodiesel.

Miguel Angelo Vedana

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